Polêmicas

QUAL O MOTIVO DA OBSESSÃO DE BOLSONARO POR CLOROQUINA?

Nelson Teich é o segundo ministro da saúde que cai por não aceitar mudar o protocolo de orientação do Ministério… [ ]

16 de maio de 2020

Nelson Teich é o segundo ministro da saúde que cai por não aceitar mudar o protocolo de orientação do Ministério da Saúde para uso da cloroquina no tratamento da covid-19. Parece uma loucura o presidente que não entende nada de saúde nem de economia (esta assumida por ele) insistir com tanta veemência no uso desse medicamento, ao invés de deixar esta discussão para a classe médica e os especialistas. Por quê?

A primeira possibilidade seria financeira. O medicamento composto por hidroxicloroquina é fabricado no Brasil pela Apsen, que registrou lucro de R$ 696 milhões em 2018. O presidente da empresa, Renato Spallicci, faz apaixonada defesa de Jair Bolsonaro, e críticas ao PT em suas redes sociais abertas. Estaria Bolsonaro em conluio para lucrar milhões com a venda do medicamento? Esta é apenas uma teoria.

Mas a questão pode ser mais prática do ponto de vista político. A certeza de que existe uma solução fácil para um problema complexo ajuda a criar clima para o discurso de que existe uma histeria em torno do coronavírus. Da  uma explicação simples à pandemia alimenta o discurso de que tudo é uma conspiração contra ele e o seu governo e dá força de reação com este discurso para seus adoradores nas redes sociais: “Chega de isolamento! basta usar cloroquina”.

O presidente cita que o Conselho Federal de Medicina autorizou o uso da cloroquina. O pneumologista do Sírio-Libanês afirma que essa interpretação é equivocada. “A autorização significa que um médico não será processado se usá-lo em um paciente, não será acusado de cometer má prática médica. O que é bem diferente de indicar o uso, o que depende de estudos científicos”, afirma.

O remédio é utilizado de acordo com a avaliação de cada médico, inclusive aqui no Maranhão. Um estudo preliminar da Fiocruz e da Fundação de Medicina Tropical mostrou que a taxa de mortalidade de pacientes que usaram a cloroquina é semelhante à de pacientes que não usaram o remédio. Dos 81 pacientes que usaram o medicamento, 11% morreram. A taxa de mortalidade de pacientes em iguais condições que não usaram a droga é de 18%, segundo estudos internacionais, inclusive da China.

0 Comentários

Deixe o seu comentário!