A Operação Vassalos da PF combate fraudes em licitações financiadas por emendas parlamentares, com buscas em Pernambuco, Bahia, SP, GO e DF.
(Imagem: Polícia Federal/divulgação)
A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (25) a Operação Vassalos, com o objetivo de desmantelar uma organização criminosa acusada de fraudar licitações públicas financiadas por emendas parlamentares. A investigação revela um esquema sofisticado de desvio de recursos públicos, que prejudica diretamente investimentos em áreas essenciais como saúde e infraestrutura.
Os agentes federais cumprem 42 mandados de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em endereços nos estados de Pernambuco, Bahia, São Paulo, Goiás e no Distrito Federal. A operação, autorizada pelo ministro Flávio Dino, busca coletar provas concretas sobre os crimes praticados.
Detalhes da Operação Vassalos
A Operação Vassalos apura práticas como a frustração do caráter competitivo de licitações, fraude em contratos administrativos, peculato, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e associação criminosa. Segundo a PF, os investigados formavam uma rede entre agentes públicos e privados para direcionar processos licitatórios a empresas ligadas ao grupo.
Os recursos desviados, oriundos de emendas parlamentares, eram usados para pagamentos de propinas e ocultação de patrimônio. Essa mecânica permitia que obras ou serviços superfaturados ou fictícios gerassem lucros ilícitos, enquanto o erário público arcava com as perdas.
- 42 mandados de busca e apreensão em cinco unidades da federação.
- Crimes incluem fraude em licitação, peculato e organização criminosa.
- Direcionamento de licitações para empresas controladas pelo grupo.
- Uso de emendas parlamentares como fonte principal dos desvios.
Principais alvos e conexões políticas
Entre os investigados destacam-se o ex-senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), o deputado federal Fernando Coelho Filho (União Brasil-PE) e o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho (União Brasil-PE). A família Coelho, com forte influência política em Pernambuco, é apontada como peça central no esquema de Operação Vassalos.
Fernando Bezerra Coelho ocupou cargos como ministro da Integração Nacional no governo Dilma Rousseff e líder do governo Bolsonaro no Senado. Seus filhos, também políticos, teriam atuado na articulação para direcionar verbas de emendas. A PF ainda não divulgou o total de alvos, mas a operação atinge figuras de peso no cenário nacional.
O envolvimento de emendas parlamentares reforça a relevância da Operação Vassalos, pois esses recursos são destinados a atender demandas locais, como construção de escolas e postos de saúde, e seu desvio impacta diretamente a população.
Crimes e mecanismos do esquema
O grupo criminoso frustrava a concorrência em licitações públicas ao manipular editais e favorecer empresas específicas vinculadas aos investigados. Após a adjudicação dos contratos, parte dos valores pagos pelo governo era devolvida como propina ou desviada para contas ocultas, configurando lavagem de dinheiro.
A PF identificou que os desvios envolviam emendas impositivas, que parlamentares destinam a municípios ou entidades. Essa prática compromete a transparência e a eficiência na aplicação de verbas federais, gerando prejuízos estimados em milhões de reais aos cofres públicos.
- Manipulação de editais para excluir concorrentes reais.
- Contratos superfaturados ou com serviços não executados.
- Pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos.
- Ocultação de bens via empresas de fachada.
Impactos nos recursos públicos e na sociedade
A Operação Vassalos expõe vulnerabilidades no sistema de emendas parlamentares, criado para democratizar investimentos, mas suscetível a abusos. Os desvios reduzem a capacidade do Estado de prover serviços essenciais, afetando comunidades que dependem de obras financiadas por esses recursos.
Especialistas em direito público destacam que ações como essa reforçam o combate à corrupção sistêmica no Brasil. A operação pode resultar em indiciamentos e ações de improbidade, com recuperação de valores desviados via medidas como bloqueio de bens.
Os prejuízos vão além do financeiro: a confiança pública nas instituições é abalada quando políticos usam verbas destinadas ao bem comum para fins pessoais. Isso perpetua desigualdades regionais, especialmente em estados como Pernambuco, onde as emendas são cruciais para o desenvolvimento.
Próximos passos e desdobramentos esperados
Com as buscas em andamento, a PF analisa documentos, computadores e dispositivos apreendidos para mapear a extensão da rede criminosa. Delações ou colaborações premiadas podem acelerar as investigações, levando a prisões preventivas ou afastamentos de funções públicas.
O Ministério Público Federal (MPF) deve pedir o aprofundamento das provas no STF, possivelmente convertendo as buscas em processos judiciais. A Operação Vassalos integra uma série de ações recentes contra desvios em emendas, sinalizando maior escrutínio sobre o mecanismo.
Para o futuro, espera-se maior rigidez em controles sobre licitações envolvendo emendas, como auditorias prévias e plataformas digitais de transparência. A sociedade cobra punições exemplares para inibir práticas semelhantes e restaurar a lisura na gestão pública.
A deflagração da operação reforça o papel da PF no enfrentamento à corrupção, com impactos que transcendem os investigados individuais, promovendo debates sobre reforma no sistema de emendas parlamentares.