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PF deflagra Operação Vassalos contra fraudes em licitações com emendas parlamentares em cinco estados

25 fev 2026 - 10h32 Joice Gomes   atualizado às 10h34
PF deflagra Operação Vassalos contra fraudes em licitações com emendas parlamentares em cinco estados A Operação Vassalos da PF combate fraudes em licitações financiadas por emendas parlamentares, com buscas em Pernambuco, Bahia, SP, GO e DF. (Imagem: Polícia Federal/divulgação)

A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (25) a Operação Vassalos, com o objetivo de desmantelar uma organização criminosa acusada de fraudar licitações públicas financiadas por emendas parlamentares. A investigação revela um esquema sofisticado de desvio de recursos públicos, que prejudica diretamente investimentos em áreas essenciais como saúde e infraestrutura.

Os agentes federais cumprem 42 mandados de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em endereços nos estados de Pernambuco, Bahia, São Paulo, Goiás e no Distrito Federal. A operação, autorizada pelo ministro Flávio Dino, busca coletar provas concretas sobre os crimes praticados.

Detalhes da Operação Vassalos

A Operação Vassalos apura práticas como a frustração do caráter competitivo de licitações, fraude em contratos administrativos, peculato, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e associação criminosa. Segundo a PF, os investigados formavam uma rede entre agentes públicos e privados para direcionar processos licitatórios a empresas ligadas ao grupo.

Os recursos desviados, oriundos de emendas parlamentares, eram usados para pagamentos de propinas e ocultação de patrimônio. Essa mecânica permitia que obras ou serviços superfaturados ou fictícios gerassem lucros ilícitos, enquanto o erário público arcava com as perdas.

  • 42 mandados de busca e apreensão em cinco unidades da federação.
  • Crimes incluem fraude em licitação, peculato e organização criminosa.
  • Direcionamento de licitações para empresas controladas pelo grupo.
  • Uso de emendas parlamentares como fonte principal dos desvios.

Principais alvos e conexões políticas

Entre os investigados destacam-se o ex-senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), o deputado federal Fernando Coelho Filho (União Brasil-PE) e o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho (União Brasil-PE). A família Coelho, com forte influência política em Pernambuco, é apontada como peça central no esquema de Operação Vassalos.

Fernando Bezerra Coelho ocupou cargos como ministro da Integração Nacional no governo Dilma Rousseff e líder do governo Bolsonaro no Senado. Seus filhos, também políticos, teriam atuado na articulação para direcionar verbas de emendas. A PF ainda não divulgou o total de alvos, mas a operação atinge figuras de peso no cenário nacional.

O envolvimento de emendas parlamentares reforça a relevância da Operação Vassalos, pois esses recursos são destinados a atender demandas locais, como construção de escolas e postos de saúde, e seu desvio impacta diretamente a população.

Crimes e mecanismos do esquema

O grupo criminoso frustrava a concorrência em licitações públicas ao manipular editais e favorecer empresas específicas vinculadas aos investigados. Após a adjudicação dos contratos, parte dos valores pagos pelo governo era devolvida como propina ou desviada para contas ocultas, configurando lavagem de dinheiro.

A PF identificou que os desvios envolviam emendas impositivas, que parlamentares destinam a municípios ou entidades. Essa prática compromete a transparência e a eficiência na aplicação de verbas federais, gerando prejuízos estimados em milhões de reais aos cofres públicos.

  • Manipulação de editais para excluir concorrentes reais.
  • Contratos superfaturados ou com serviços não executados.
  • Pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos.
  • Ocultação de bens via empresas de fachada.

Impactos nos recursos públicos e na sociedade

A Operação Vassalos expõe vulnerabilidades no sistema de emendas parlamentares, criado para democratizar investimentos, mas suscetível a abusos. Os desvios reduzem a capacidade do Estado de prover serviços essenciais, afetando comunidades que dependem de obras financiadas por esses recursos.

Especialistas em direito público destacam que ações como essa reforçam o combate à corrupção sistêmica no Brasil. A operação pode resultar em indiciamentos e ações de improbidade, com recuperação de valores desviados via medidas como bloqueio de bens.

Os prejuízos vão além do financeiro: a confiança pública nas instituições é abalada quando políticos usam verbas destinadas ao bem comum para fins pessoais. Isso perpetua desigualdades regionais, especialmente em estados como Pernambuco, onde as emendas são cruciais para o desenvolvimento.

Próximos passos e desdobramentos esperados

Com as buscas em andamento, a PF analisa documentos, computadores e dispositivos apreendidos para mapear a extensão da rede criminosa. Delações ou colaborações premiadas podem acelerar as investigações, levando a prisões preventivas ou afastamentos de funções públicas.

O Ministério Público Federal (MPF) deve pedir o aprofundamento das provas no STF, possivelmente convertendo as buscas em processos judiciais. A Operação Vassalos integra uma série de ações recentes contra desvios em emendas, sinalizando maior escrutínio sobre o mecanismo.

Para o futuro, espera-se maior rigidez em controles sobre licitações envolvendo emendas, como auditorias prévias e plataformas digitais de transparência. A sociedade cobra punições exemplares para inibir práticas semelhantes e restaurar a lisura na gestão pública.

A deflagração da operação reforça o papel da PF no enfrentamento à corrupção, com impactos que transcendem os investigados individuais, promovendo debates sobre reforma no sistema de emendas parlamentares.

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