Polícia Federal atua contra venda ilegal de diesel para garimpos na Terra Indígena Sararé, em Mato Grosso.
(Imagem: Polícia Federal/Divulgação)
A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (24) uma operação para desmantelar uma organização criminosa que fornecia diesel para garimpos ilegais na Terra Indígena Sararé, localizada em Mato Grosso. As ações ocorreram nos municípios de Pontes e Lacerda, Vila Bela da Santíssima Trindade e Aripuanã, com o cumprimento de três mandados de prisão preventiva e buscas e apreensões expedidos pela 2ª Vara Federal de Cáceres.
Durante a operação, os agentes flagraram o armazenamento e a comercialização irregular de óleo diesel em uma fazenda próxima a áreas de extração clandestina. No local, foram apreendidos 15 mil litros do combustível, essencial para o funcionamento de maquinários pesados como escavadeiras e dragas usadas nos garimpos ilegais.
Investigação revela escala do esquema
A apuração começou com fiscalizações da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), apoiadas logisticamente pela PF e pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). Os alvos incluíam postos de abastecimento legalizados em Conquista d’Oeste e Pontes e Lacerda, além de fazendas com reservatórios de combustível.
As investigações apontam que o grupo adquiriu mais de 4 milhões de litros de diesel para garimpos em apenas 21 meses, revendendo o produto para sustentar a cadeia produtiva da mineração ilegal. Essa quantidade massiva evidencia a sofisticação do esquema, que usava propriedades rurais como pontos de distribuição direta para as frentes de trabalho dentro da terra indígena.
- A Terra Indígena Sararé possui cerca de 67 mil hectares no oeste de Mato Grosso.
- Mais de 3 mil hectares já foram devastados por atividades garimpeiras nos últimos três anos.
- Presença estimada de até 2 mil garimpeiros e membros de facções criminosas no território.
Impactos ambientais e sociais na Sararé
A Terra Indígena Sararé lidera o ranking de áreas indígenas mais desmatadas na Amazônia Legal, com crescimento de 729% no desmatamento associado entre 2021 e 2024. O garimpo ilegal é o principal responsável, utilizando equipamentos movidos a diesel que escavam a floresta, poluem rios com mercúrio e destroem a vegetação nativa.
Indígenas da etnia Nambikwara relatam graves consequências sociais, como aumento no consumo de álcool, violência e mortes associadas à chegada de invasores e facções como o Comando Vermelho. A caça tradicional foi afetada, com queda no consumo de proteína animal devido à fuga de animais e destruição de habitats.
Operações anteriores, como a força-tarefa de agosto de 2025, destruíram 150 escavadeiras hidráulicas, causando prejuízos superiores a R$ 226 milhões aos garimpeiros. Ainda assim, o governo federal tem prazo até março de 2026 para apresentar plano de expulsão completa dos invasores.
Por que o combate ao diesel importa
O fornecimento de combustível é o elo vital dos garimpos ilegais, pois sem diesel as máquinas param e as operações colapsam. Ao cortar essa cadeia logística, a PF não só interrompe o fluxo imediato, mas desestrutura financeiramente as redes criminosas que lucram com a extração de ouro.
A ação integrada entre ANP, PF e Funai demonstra a estratégia de fiscalização multifacetada, combinando inteligência policial com controle regulatório. Elementos coletados nas buscas serão analisados para identificar outros envolvidos e aprofundar as provas contra os líderes presos.
- Prisões preventivas visam impedir a continuidade das atividades enquanto durar o processo.
- Apreensões incluem reservatórios de 15 metros cúbicos, ampliando o impacto da operação.
- Investigação pode revelar ligações com outros crimes ambientais na região.
Desafios futuros e perspectivas
Apesar dos avanços, a persistência do diesel para garimpos reflete os desafios no combate ao crime organizado em áreas remotas. A proximidade de fazendas e estradas facilita o acesso, demandando maior presença estatal e investimentos em monitoramento por satélite e drones.
O governo precisa acelerar o plano de proteção à Sararé, incluindo demarcação reforçada, presença permanente de forças de segurança e programas de desenvolvimento sustentável para as comunidades indígenas. Sem isso, novos esquemas podem surgir, perpetuando o ciclo de devastação.
A operação reforça o compromisso com a preservação ambiental e os direitos indígenas, mas exige continuidade para resultados duradouros. Autoridades monitoram o território para novas ações, visando neutralizar completamente as ameaças à integridade da Terra Indígena Sararé.