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Edição de 23 de outubro de 2026

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Revista Pág. 45 · 23 out 2026

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para o ouvinte. Hoje recebemos muitos pedidos e escolhemos com carinho. O JJ Podcast virou uma BU própria, que gera múltiplos milhões de reais por ano — direto e indireto, com um ecossistema por trás.

efe. - Você citou o “Jverso”. O que é isso, exatamente? JJ - A Jota virou um ecossistema: tem JLab (espaço de evento), JJ Podcast (canal de conteúdo), o Joel Jota (eu), e a Jota Company, que é a holding que cuida das empresas. Tem também a Jota Studios, que aluga estrutura de podcast. O Jverso são todos os negócios que eu faço utilizando o Joel Jota como ímã. Eu invisto em empresas via mídia for equity, eu sou embaixador em empresas, eu tenho participação. Diferente de empresas que descentralizam o fundador, eu centralizei: eu me tornei um ativo. Antes, eu gerava um negócio que não se sustentava sem mim. Hoje, eu também ajudo a fortalecer negócios que existem e que seguem sem depender da minha influência.

efe. - Como você concilia tantas frentes — empresa, rotina e família? JJ - Eu e a Larissa temos uma vida de acordos. Eu levo as crianças na escola, ela busca. Final de semana eu não trabalho — se eu fizer algo, é porque eu quis. Uma vez por semana temos a “quarta do chamego”, para falar da vida e dos projetos. Não tem tela para as crianças, não tem celular na mesa. Duas ou três vezes por semana eu coloco os meninos para dormir. E os acordos são renovados sempre.

efe. - Seus filhos são pequenos, né? JJ - Sim. O João tem seis, o Joaquim tem quatro e o Pedro tem um ano e três meses.

efe. - Você contou um episódio recente com o Joaquim que ilustra bem isso. O que aconteceu? JJ - O Joaquim ficou teimoso na hora de ir para a escola. Ele dizia: “Eu não vou.” Eu falei: “Grita. Pode gritar. Põe para fora. Mas você vai para a escola.” Ele esperneou, entrou no carro bravo, ficou quieto no caminho. Quando chegamos, ele entrou na escola sozinho. Não avisou, não deu tchau. Depois eu falei: “Tchau, Joaquim.”. Eu entendi ali que ele estava querendo experimentar autonomia, a sensação de que consegue também. É o jeito dele extravasar. Disciplina não é anular a emoção. É dar direção.

efe. - A frase “saúde, família, trabalho. Não inverta a ordem” é um eixo do seu conteúdo. De onde vem isso? JJ - É filosofia de vida. Eu enterrei meu pai cedo: ele tinha 62 anos e abusou muito da saúde, teve falência múltipla dos órgãos. Eu pensei: “inverteu a ordem”. Então eu decidi

que, se depender de mim, eu não vou inverter. Ao mesmo tempo, eu entendo que tem momentos em que as pessoas invertem — eu já inverti. Eu só sugiro que coloquem prazo, porque senão a médio prazo você se arrepende.

efe. - O que é a Mentoring League Society e por que você chama de seu maior negócio? JJ - É uma empresa de educação empresarial. A tese é que existem educação formal, educação livre e educação empresarial — e empresário aprende com outro empresário. A gente pega empresários bem-sucedidos e ensina a abrirem um braço educacional na empresa para ensinar o mercado. Hoje nós somos 160 clubes de mentoria high ticket, com 9.500 clientes que pagam em média 107 mil reais por ano — com mentorias de 60 mil até 3 milhões por ano. Ano passado, esse conglomerado fez 650 milhões; este ano deve fazer 1,3 bilhão. Estamos abrindo na Europa e nos Estados Unidos. É uma empresa criada por mim, Flávio Augusto e Caio Carneiro; em março, faz dois anos. Quando eu digo “maior”, é em resultado, valuation, escala, visão e alcance.

efe. - Entre tantos projetos, qual é o seu “queridinho”? JJ - É difícil escolher, porque cada um marcou uma fase diferente da minha vida. A turnê do “100%” é muito querida. Eu rodei 19 cidades, fiz 21 shows. Foi uma experiência muito forte. O “Hora H”, em Santos, quando eu coloquei 2.000 pessoas no mar fazendo uma dinâmica, também é um queridinho. Tem foto disso. Foi simbólico demais. O Guinness do ano passado é um queridaço. É uma coisa que fica para sempre. A turnê da Trinca, que a gente fez duas vezes, também foi muito especial. O evento no Allianz Parque, em 2020, na pandemia, também foi muito marcante. E tem o meu primeiro livro best-seller, “100%”. Esse é muito querido. Foi um marco. Um livro que vendeu milhões de cópias. Foi um projeto maravilhoso na minha vida. São muitos queridinhos. Muitos queridões. Cada um representa uma virada, um momento de expansão.

efe. - E qual foi a decisão mais desafiadora — a que mais te deu medo? JJ - Foi pedir demissão do Instituto Neymar Jr. em 2018. Eu adorava o lugar, o que fazia, com quem trabalhava. Eu tinha apoio, salário bom, respeito, admiração, confiança. Sair foi difícil porque eu não tinha certeza. Levei oito meses para decidir. Mudou minha vida toda. Eu cheguei a falar que ia sair e me deram tempo, e eu não consegui sair de primeira. Fiquei mais uns meses, mas dentro de mim não estava certo: o corpo num lugar e a mente em outro. Aí eu saí.

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“PEDIR DEMISSÃO DO INSTITUTO NEYMAR JR. FOI A DECISÃO MAIS DIFÍCIL DA MINHA VIDA. EU ADORAVA O LUGAR, O QUE FAZIA, COM QUEM TRABALHAVA. EU TINHA APOIO, SALÁRIO BOM, RESPEITO, ADMIRAÇÃO, CONFIANÇA. MAS FOI ISSO QUE MUDOU MINHA VIDA TODA”

Na página ao lado, Joel em seu escritório em Alphaville. Ao lado, um dos seus livros; abaixo, com a família