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Edição de 23 de outubro de 2026

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MATÉRIA DE CAPA

efe. - Quanto o esporte te moldou para esse caminho? JJ - A natação me deu comportamento: disciplina, resiliência, persistência, objetividade, trabalho em equipe, competitividade, lidar com frustração e com o fracasso. No mundo dos negócios, eu percebi que muita gente não tinha essa força mental — não porque não quer, mas porque não foi treinada. Eu também não nasci assim, eu fui treinado. Aí eu coloquei na cabeça que ia ser um treinador de alta performance de empresários.

Acima, Joel como professor; abaixo como nadador

efe. - Você ainda pensava em seguir carreira acadêmica? JJ - Sim. Em 2013, terminei meu mestrado na USP e minha vida ainda era muito acadêmica. Eu morava em Santos e a minha cabeça era: “Vou ser doutor, concursado, professor doutor, e vou empreender também — palestras e consultoria”. Só que em 2013 eu percebi que, com o maior esforço que eu fizesse como doutor, aquilo ia me dar um resultado financeiro muito pequeno. Foi aí que resolvi não avançar para o doutorado e colocar toda a energia nos negócios.

efe. - E o Instituto Neymar Jr.? Como isso entra na sua trajetória? JJ - Em 2014, fui convidado a trabalhar com o Neymar Pai — eu tinha dado aula para ele na faculdade em 2008. Ele lançou o Instituto Neymar Jr. e me chamou para ser coordenador-geral. Eu continuei com a empresa, continuei palestrando, com livro e colocando conteúdo na internet. Em 2018, pedi demissão e segui 100% minha carreira sozinho.

efe. - Em que momento a internet se transforma em estratégia concreta? JJ - Até 2014, eu não sabia exatamente o que fazer na internet. Eu só sabia onde precisava estar: nas redes sociais. Eu publicava conteúdos técnicos de natação, biomecânica, esporte. Mas também compartilhava reflexões. Eu sentia que havia mais ali. Com a chegada dos infoprodutos, eu percebi que aquele poderia ser um modelo viável. Em 2016, fui intencional: comecei a frequentar ambientes de pessoas que faziam milhões na internet. Entendi estratégia, posicionamento, mentalidade. Em 2017, eu já tinha convicção de que daria certo. Eu falava de alta performance de maneira autoral, havia pouca concorrência nesse recorte. Passei a usar minha própria história como instrumento de autoridade. Eu

fui atleta de alta performance — por que não traduzir isso para o universo empresarial? Em 2018, já havia feito meu primeiro milhão na internet. Em 2019, um vídeo gravado na praia viralizou. Não foi planejado. Foi espontâneo. Ali eu percebi que era a combinação entre assunto, linguagem e cenário. O sucesso do dia para a noite levou uns oito anos.

efe. - Essa viralização de 2019, como aconteceu? JJ - Viralizou um vídeo que eu gravei correndo na praia: “transforma o seu corpo num tanque de guerra”. Eu estava correndo cedo, fiquei inspirado, pedi para um amigo gravar. O vídeo foi compartilhado, atingiu algo como 430 a 450 mil pessoas. Aí eu comecei a ir todo dia para a praia e gravar. Isso acumulou em 2019, e aí veio a pandemia: muita gente em casa, eu estava pronto.

efe. - Durante a pandemia você criou um movimento que ganhou grande alcance. Como nasceu “A Travessia”? JJ - Eu tinha um escritório em frente à praia de Santos. Meu irmão e minha cunhada tinham uma agência de marketing e perderam 50% dos clientes, porque muita empresa quebrou. Eu olhei aquilo e pensei: tem um monte de empresário quebrando e eu aqui bombando, preciso fazer alguma coisa. Eu vi um navio passando e pensei: “Já sei: vou fazer um projeto chamado A Travessia”. Eu achei que ia durar seis, oito semanas.Comecei a fazer lives ensinando renda extra: “Aluga a garagem”, “dá aula de como cortar cabelo em casa”, “faz brigadeiro e entrega”. Criei o “dinheirômetro”, uma planilha coletiva para que as pessoas registrassem quanto estavam conseguindo gerar a mais por semana. Em seis semanas, somamos 15 milhões de reais de renda adicional. Ali eu compreendi o poder da causa, do movimento e da internet como ferramenta de mobilização.

efe. - Você ainda vive essa rotina “de atleta”? JJ - Sim. Hoje eu não sou atleta, mas vivo uma vida de atleta. Eu treino, mantenho a mente aguçada, a disciplina alinhada. Fiz uma prova de Ironman em 2023 — eu comecei a treinar na pandemia. Hoje estou na musculação: é eficiente, eu gosto, fico forte, posturado e não ocupa tanto tempo.

efe. - Você falou de uma decisão de posicionamento: escolher com quem falar. Como foi essa virada? JJ - Foi uma decisão: com quem eu quero falar e com quem eu não quero mais falar. Eu adoro falar com atleta, mas decidi falar com empresário. O atleta precisa de apoio e o empresário também, mas o atleta não tem dinheiro e o empresário tem. A segunda coisa foi sair do ambiente esportivo, que era minha zona de conforto, e ir para o ambiente dos empresários — e deixar isso público. A terceira foi consistência: repetir o posicionamento, estar nos lugares, manter agenda aberta.

efe. - E essa mudança de ambiente foi só mental ou física também? JJ - Primeiro foi na cabeça. Eu não saí da cidade de imediato. Eu me rodeei de livros dos assuntos que eu queria — e eu sou leitor. Sobretudo finanças. Depois, dos livros eu fui para os ambientes que essas pessoas frequentavam. Mais tarde, eu mudei fisicamente: saí da Praia Grande, fui para um bairro em Santos, depois outro melhor em Santos, e depois vim para Alphaville. Em Alphaville eu já mudei três vezes. Vim em 2020.

efe. - Por que Alphaville? O que isso mudou na sua vida? JJ - Aqui a concentração de pessoas do meu mercado é muito maior. Quando eu montei meu podcast, lá em 2019, em Santos, ele se chamava DNACast e eu só conseguia entrevistar pessoas de Santos. Para trazer alguém de São Paulo era complicado, tinha deslocamento, agenda. Eu comecei a pensar: “Se eu gravar quatro episódios em São Paulo, tudo fica mais fácil”. Quando eu virei sócio do Grupo Primo, eu sabia que precisava estar aqui para o negócio acontecer. Era uma decisão estratégica. Mas, quando eu cheguei, eu percebi outra coisa: Alphaville era um hub. Os empresários estavam aqui. Era bom para relacionamento, bom para gravar, bom para conversar, bom para construir. Virou um ponto de conexão. Um lugar onde as pessoas do meu mercado circulam. Isso facilitou muito as relações, os negócios, o podcast. E continua sendo um hub muito forte. Foi uma mudança estratégica — mas também foi uma mudança de ambiente que acelerou tudo.