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Edição de 23 de outubro de 2026

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UMA VITRINE PARA MARCAS NO MUNDO TODO O crescimento da Fórmula 1 como plataforma de branding também aparece no volume de investimentos que orbitam o campeonato. Estima-se que as equipes e a própria organização movimentem bilhões de dólares por temporada em contratos de patrocínio, licenciamento e direitos de mídia. Entre as empresas presentes no paddock estão gigantes como Rolex, DHL, Aramco, Lenovo, Salesforce e TAG Heuer, que utilizam o esporte para associar suas identidades a conceitos como tecnologia, velocidade e inovação. Para as companhias, o retorno acontece em diferentes frentes. “A primeira é o alcance internacional qualificado. A segunda é a associação simbólica com valores como tecnologia e inovação. E a terceira é a ativação comercial, já que a Fórmula 1 também se tornou um espaço relevante de relacionamento com clientes estratégicos.”, explica Kanter. Esse cenário ajuda a explicar por que montadoras e empresas de tecnologia continuam se aproximando da Fórmula 1. A Audi, por exemplo, confirmou sua entrada no grid como parte de sua estratégia de posicionamento ligada à mobilidade do futuro e à inovação tecnológica. Segundo a montadora, a participação no campeonato faz parte de um reposicionamento da indústria automotiva diante da transição energética. A introdução de novos regulamentos para motores híbridos neste ano tornou o esporte ainda mais relevante como plataforma de desenvolvimento tecnológico e transferência de conhecimento para veículos de produção. “O automobilismo é parte essencial do DNA da Audi. A Fórmula 1 é ao mesmo tempo uma vitrine internacional para a marca e um laboratório extremamente desafiador de desenvolvimento”, afirmou Markus Duesmann, então CEO da Audi, no anúncio da entrada da empresa no grid.

“A COMPETIÇÃO REPRESENTA ATRIBUTOS EXTREMAMENTE VALORIZADOS PELAS EMPRESAS: ALTA PERFORMANCE, ENGENHARIA DE PONTA, INOVAÇÃO TECNOLÓGICA E PRECISÃO OPERACIONAL.”, ROBERTO KANTER, PROFESSOR DA FGV

Kimi Antonelli e George Russell, pilotos da Mercedes-AMG PETRONAS F1 Team

Foto: Divulgação

entretenimento e tecnologia. Para as empresas, isso altera profundamente a lógica do investimento. O patrocínio deixa de ser apenas exposição e passa a integrar uma estratégia mais ampla de posicionamento.” Segundo ele, existe também um componente simbólico que explica o interesse crescente das companhias. “A competição representa atributos extremamente valorizados pelas empresas: alta performance, engenharia de ponta, inovação tecnológica e precisão operacional. Organizações que desejam comunicar esses valores encontram nesse ambiente um espaço altamente coerente para construir reputação.”

Foto: Divulgação

A

relação entre o Brasil e a Fórmula 1 nunca foi apenas esportiva. Para uma geração inteira, as manhãs de domingo eram marcadas por motores acelerando, bandeiras quadriculadas e um nome que atravessou o tempo: Ayrton Senna. Mesmo décadas depois, o campeonato continua ocupando um lugar especial na cultura esportiva brasileira — uma combinação rara de paixão popular, tecnologia de ponta e espetáculo internacional. Essa conexão emocional ajuda a explicar por que o esporte segue atraindo grandes investimentos e empresas de diferentes setores. Hoje, mais do que um campeonato automobilístico, a Fórmula 1 se consolidou como uma poderosa plataforma de posicionamento para companhias de tecnologia, mobilidade, finanças e energia. Os números ajudam a dimensionar essa força. Segundo dados divulgados pela própria Fórmula 1 e pela Formula One Management, responsável pela gestão comercial da competição, o esporte alcança cerca de 1,5 bilhão de telespectadores acumulados por temporada, com transmissões para mais de 200 territórios e presença em mais de 20 países no calendário anual. A modalidade também reúne uma base estimada de 445 milhões de fãs em todo o mundo, de acordo com dados divulgados pela Liberty Media, grupo que controla os direitos comerciais da competição. Ao mesmo tempo, o campeonato vive uma fase de expansão entre públicos mais jovens, impulsionada por estratégias digitais e produções audiovisuais que ampliaram o alcance do esporte para além das pistas. A série Drive to Survive, da Netflix, tornou-se um dos exemplos mais visíveis desse movimento ao revelar bastidores das equipes e rivalidades entre pilotos. Essa aproximação com o entretenimento ganhou ainda mais força com o lançamento de “F1: O Filme”, produção estrelada por Brad Pitt, com participação direta da organização da Fórmula 1 e produção do piloto Lewis Hamilton. O projeto, que conquistou o Oscar de “Melhor Som”, foi filmado durante etapas reais do campeonato e integrado à estrutura das corridas. Tudo isso reforça como o esporte passou a ocupar também espaço na indústria cultural e no audiovisual, ampliando sua presença junto ao público e ao mercado publicitário. Para Roberto Kanter, professor da FGV, esse crescimento está diretamente ligado à transformação da Fórmula 1 em um ecossistema de mídia e entretenimento. “A Fórmula 1 deixou de ser apenas um campeonato esportivo e passou a operar como um sistema internacional de mídia,