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Polícia Federal

PF desarticula esquema de venda ilegal de diesel para garimpos na Terra Indígena Sararé em Mato Grosso

24 fev 2026 - 14h50 Joice Gomes   atualizado às 18h40
PF desarticula esquema de venda ilegal de diesel para garimpos na Terra Indígena Sararé em Mato Grosso Polícia Federal atua contra venda ilegal de diesel para garimpos na Terra Indígena Sararé, em Mato Grosso. (Imagem: Polícia Federal/Divulgação)

A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (24) uma operação para desmantelar uma organização criminosa que fornecia diesel para garimpos ilegais na Terra Indígena Sararé, localizada em Mato Grosso. As ações ocorreram nos municípios de Pontes e Lacerda, Vila Bela da Santíssima Trindade e Aripuanã, com o cumprimento de três mandados de prisão preventiva e buscas e apreensões expedidos pela 2ª Vara Federal de Cáceres.

Durante a operação, os agentes flagraram o armazenamento e a comercialização irregular de óleo diesel em uma fazenda próxima a áreas de extração clandestina. No local, foram apreendidos 15 mil litros do combustível, essencial para o funcionamento de maquinários pesados como escavadeiras e dragas usadas nos garimpos ilegais.

Investigação revela escala do esquema

A apuração começou com fiscalizações da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), apoiadas logisticamente pela PF e pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). Os alvos incluíam postos de abastecimento legalizados em Conquista d’Oeste e Pontes e Lacerda, além de fazendas com reservatórios de combustível.

As investigações apontam que o grupo adquiriu mais de 4 milhões de litros de diesel para garimpos em apenas 21 meses, revendendo o produto para sustentar a cadeia produtiva da mineração ilegal. Essa quantidade massiva evidencia a sofisticação do esquema, que usava propriedades rurais como pontos de distribuição direta para as frentes de trabalho dentro da terra indígena.

  • A Terra Indígena Sararé possui cerca de 67 mil hectares no oeste de Mato Grosso.
  • Mais de 3 mil hectares já foram devastados por atividades garimpeiras nos últimos três anos.
  • Presença estimada de até 2 mil garimpeiros e membros de facções criminosas no território.

Impactos ambientais e sociais na Sararé

A Terra Indígena Sararé lidera o ranking de áreas indígenas mais desmatadas na Amazônia Legal, com crescimento de 729% no desmatamento associado entre 2021 e 2024. O garimpo ilegal é o principal responsável, utilizando equipamentos movidos a diesel que escavam a floresta, poluem rios com mercúrio e destroem a vegetação nativa.

Indígenas da etnia Nambikwara relatam graves consequências sociais, como aumento no consumo de álcool, violência e mortes associadas à chegada de invasores e facções como o Comando Vermelho. A caça tradicional foi afetada, com queda no consumo de proteína animal devido à fuga de animais e destruição de habitats.

Operações anteriores, como a força-tarefa de agosto de 2025, destruíram 150 escavadeiras hidráulicas, causando prejuízos superiores a R$ 226 milhões aos garimpeiros. Ainda assim, o governo federal tem prazo até março de 2026 para apresentar plano de expulsão completa dos invasores.

Por que o combate ao diesel importa

O fornecimento de combustível é o elo vital dos garimpos ilegais, pois sem diesel as máquinas param e as operações colapsam. Ao cortar essa cadeia logística, a PF não só interrompe o fluxo imediato, mas desestrutura financeiramente as redes criminosas que lucram com a extração de ouro.

A ação integrada entre ANP, PF e Funai demonstra a estratégia de fiscalização multifacetada, combinando inteligência policial com controle regulatório. Elementos coletados nas buscas serão analisados para identificar outros envolvidos e aprofundar as provas contra os líderes presos.

  • Prisões preventivas visam impedir a continuidade das atividades enquanto durar o processo.
  • Apreensões incluem reservatórios de 15 metros cúbicos, ampliando o impacto da operação.
  • Investigação pode revelar ligações com outros crimes ambientais na região.

Desafios futuros e perspectivas

Apesar dos avanços, a persistência do diesel para garimpos reflete os desafios no combate ao crime organizado em áreas remotas. A proximidade de fazendas e estradas facilita o acesso, demandando maior presença estatal e investimentos em monitoramento por satélite e drones.

O governo precisa acelerar o plano de proteção à Sararé, incluindo demarcação reforçada, presença permanente de forças de segurança e programas de desenvolvimento sustentável para as comunidades indígenas. Sem isso, novos esquemas podem surgir, perpetuando o ciclo de devastação.

A operação reforça o compromisso com a preservação ambiental e os direitos indígenas, mas exige continuidade para resultados duradouros. Autoridades monitoram o território para novas ações, visando neutralizar completamente as ameaças à integridade da Terra Indígena Sararé.

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