A Polícia Federal prendeu três policiais civis, incluindo um delegado, acusados de extorquir integrantes do Comando Vermelho no Rio de Janeiro.
(Imagem: PF/Divulgação)
A Operação Anomalia ganhou novo fôlego nesta terça-feira, 10 de março de 2026, com a prisão de três policiais civis do Rio de Janeiro. A ação da Polícia Federal cumpriu mandados expedidos pelo Supremo Tribunal Federal e expôs um esquema de extorsão direcionado a líderes do Comando Vermelho, maior facção criminosa do estado.
Os agentes presos incluem o delegado Marcus Henrique de Oliveira Alves, Franklin José de Oliveira Alves e Leandro Moutinho de Deus. Eles são investigados por usar a estrutura estatal para pressionar traficantes, emitindo intimações falsas em troca de propinas milionárias.
Detalhes da Operação Anomalia
A Operação Anomalia começou na segunda-feira, 9 de março, com a primeira fase que prendeu o delegado da Polícia Federal Fabrizio Romano e o ex-secretário de Esportes Alessandro Pitombeira Carracena. Nesta segunda etapa, cerca de 40 federais atuaram no Rio para desarticular o núcleo de policiais civis e operadores financeiros.
O Supremo Tribunal Federal autorizou não só prisões preventivas e buscas, mas também medidas como afastamento das funções públicas, suspensão de empresas de fachada e bloqueio de contas bancárias e criptoativos. Isso visa descapitalizar o grupo criminoso e impedir sua continuidade.
A investigação integra a Força-Tarefa Missão Redentor II, focada em conexões entre agentes públicos e o crime organizado. Os policiais contavam com intermediários para receber as propinas, mantendo distância física dos alvos no Comando Vermelho.
Modus operandi do esquema
Os policiais emitiam intimações com o único propósito de coagir lideranças do tráfico. Exigiam pagamentos altos para omitir atos de ofício, impondo prazos curtos e cobranças agressivas. Um dos citados, Gabriel Dias de Oliveira, conhecido como Índio do Lixão, já estava preso e servia de alvo para as extorsões.
A inteligência financeira da PF identificou movimentações patrimoniais incompatíveis com os salários dos servidores. Eles usavam empresas registradas em nome de familiares para lavar o dinheiro sujo proveniente das propinas.
- Prisões preventivas de quatro alvos, incluindo três policiais civis
- Três mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro
- Bloqueio de valores em contas e criptomoedas ligadas aos investigados
- Suspensão de atividades empresariais de fachadas usadas no esquema
- Afastamento imediato dos policiais de suas funções públicas
Crimes e impactos investigados
Os envolvidos responderão por organização criminosa, extorsão, corrupção passiva e ativa, além de lavagem de capitais. O esquema compromete a confiança na segurança pública e facilita ações do Comando Vermelho, que domina comunidades no Rio.
A operação destaca a infiltração do crime em instituições estatais, enfraquecendo o combate ao narcotráfico. Movimentações milionárias foram detectadas, provando a sofisticação do grupo em ocultar ganhos ilícitos.
Especialistas apontam que ações como essa são cruciais para restaurar a integridade das forças policiais. A descapitalização impede que os recursos criminosos financiem novas atividades.
Comando Vermelho
O Comando Vermelho expandiu sua influência nacional, mas enfrenta repressão constante no Rio. Prisões recentes de líderes forasteiros mostram o esforço integrado das forças de segurança contra a facção.
A Operação Anomalia reforça a necessidade de vigilância interna nas polícias. Casos de corrupção como esse prolongam a violência em favelas e facilitam o tráfico de drogas e armas.
Próximos passos incluem análise de materiais apreendidos e aprofundamento das investigações financeiras. Autoridades esperam mais prisões para desmantelar toda a rede.
Essa fase da operação envia um recado claro: o uso da autoridade pública para fins criminosos não ficará impune. A sociedade fluminense ganha com a neutralização desses elementos infiltrados.