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UFRJ terá centro de saúde pública de precisão para diagnóstico e pesquisa de doenças raras no SUS

13 mar 2026 - 07h58 Joice Gomes   atualizado às 08h00
UFRJ terá centro de saúde pública de precisão para diagnóstico e pesquisa de doenças raras no SUS O novo centro de saúde pública de precisão da UFRJ vai ampliar o diagnóstico de doenças raras no SUS e reforçar a pesquisa genética. (Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

A Universidade Federal do Rio de Janeiro vai inaugurar em agosto um novo centro voltado ao atendimento e à pesquisa de doenças raras, com atuação exclusiva para pacientes do Sistema Único de Saúde. A estrutura será instalada no Complexo Hospitalar da UFRJ, dentro do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, e foi apresentada como um passo importante para ampliar o acesso a exames de alta complexidade, hoje ainda concentrados em poucos laboratórios do país.

O projeto recebeu investimento superior a R$ 19 milhões, destinado principalmente à adaptação do espaço e à compra de equipamentos para a realização dos testes. Com isso, a nova unidade passa a integrar a estratégia de expansão da medicina de precisão no atendimento público, em uma área em que o tempo até o diagnóstico ainda é um dos principais entraves para pacientes e famílias.

Neste cenário, o centro de doenças raras da UFRJ surge com função assistencial e científica. Além de atender casos complexos, a unidade também deverá apoiar estudos em genética e medicina de precisão, com impacto potencial sobre o desenvolvimento de novas terapias e formas de acompanhamento clínico.

O que muda com a nova estrutura

O novo serviço foi concebido para realizar exames que normalmente exigem alto nível tecnológico e equipe especializada. Entre eles está o Sequenciamento Completo do Exoma, conhecido pela sigla WES, apontado como o principal teste disponível para investigar doenças raras de origem genética.

Esse exame analisa a parte do DNA em que se concentra a maior parte das mutações associadas a essas enfermidades, a partir de amostras de sangue ou saliva. Como se trata de um procedimento complexo e ainda pouco disseminado, sua incorporação ao cotidiano do SUS depende de centros capacitados, o que reforça a importância do centro de doenças raras para ampliar a oferta e dar mais capilaridade à rede pública.

Além do sequenciamento genético, a unidade também oferecerá exames de biomarcadores, que identificam alterações celulares, bioquímicas ou moleculares relacionadas a determinadas doenças. Na prática, isso pode ajudar médicos a confirmar hipóteses diagnósticas com maior precisão e a organizar intervenções mais adequadas para cada paciente.

  • A unidade atenderá exclusivamente pacientes do SUS.
  • A inauguração está prevista para agosto.
  • Os investimentos superam R$ 19 milhões.
  • Os exames incluem Sequenciamento Completo do Exoma e testes de biomarcadores.

Por que o diagnóstico ainda demora

As doenças raras continuam sendo um desafio para os sistemas de saúde porque afetam um número reduzido de pessoas e, por isso, tendem a ter menos estudos disponíveis e menor familiaridade entre profissionais não especializados. Segundo a definição citada na apresentação da nova unidade, uma doença é considerada rara quando atinge até 65 indivíduos a cada 100 mil pessoas.

O Ministério da Saúde estima que cerca de 13 milhões de brasileiros convivam com alguma das 7 mil doenças raras catalogadas. Muitas dessas condições podem ser incapacitantes, e boa parte tem origem genética, embora também existam casos associados a agentes infecciosos ou fatores ambientais.

Dentro desse contexto, o centro de doenças raras ganha relevância porque tenta enfrentar uma cadeia de dificuldades que começa na suspeita clínica e termina na confirmação laboratorial. A reportagem informa que o tempo médio para chegar ao diagnóstico no país hoje é de cerca de sete anos, prazo que o SUS espera reduzir para seis meses com a ampliação da oferta de exames especializados.

Esse intervalo prolongado costuma trazer efeitos práticos importantes. Sem um diagnóstico fechado, o paciente pode passar por diferentes consultas, repetir exames, iniciar condutas imprecisas e adiar tratamentos que poderiam melhorar sintomas, retardar a progressão da doença ou ampliar a qualidade de vida.

Impacto para pacientes e pesquisas

A criação do centro de doenças raras também importa porque conecta assistência, pesquisa e inovação em um mesmo espaço. De acordo com a chefia da área de gestão da pesquisa e inovação tecnológica do complexo hospitalar, a estrutura deve permitir diagnóstico mais precoce, melhor acompanhamento e avanço no desenvolvimento de novas terapias.

Esse modelo tende a beneficiar especialmente pacientes com quadros pouco descritos pela ciência ou de difícil identificação na rotina clínica. Quando o serviço reúne exames sofisticados, capacidade de investigação e produção de conhecimento, cresce a possibilidade de transformar casos isolados em evidências úteis para orientar condutas futuras.

Outro efeito esperado está na organização da própria rede pública. Hoje, segundo a reportagem, apenas um laboratório processa no SUS as amostras coletadas em vários estados, enquanto outro deve começar a prestar o serviço a partir de maio, o que mostra como a infraestrutura ainda é limitada diante da demanda nacional.

  • O novo centro deve contribuir para diagnósticos mais precoces.
  • A estrutura poderá ampliar pesquisas em genética e medicina de precisão.
  • O objetivo inclui melhorar o acompanhamento clínico e apoiar novas estratégias terapêuticas.

O que pode acontecer a partir de agora

Com a inauguração prevista para agosto, a expectativa é que o centro de doenças raras comece a reduzir gargalos no acesso a testes avançados dentro do SUS. O impacto mais imediato deve aparecer na confirmação diagnóstica de casos complexos, etapa decisiva para definir condutas e orientar famílias sobre a evolução das doenças.

No médio prazo, a nova unidade pode reforçar uma tendência mais ampla de incorporação da medicina de precisão à saúde pública. Isso inclui não apenas exames genéticos e biomarcadores, mas também a construção de protocolos mais refinados de acompanhamento para doenças raras e até para câncer, área também citada entre os focos de expansão da estrutura.

Ao concentrar capacidade técnica, equipamentos e produção científica, o centro de doenças raras da UFRJ tende a se tornar uma referência para uma demanda historicamente reprimida. Em um campo marcado por demora no diagnóstico, pouca oferta de exames e conhecimento ainda em construção, a abertura da unidade representa uma resposta concreta a uma necessidade antiga da saúde pública.

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