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Cláudio Castro renuncia ao governo do Rio e encerra mandato com foco no Senado

24 mar 2026 - 08h08 Joice Gomes   atualizado às 08h10
Cláudio Castro renuncia ao governo do Rio e encerra mandato com foco no Senado Cláudio Castro anuncia renúncia ao governo do Rio nesta segunda (23), um dia antes de julgamento no TSE que pode cassá-lo. (Imagem: Fernando Frazão/Agência Brasil)

O governador Cláudio Castro (PL) renunciou ao cargo no Rio de Janeiro nesta segunda-feira (23), em cerimônia realizada no Palácio Guanabara, sede do Executivo estadual. Ele afirmou sair de cabeça erguida e grato pelo período à frente do estado, que assumiu de forma interinamente em 2020 e depois foi reeleito em 2022 com quase 60% dos votos.

A decisão ocorre na véspera da retomada, pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), do julgamento sobre denúncias de abuso de poder político e econômico na campanha eleitoral de 2022, envolvendo a Fundação Cepjer. A relatora, ministra Maria Isabel Gallotti, já votou pela cassação do mandato e inelegibilidade por oito anos, mas o processo foi suspenso por pedido de vista.

Trajetória de Castro no poder

Nascido em Santos (SP) em 1979, Cláudio Castro é advogado, cantor gospel e político experiente. Foi eleito vice-governador na chapa de Wilson Witzel em 2018, assumindo o governo em agosto de 2020 após o afastamento do titular por suspeitas de irregularidades na Saúde. Em maio de 2021, tomou posse definitiva após o impeachment de Witzel.

Em 2022, Castro migrou para o PL e garantiu a reeleição no primeiro turno, com 4,93 milhões de votos (58,67%), vencendo em 91 dos 92 municípios fluminenses. Sua gestão priorizou segurança pública, com investimentos anuais de R$ 16 bilhões, aquisição de câmeras corporais, centros de inteligência e ampliação do Programa Cidade Integrada.

Avanços destacados na gestão

Durante a despedida, Castro elencou conquistas como a maior apreensão de fuzis da história do estado em 2025, com 920 armas (aumento de 25,7% em relação a 2024), equivalente a dois fuzis por dia. Na economia, enviou projetos à Alerj para revisar incentivos fiscais, criar empregos e fortalecer o regime de recuperação fiscal. Áreas como saúde e educação também receberam ênfase, com modernização policial e suporte federal contra o crime organizado.

Os investimentos em tecnologia e valorização de agentes reduziram letalidade em operações e combateram facções como o Comando Vermelho. Em 2025, o estado registrou bloqueios de contas criminosas e operações recordes, consolidando a imagem de Castro como gestor firme na segurança.

Sucessão incomum no Rio

Com a renúncia, e considerando que o vice Thiago Pampolha assumiu cargo no TCE-RJ em 2025 e o presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União Brasil), está afastado por ordem do STF desde dezembro de 2025 – devido a suspeitas de obstrução de justiça e ligações com investigados –, o comando passa ao presidente do Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ), desembargador Ricardo Couto.

Couto assume interinamente e deve convocar, em até 48 horas, eleição indireta na Alerj para escolher governador tampão até dezembro de 2026. Os 70 deputados estaduais votarão em até 30 dias, em sessão prevista para abril. Nomes cotados incluem aliados da direita e centro, em meio a articulações políticas intensas.

  • Convocação da eleição: até 25 de março.
  • Votação indireta: em até 30 dias após convocação.
  • Mandato tampão: até posse do eleito em 2027.
  • Responsável pela organização: Alerj, sob Couto.

Rumo ao Senado e reações políticas

A saída de Castro é vista como estratégica para disputar vaga ao Senado nas eleições de 2026, preservando sua base no PL. Aliados destacam a preservação de espaço político; adversários, como o prefeito Eduardo Paes (PSD), criticam como manobra para fugir de responsabilização judicial.

O julgamento no TSE prossegue nesta terça (24), com voto do ministro Antônio Carlos Ferreira. Se confirmado o entendimento da relatora, novas eleições diretas para governador poderiam ser convocadas, alterando o calendário. A renúncia evita impacto direto, mas o caso da Cepjer – acusado de desvio para campanha – segue sob escrutínio.

O Rio entra em período de transição delicada, com foco em estabilidade institucional. A eleição indireta testará forças na Alerj, enquanto Castro se reposiciona nacionalmente. O estado, que enfrentou crises fiscais e de segurança, agora busca continuidade nos avanços econômicos e na luta contra o crime.

Impactos para o Rio em 2026

A gestão tampã terá desafios como manter investimentos em segurança, avançar no regime fiscal e preparar para eleições majoritárias em outubro. Pré-candidatos ao governo, como Paes, Douglas Ruas (PL) e outros, já articulam. O vácuo de poder pode influenciar agendas como videomonitoramento e unificação de carreiras policiais.

Analistas apontam que a saída de Castro reforça polarização: de um lado, defesa de resultados concretos em segurança; de outro, questionamentos éticos. O povo fluminense acompanha de perto, priorizando estabilidade em ano eleitoral.

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