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Sábado, de 15 a 21 de março de 2025
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POLÍCIA
Caso Vanessa: inquérito detalha como jornalista foi vítima de feminicídio, cárcere privado e violência
Por Aldir Guedes Soriano
A reportagem teve acesso ao relatório final do inquérito policial do caso, que investiga o feminicídio da jornalista Vanessa Ricarte, de 42 anos, morta pelo ex-noivo, Caio Nascimento, no dia 12 de fevereiro. O documento detalha o ciclo de violência ao qual Vanessa foi submetida antes de morrer. O inquérito, de 25 páginas, foi assinado pela delegada responsável pelo caso, Analu Ferraz, da Delegacia Especializada no Atendimento às Mulheres (Deam). O documento foi entregue à Justiça para o indiciamento de Caio pelos crimes de feminicídio, cárcere privado e violência psicológica. O relatório, após reprodução simulada no apartamento da jornalista, também conseguiu comprovar a tentativa de homicídio contra um amigo da jornalista, que estava no local do crime. Os crimes imputados à Caio do Nascimento já foram denunciados pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) à Justiça. O relatório destaca que Vanessa procurou duas vezes a Deam no dia que foi morta. A primeira, na madrugada do dia
12 de fevereiro, quando registrou boletim de ocorrência contra o companheiro Caio, por ameaça e divulgação de imagens de nudez. Na ocasião, a jornalista pediu a medida protetiva. A segunda, foi horas depois, na tarde do dia 12, após ser encorajada pelos amigos a detalhar os crimes. Desta vez, a vítima ficou quase 18 minutos na sala da delegada plantonista. Ao sair da delegacia, acompanhada de um amigo, Vanessa voltou para casa para pedir que Caio deixasse o lugar. Foi nesse momento que ela foi esfaqueada com três golpes na região do tórax. Em depoimento, o amigo que estava com Vanessa no momento do crime, disse que após esfaquear a jornalista, o agressor foi em sua direção, dizendo que iria matá-lo. O jovem conseguiu empurrar Vanessa para dentro da cozinha e trancar a porta com a ajuda de uma geladeira. A jornalista foi socorrida e morreu no hospital horas depois. “Vanessa foi surpreendida pela covardia, frieza e ódio de um homem que viu uma mulher (mesmo que com medo) romper o ciclo de violência Caio não aceitou o fim”, diz o documento. De acordo com a Polícia Civil, mais de dez testemunhas foram ouvidas, sendo
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que a maioria eram amigos da vítima. Para a investigação, os depoimentos, somados às circunstâncias em que ocorreram os crimes, comprovam que Caio premeditou o feminicídio. O documento detalha ainda que durante o interrogatório, Caio não demonstrou arrependimento. O relatório diz que o agressor subtraiu recursos financeiros da vítima para sustentar o vício em drogas, durante os cinco dias em que a manteve em cárcere privado. Vanessa foi obrigada a gastar mil reais para comprar as drogas. Conforme o relatório da Deam, Caio transformou a jornalista em uma espécie de “presa”. A vítima tinha sua rotina controlada e vistoriada pelo autor. “Quando Caio deu conta de que havia conquistado sua ‘presa’ começou, de maneira quase imperceptível, a controlá-la como forma de amor. Nos autos têm apreensão de uma rotina completa do dia da Vanessa e com todos os horários como forma de prestação de contas”, detalha o relatório. (Com G1).
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