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Fungo zumbi da Amazônia domina tarântula gigante em cena de tirar o fôlego: cientistas brasileiros registram pela 1ª vez parasita que controla aracnídeo na Reserva Ducke

03 fev 2026 - 11h53 Joice Gomes   atualizado às 11h58
Fungo zumbi da Amazônia domina tarântula gigante em cena de tirar o fôlego: cientistas brasileiros registram pela 1ª vez parasita que controla aracnídeo na Reserva Ducke Professor da UFSC, Elisandro Ricardo Drechsler-Santos fez parte da expedição que encontrou a tarântula infectada. (Imagem: Reprodução/Acervo pessoal/Elisandro Ricardo Drechsler Santos)

Na densa Floresta Amazônica, uma descoberta bizarra desafia até os roteiros mais criativos de Hollywood. Pesquisadores flagraram uma tarântula gigante completamente dominada por um fungo zumbi, que a força a se comportar como marionete até a morte.

O registro histórico aconteceu em janeiro de 2026, na Reserva Ducke, próximo a Manaus. Lara Fritzsche, estudante de Ciências Ambientais da Universidade de Copenhague, identificou o parasita durante o Tropical Mycology Field Course, curso internacional de fungos tropicais.

Responsável pela proeza está o Cordyceps caloceroides, fungo que infectou uma Theraphosa blondi, conhecida como tarântula-golias – uma das maiores aranhas do mundo. O achado foi divulgado pelo professor Elisandro Ricardo Drechsler-Santos, da UFSC, que coordena o grupo MIND.Funga.

Mecanismo assustador do fungo zumbi

O ciclo do fungo zumbi impressiona pela precisão parasitária. Esporos minúsculos aderem ao corpo da aranha ou contaminam o solo úmido da floresta. Ao germinar, penetram o exoesqueleto usando enzimas digestivas e força mecânica.

Dentro do hospedeiro, o fungo consome tecidos internos seletivamente, preservando estruturas vitais o suficiente para manipular o comportamento. A tarântula abandona seus hábitos normais e cava buraco no solo, criando microclima perfeito para esporulação.

Após dias de domínio total, estruturas reprodutivas alaranjadas irrompem do abdômen, projetando-se centímetros acima da terra. Elas liberam milhões de esporos, reiniciando o ciclo mortal em busca de novas vítimas aracnídeas.

  • Contaminação inicial por esporos aéreos ou contato com solo.
  • Crescimento interno destrói órgãos sem matar imediatamente.
  • Controle neural força enterro e imobilidade estratégica.
  • Esporulação final consome hospedeiro completamente.

Raridade científica na biodiversidade brasileira

Embora o gênero Cordyceps seja famoso por zumbificar formigas há 50 milhões de anos, ataques a aranhas são excepcionais. "Esses fungos exibem hiperespecialização: cada espécie parasita alvos específicos", explica Drechsler-Santos em entrevista ao portal A Crítica.

O exemplar amazônico difere de registros em outros biomas brasileiros. "Na Amazônia, condições ambientais únicas e fauna local criam nichos exclusivos para essas interações milenares", destaca o micologista da UFSC, cujo vídeo sobre o caso superou 2 milhões de visualizações.

A série The Last of Us catalisou interesse global pela micologia. "Ela transformou fungos de vilões negligenciados em protagonistas científicos, atraindo olhares e financiamento para área historicamente subestimada", celebra o professor.

Parceria internacional impulsiona ciência nacional

O Tropical Mycology Field Course reuniu experts da Universidade de Copenhague, UFSC e Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia. De 9 a 19 de janeiro, participantes se dedicaram a coletas sistemáticas, análises microscópicas e identificação de espécies na Reserva Ducke.

Organizado pelo biólogo João Paulo Machado de Araújo, o curso enfatizou técnicas de campo em ecossistemas tropicais. A reserva de 10 mil hectares oferece trilhas pela floresta de terra firme e igapó, hotspot perfeito para estudos fúngicos.

Brasil abriga 10% da diversidade fúngica mundial, formando a tríade completa: fauna, flora e funga. Descobertas como essa pavimentam caminho para aplicações farmacêuticas, inspiradas em sucessos como penicilina e ciclosporina.

Tranquilidade para o público: sem risco humano

Amantes de ficção apocalíptica podem respirar aliviados. O fungo zumbi é estritamente especializado em artrópodes e não infecta mamíferos. "Nosso sistema imunológico neutraliza esporos diariamente sem drama", garante o pesquisador catarinense.

Casos semelhantes ocorrem em outros países tropicais, mas o registro brasileiro ganha relevância pela espécie de tarântula e contexto amazônico. Análises genéticas do espécime preservado prometem esclarecer estratégias evolutivas de infecção.

Desmatamento representa ameaça concreta. A perda de habitats compromete nichos onde fungos e hospedeiros coevoluíram por milhões de anos, impactando cadeias tróficas e ciclos biogeoquímicos.

Para jovens cientistas, o caso inspira. "Registrar raridades assim acelera conhecimento nacional e emociona gerações", reflete Elisandro. O vídeo continua viralizando, transformando nicho acadêmico em fenômeno cultural.

Parcerias como UFSC-UCPH-Inpa exemplificam como colaboração internacional potencializa descobertas locais. Investimentos em micologia podem posicionar Brasil como líder global em bioprospecção fúngica.

A natureza amazônica reitera seu fascínio inesgotável. De formigas zumbis a tarântulas possuídas, o fungo zumbi prova que realidade supera ficção, exigindo conservação urgente de nossos tesouros biológicos.

Mais estudos estão planejados para comparar populações fúngicas entre biomas. Quem sabe que outros segredos a "funga" brasileira ainda guarda para surpreender o mundo?

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