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90% dos brasileiros devem comprar chocolate na Páscoa mesmo com alta nos preços

01 abr 2026 - 08h02 Joice Gomes   atualizado às 08h06
90% dos brasileiros devem comprar chocolate na Páscoa mesmo com alta nos preços Apesar de 69% considerarem preços injustos, 90% dos brasileiros pretendem adquirir chocolates na Páscoa 2026. (Imagem: Paulo Pinto/Agência Brasil)

Mesmo diante da alta nos preços, 90% dos brasileiros pretendem comprar chocolate na Páscoa de 2026, segundo pesquisa do Instituto Locomotiva em parceria com a QuestionPro. O percentual equivale a cerca de 148 milhões de consumidores e representa avanço em relação a 2025, quando a intenção de compra era de 86%.

O levantamento foi realizado entre 25 de fevereiro e 13 de março, com 1.557 pessoas com 18 anos ou mais em todo o país. Os dados indicam que, apesar da percepção de preços elevados, a data segue relevante para o consumo e mantém forte apelo cultural e familiar.

Diferenças por renda e perfil familiar

A intenção de compra varia entre as faixas de renda. Entre consumidores das classes AB, 95% afirmam que pretendem adquirir chocolates. O índice é de 88% na classe C e de 80% nas classes DE.

Famílias com filhos apresentam maior propensão ao consumo: 93% planejam comprar chocolates, contra 82% entre aqueles sem crianças. O ato de presentear aparece como um dos principais motivadores, citado por 69% dos entrevistados.

Além disso, 67% afirmam que pretendem consumir chocolate pessoalmente, enquanto 63% dizem que devem comprar ovos de Páscoa para si próprios.

Preço lidera decisão de compra

O preço é o principal fator considerado pelos consumidores, mencionado por 61% dos entrevistados. Em seguida aparecem qualidade dos ingredientes (53%), tamanho do produto (44%), marca (43%) e variedade de sabores (40%).

Outros elementos também influenciam a decisão, como embalagem (29%), brindes e personagens (27%) e opções para dietas específicas, como produtos sem lactose ou veganos (12%).

Mesmo com esse cenário, 69% dos entrevistados avaliam que os preços estão elevados, especialmente na comparação entre ovos de Páscoa e chocolates em formatos tradicionais.

Cresce a procura por chocolates artesanais

A pesquisa mostra avanço na preferência por chocolates artesanais, escolhidos por 68% dos consumidores. O movimento reflete a busca por produtos diferenciados, personalizados e com identidade local.

Esse segmento tem ganhado espaço como alternativa aos produtos industrializados, especialmente entre consumidores que buscam custo-benefício ou maior variedade de opções.

Ovos ainda lideram entre crianças

Os ovos de Páscoa continuam sendo a principal escolha para presentear crianças, com 68% das preferências. Entre adultos, há maior equilíbrio entre ovos (66%) e outros formatos de chocolate (63%).

Quando questionados sobre o que gostariam de receber, os entrevistados indicaram empate entre ovos e formatos tradicionais, ambos com 72% das respostas.

Os dados indicam que, embora o ovo de Páscoa mantenha seu valor simbólico, consumidores adultos têm diversificado suas escolhas diante dos preços mais altos.

Produção caseira e renda extra avançam

O levantamento também aponta crescimento do empreendedorismo na data. Cerca de 22% dos brasileiros pretendem produzir ou vender chocolates na Páscoa, o equivalente a aproximadamente 36 milhões de pessoas.

Entre jovens de 18 a 29 anos, esse percentual sobe para 29%. Já nas classes DE, chega a 33%, indicando que a data tem sido aproveitada como oportunidade de geração de renda.

O movimento impulsiona pequenos negócios e a produção artesanal, especialmente em contextos de informalidade e trabalho autônomo.

Alta do cacau impacta preços

A elevação dos preços está associada à valorização do cacau no mercado internacional nos últimos anos. Em alguns casos, os ovos de Páscoa registraram aumentos de até 37% em relação a 2025.

Mesmo com recuo recente da commodity, o repasse ao consumidor tende a ocorrer de forma gradual, o que mantém os preços elevados no curto prazo.

Segundo projeções da Confederação Nacional do Comércio (CNC), a Páscoa de 2026 deve movimentar cerca de R$ 3,57 bilhões, com crescimento real de 2,5% em relação ao ano anterior.

Tradição mantém força no consumo

A Páscoa segue sendo vista como um momento de reunião familiar para 82% dos brasileiros. Além disso, 77% afirmam que pretendem participar de almoços ou encontros durante o período.

O hábito de presentear também permanece forte: 76% consideram a data importante para troca de presentes.

Além dos chocolates, 54% dos consumidores planejam comprar alimentos como peixes e sobremesas, enquanto 38% devem adquirir bebidas. Itens como brinquedos temáticos (32%) e decoração (28%) também aparecem entre as intenções de compra.

Impacto regional e tendências

Em Mato Grosso do Sul, a estimativa é de que a data movimente cerca de R$ 335 milhões, com destaque para o crescimento do consumo de produtos artesanais e de pequenos produtores locais.

Entre as tendências para 2026 estão a combinação de sabores tradicionais com propostas mais sofisticadas, o uso de diferentes texturas e a ampliação de opções voltadas a públicos específicos, como produtos com restrições alimentares.

  • Consumo segue elevado mesmo com preços altos
  • Chocolates artesanais ganham espaço no mercado
  • Produção caseira cresce como alternativa de renda
  • Compra em lojas físicas continua predominante

Os dados indicam que o consumo de chocolate na Páscoa permanece resiliente, sustentado pela tradição, pelo apelo afetivo da data e pela adaptação dos consumidores às condições econômicas.

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