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Sonora Brasil 2026: turnê de artistas afro-indígenas chega a 15 estados com shows inéditos de junho a dezembro

26 mar 2026 - 08h25 Joice Gomes   atualizado às 08h27
Sonora Brasil 2026: turnê de artistas afro-indígenas chega a 15 estados com shows inéditos de junho a dezembro 28ª edição do Sonora Brasil leva música afro-indígena a 15 estados brasileiros, com artistas como Gean Ramos Pankararu e Suraras do Tapajós, promovendo imersão em patrimônios vivos reinventados. (Imagem: Lucas Aldi/Divulgação)

A 28ª edição do Sonora Brasil, projeto icônico do Sesc, anuncia uma ambiciosa turnê nacional que leva artistas e grupos de música afro-indígena a 15 estados brasileiros.

Com shows inéditos, a programação começa em junho, em Santarém (PA), e se estende até dezembro, oferecendo ao público uma imersão profunda nas expressões musicais que unem ancestralidade, resistência e inovação contemporânea.

Ancestralidade em movimento

O festival destaca tradições que atravessam gerações, resistindo a apagamentos históricos enquanto se conectam a novas linguagens, tecnologias e estéticas modernas.

Gean Ramos Pankararu, músico indígena de Pernambuco, é um dos destaques. Nascido em 1980 na aldeia Pankararu, no sertão pernambucano, ele conecta suas raízes à música popular brasileira, com influências de baião, samba, bossa nova e o toré tradicional de seu povo.

Com mais de duas décadas de carreira, Gean é precursor da música indígena contemporânea no Brasil. Autor de seis álbuns, ele venceu prêmios como o Festival Edésio Santos da Canção e foi indicado ao Indigenous Music Awards, no Canadá, e ao Grammy Latino.

"A música é um portal espiritual que parte da conexão com a terra e a natureza", afirma o artista, que migrou para São Paulo na juventude, trabalhando em plantações, mas nunca abandonou o violão aprendido aos oito anos.

Primeiro grupo de carimbó indígena feminino

As Suraras do Tapajós, do Pará, marcam presença como o primeiro grupo de carimbó formado exclusivamente por mulheres indígenas no Brasil.

Formado em 2018 por jovens que vivem às margens do Rio Tapajós, o coletivo une etnias diversas em defesa dos direitos femininos e da cultura paraense. Seu repertório autoral exalta a natureza, a força da mulher e a ancestralidade, com releituras do carimbó, Patrimônio Imaterial desde 2014.

Elas já dividiram palco com nomes como Dona Onete e Gaby Amarantos, e lançaram o EP "Suraras do Tapajós" e o álbum "Kiribasáwa Yúri Yí-Itá (A Força Que Vem das Águas)", em 2021.

Fusão eletrônica e rituais

O grupo baiano Cabokaji traz uma proposta inovadora, misturando referências indígenas e afro-brasileiras a ritmos eletrônicos, rap, pop e percussões ancestrais.

Criado em 2019 por Caboclo de Cobre, ISSA, Ejigbo e Mayale Pitanga, o show envolve música, corpo e elementos rituais, homenageando comunidades como Xukuru-Kariri (AL) e Fulni-ô (PE).

As letras, em línguas originárias, tratam de amor preto e tupi, espiritualidade, territorialidade, reparação histórica e ambiental, conectando vielas urbanas a caminhos ancestrais.

Pontes entre mundos

O Nderé Oblé reúne artistas do Rio Grande do Sul, Distrito Federal e Costa do Marfim, criando diálogos entre ancestralidade afro e indígena contemporânea por meio de música, palavra e corpo.

A curadoria do Sesc enfatiza o atravessamento histórico dessas matrizes na formação cultural brasileira, abordando territórios, crenças e modos de vida.

História e impacto do Sonora Brasil

Desde 1998, o Sonora Brasil promove a difusão da música e manifestações culturais brasileiras, formando ouvintes e revelando a diversidade do país.

Leonardo Minervini, gerente interino de Cultura do Departamento Nacional do Sesc, destaca o dinamismo do projeto, que responde a contextos culturais variados e garante representatividade.

Cada artista fará de 30 a 40 apresentações em todas as regiões. No biênio 2024-2025, sob o tema "Encontros, Tempos e Territórios", dez combinações de grupos circularam pelo Brasil, gerando uma série documental disponível gratuitamente no Sesc Digital.

O projeto já alcançou 750 mil pessoas com 6.098 concertos em mais de 150 cidades, envolvendo 431 músicos.

Importância cultural e social

Essa edição reforça a música indígena como a mais antiga do país, impulsionando a visibilização de artistas originários desde os anos 2000.

Gean Ramos Pankararu enfatiza a construção de consciência para futuras gerações: "Estamos consolidando nossos nomes, trazendo histórias de resistência".

  • Turnê em 15 estados, com foco em shows inéditos e acústicos que valorizam autenticidade sonora.
  • Início em Santarém (PA), com extensão até dezembro em unidades do Sesc e parceiros.
  • Ênfase em patrimônio vivo: afro-indígena como base da identidade brasileira.
  • Combate ao apagamento histórico, promovendo pontes entre tradição e contemporaneidade.
  • Acesso amplo: apresentações gratuitas ou a preços populares em espaços culturais.

A turnê não só entretém, mas educa sobre lutas territoriais, reparação e cosmovisões indígenas e africanas, fortalecendo a coesão cultural nacional.

Em um país de plurais etnias, iniciativas como o Sonora Brasil são essenciais para preservar e reinventar heranças, garantindo que vozes periféricas ecoem em centros urbanos e interiores.

O público pode acompanhar agendas nos sites regionais do Sesc, preparando-se para uma jornada sonora que une passado, presente e futuro.

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