Tragédia

NAUFRÁGIO NA GUIANA FRANCESA: HÁ PELO MENOS 19 DESAPARECIDOS

Após 11 dias do naufrágio de uma canoa no Oceano Atlântico, na costa da Guiana Francesa, ainda são pelo menos 19 brasileiros… [ ]

8 de setembro de 2021

Após 11 dias do naufrágio de uma canoa no Oceano Atlântico, na costa da Guiana Francesa, ainda são pelo menos 19 brasileiros desaparecidos, de acordo com relatos de sobreviventes à polícia francesa que, até o momento, resgatou 4 tripulantes e 1 corpo ainda não identificado em alto mar.

A embarcação partiu de Oiapoque, no extremo Norte do Amapá, com destino ao departamento francês. Todos viajaram em busca de trabalho e melhores condições de vida, mas, desde o naufrágio, segue o drama de familiares em busca de respostas.

Parentes reclamam de falta de informações que ajudem a localizá-las. Ainda não há uma lista oficial de mortos ou desaparecidos da viagem.

Carlos Adriano Almeida, de 22 anos, viajava com a esposa Karine Oliveira Soares, de 18 anos, antes do naufrágio na Guiana Francesa - à esquerda, foto enviada por Karine para a família de dentro da embarcação — Foto: Arquivo Pessoal

Carlos Adriano Almeida, de 22 anos, viajava com a esposa Karine Oliveira Soares, de 18 anos, antes do naufrágio na Guiana Francesa – à esquerda, foto enviada por Karine para a família de dentro da embarcação — Foto: Arquivo Pessoal

Carlos Adriano Almeida, de 22 anos, viajava com a esposa Karine Oliveira Soares, de 18 anos. Na embarcação também estavam a mãe dela, Geane Oliveira, de 43 anos, e a irmã dela, Géssica Oliveira Soares, de 22 anos. A família diz que eles saíram em julho do Maranhão com a intenção de trabalhar num garimpo na região de fronteira.

“Eu estou desesperada, quero notícias do meu filho. Eu não quero que o pior tenha acontecido, mas faço um apelo para que nos informem o que aconteceu. Ele fez essa viagem contra a minha vontade. Eu nunca quis que meu filho fosse pra esse lugar distante, perigoso. […] Tem muitas fake news. Isso vai acabando com a gente, a falta de notícias. Eu peço ajuda para ter uma solução, uma resposta sobre eles”, falou a mãe de Adriano, Jonilde Almeida, de 43 anos.

Geane Oliveira, de 43 anos (à esq.), e a filha, Géssica Oliveira Soares, de 22 anos (à dir.), estão entre os desaparecidos do naufrágio na costa da Guiana Francesa — Foto: Arquivo Pessoal

Geane Oliveira, de 43 anos (à esq.), e a filha, Géssica Oliveira Soares, de 22 anos (à dir.), estão entre os desaparecidos do naufrágio na costa da Guiana Francesa — Foto: Arquivo Pessoal

Os familiares dos desaparecidos que moram em outro estado contam com ajuda de conhecidos e amigos de quem viajou na canoa. É o caso de Márcia Santos, de 33 anos, que mora no Amazonas e perdeu contato com a mãe.

“Nós ficamos sabendo só no sábado (4) do que aconteceu. Amigos da minha mãe entraram em contato com a minha irmã falando que uma sobrevivente disse ter visto minha mãe sendo levada pela água. Ela contou que teve superlotação, que o mar estava muito agitado e a canoa virou, teve muito desespero. Quem está mantendo a gente informada mesmo são os próprios parentes e amigos que estão buscando lá”, relatou Márcia.

Maria da Conceição Silva Santos, conhecida como Silvia, de 58 anos, sumiu após naufrágio na costa da Guiana Francesa — Foto: Arquivo Pessoal

Maria da Conceição Silva Santos, conhecida como Silvia, de 58 anos, sumiu após naufrágio na costa da Guiana Francesa — Foto: Arquivo Pessoal

Maria da Conceição Silva Santos, conhecida como Silvia, de 58 anos, nasceu no Maranhão mas vivia com a família em Roraima antes de morar por temporadas no Suriname. Ela viaja há mais de 20 anos pela região para trabalhar em garimpos. O último contato com a família ela teve em Manaus, em 26 de agosto, 2 dias antes do embarque em Oiapoque.

“Ela começou indo para o Suriname, passava 3, 4 anos, voltava ficava um ano com a família, e ia de novo. Dessa vez uma amiga convidou para ir para um garimpo novo, numa rota nova. […] Me sinto impotente porque não sei se minha mãe tá viva, se morreu. A gente não consegue confirmação, não pode se sentir aliviada, mas também não pode viver o luto. Estamos vivendo dias angustiantes”, disse.

Ambas as famílias ainda não sabem o que fazer para achar os desaparecidos. Na terça-feira (7), a Polícia Federal (PF) informou que abriu investigação sobre o caso e convocou parentes para coleta de material genético, que será encaminhado para a Guiana Francesa para exames de DNA. De acordo com o governo francês, as buscas localizaram, até quarta-feira (1º), quatro pessoas com vida e um corpo sem identificação.

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