São Paulo | 21ºC
Seg, 20 de Abril
Busca
Proteção Animal

Lei Lili passa a exigir coleira e guia para cães de qualquer porte em ruas, parques e praças

15 mar 2026 - 09h18 Joice Gomes   atualizado às 09h23
Lei Lili passa a exigir coleira e guia para cães de qualquer porte em ruas, parques e praças O prefeito Eduardo Pimentel sancionou lei que regulamenta a condução responsável de cães em espaços públicos, durante o evento Amigo Bicho, no Parque Barigui. (Imagem: Hully Paiva/SECOM)

Curitiba oficializou uma nova regra para a circulação de cães em espaços públicos. Sancionada no sábado, 14 de março de 2026, a chamada Lei Lili determina que animais de qualquer porte sejam conduzidos com coleira e guia em ruas, parques e praças da capital paranaense, estabelecendo um novo padrão de responsabilidade para tutores em áreas de convivência coletiva.

A medida foi assinada pelo prefeito Eduardo Pimentel durante a quarta edição de 2026 do evento Amigo Bicho, realizado no Parque Barigui, dentro da programação de aniversário de 333 anos de Curitiba. No mesmo evento, a prefeitura também reuniu interessados na adoção de cães resgatados pelo poder público, reforçando o vínculo entre a nova legislação e a política municipal de proteção animal.

O que muda com a nova lei

A legislação, identificada no texto oficial como número 005.00647.2025, passa a exigir coleira e guia para cães de qualquer porte em espaços públicos. Para animais com mais de 20 quilos, a norma acrescenta a obrigatoriedade de contenção reforçada, com guia curta e resistente, enquanto raças consideradas de maior potencial de dano deverão usar também focinheira.

Na prática, a lei amplia regras que antes eram mais associadas a cães de grande porte ou de raças específicas e estende a exigência de controle a todos os animais levados para circulação em locais públicos. A mudança tende a impactar a rotina de tutores, principalmente em parques e praças, onde a presença de cães soltos costuma gerar conflitos, riscos de fuga, acidentes e ataques a outros animais.

O texto divulgado pela prefeitura informa ainda que a nova regra começará a valer 99 dias após a publicação no Diário Oficial. Esse intervalo funciona como prazo de adaptação para que os tutores se adequem às exigências e para que a administração municipal organize a aplicação da norma.

Origem da Lei Lili

A criação da lei foi motivada pela morte da cachorrinha Lili, em setembro de 2025, após um ataque de outros cães no Parque Barigui. O caso provocou forte comoção e passou a simbolizar a discussão sobre segurança na convivência entre animais em áreas públicas da cidade.

Lili pertencia à tutora Juliana Laux, cuja história acabou dando nome à nova legislação. De acordo com as informações da prefeitura, o episódio inspirou a proposta apresentada pelo vereador Jasson Goulart, com coautoria das vereadoras Andressa Bianchessi, Meri Martins e Rafaela Lupion, que acompanharam a sanção da norma.

A adoção do nome da cadela no texto legal dá ao episódio um peso simbólico importante. Além de transformar um caso de dor em referência para uma política pública, a medida também procura responder a uma demanda social por regras mais claras sobre a condução de cães em ambientes compartilhados.

Segurança e convivência urbana

Ao justificar a atualização da legislação, o prefeito afirmou que a proposta busca ampliar a segurança e incentivar práticas responsáveis na guarda de animais. A sinalização da prefeitura é de que a norma pretende proteger tanto os próprios cães quanto as pessoas e outros animais que frequentam espaços abertos da cidade.

Esse tipo de medida ganha relevância em centros urbanos onde parques e praças concentram circulação intensa de famílias, idosos, crianças, corredores, ciclistas e tutores com pets. Quando não há contenção adequada, situações rotineiras podem se transformar rapidamente em ocorrências mais graves, envolvendo brigas entre cães, atropelamentos, fugas e ferimentos.

A nova legislação também se insere em um movimento mais amplo de valorização da guarda responsável. O conceito envolve não apenas alimentação, vacinação e cuidados veterinários, mas também a condução correta do animal em áreas públicas, com atenção ao comportamento, ao porte e ao potencial de risco em ambientes coletivos.

Adoção e ações paralelas

O evento em que a lei foi sancionada também teve foco na adoção responsável. Ao longo do dia, 40 cães acolhidos pelo poder público municipal e por protetores independentes foram apresentados para adoção, todos já castrados, vacinados e identificados com microchip, o que ajuda no controle sanitário e na localização em caso de desaparecimento.

A programação incluiu ainda microchipagem gratuita para cães e gatos de moradores da cidade, mediante cadastro prévio na Rede de Proteção Animal e atendimento por ordem de chegada. Segundo a prefeitura, o procedimento consiste na aplicação de um pequeno dispositivo sob a pele, usado como identificação permanente do animal.

O evento também marcou a retomada da parceria com a empresa Adimax para as ações do Amigo Bicho no Barigui ao longo de 2026. Entre as iniciativas previstas está a doação de 15 toneladas de ração para o Banco de Ração para Animais, além do fortalecimento do projeto EduCão, desenvolvido com jovens do Centro de Socioeducação de Curitiba em atividades de socialização e treinamento de cães acolhidos.

  • A Lei Lili obriga coleira e guia para cães de qualquer porte em ruas, praças e parques de Curitiba.
  • Cães com mais de 20 quilos deverão usar guia curta e resistente.
  • Raças consideradas de maior potencial de dano terão uso obrigatório de focinheira.
  • A norma entra em vigor 99 dias após a publicação no Diário Oficial.
  • A lei foi inspirada na morte da cadela Lili após ataque ocorrido no Parque Barigui, em setembro de 2025.
  • No evento de sanção, 40 cães resgatados foram disponibilizados para adoção.

A sanção da Lei Lili reforça a tendência de tratar a proteção animal como parte da organização urbana e da segurança coletiva. Mais do que criar uma obrigação formal, a nova regra procura redefinir a relação entre tutores, animais e espaço público, em uma cidade onde a convivência entre pets e população se tornou tema cada vez mais presente na agenda pública.

Leia Também
Bactéria da escarlatina em múmia muda história das doenças na América
Escarlatina Bactéria da escarlatina em múmia muda história das doenças na América
Pacote com 20 tarântulas causa alerta em trem na Alemanha após ser esquecido por passageira
Curiosidades Pacote com 20 tarântulas causa alerta em trem na Alemanha após ser esquecido por passageira
Submarino chinês de 4.000 metros promete levar bilionários à última fronteira da Terra
Turismo de ultraluxo Submarino chinês de 4.000 metros promete levar bilionários à última fronteira da Terra
Maresia: como proteger eletrônicos e móveis da corrosão no litoral
Inimiga silenciosa Maresia: como proteger eletrônicos e móveis da corrosão no litoral
Mar de 'sangue' no Litoral Norte: entenda o fenômeno e os riscos reais para banhistas
Fenômeno biológico Mar de 'sangue' no Litoral Norte: entenda o fenômeno e os riscos reais para banhistas
Além do encanto: o segredo vital por trás das lontras que dormem de mãos dadas
Curiosidades Além do encanto: o segredo vital por trás das lontras que dormem de mãos dadas
Artemis II e o mistério do lado oculto da Lua: 5 filmes que anteciparam o que os astronautas veem hoje
Lado oculto da Lua Artemis II e o mistério do lado oculto da Lua: 5 filmes que anteciparam o que os astronautas veem hoje
Artemis 2 quebra recorde histórico e se torna a missão humana mais distante da Terra
Nasa Artemis 2 quebra recorde histórico e se torna a missão humana mais distante da Terra
Stonehenge das Américas: O segredo do calendário de 2 mil anos no Peru
Chankillo Stonehenge das Américas: O segredo do calendário de 2 mil anos no Peru
A Atlântida brasileira: a ilha submersa que o Brasil disputa na ONU
Curiosidades A Atlântida brasileira: a ilha submersa que o Brasil disputa na ONU
Mais Lidas
São Sebastião assume gestão das praias e projeta novo modelo para a orla
Projeto Orla São Sebastião assume gestão das praias e projeta novo modelo para a orla
Banco do Brasil prorroga renegociação de dívidas até 30 de abril
Economia Banco do Brasil prorroga renegociação de dívidas até 30 de abril
Cinema na Baixada Santista: confira os destaques para curtir em família nesta Páscoa
Cinema Cinema na Baixada Santista: confira os destaques para curtir em família nesta Páscoa
Auto da Paixão de Cristo nos Arcos da Lapa: Caio Blat e Vanessa Gerbelli protagonizam 48ª edição
Cotidiano Auto da Paixão de Cristo nos Arcos da Lapa: Caio Blat e Vanessa Gerbelli protagonizam 48ª edição