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Litoral de São Paulo entra em alerta de grande perigo por chuvas intensas e risco de deslizamentos

24 fev 2026 - 14h00 Joice Gomes   atualizado às 18h35
Litoral de São Paulo entra em alerta de grande perigo por chuvas intensas e risco de deslizamentos Alerta de grande perigo por chuvas no litoral de São Paulo aponta risco de alagamentos. (Imagem: Defesa Civil de Peruíbe/Divulgação)

O litoral de São Paulo está sob alerta de grande perigo para chuvas, com previsão de acumulados elevados e risco significativo de desastres como alagamentos, transbordamentos de rios e deslizamentos de encostas. O alerta foi emitido pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) nesta terça-feira, 24, e abrange não apenas a faixa litorânea, mas também outras regiões do estado que já vêm sofrendo com o excesso de chuva nos últimos dias.

A situação é considerada crítica porque a previsão aponta para chuvas contínuas até, pelo menos, sexta-feira, 27, em um cenário que combina solo encharcado, infraestrutura pressionada e comunidades vulneráveis. O foco das autoridades é reduzir riscos imediatos à população, orientar o comportamento em áreas de risco e evitar novas tragédias em municípios que já registraram desabrigados, desalojados e mortes.

Por que o litoral de São Paulo está em alerta máximo

O Inmet explica que a passagem de uma frente fria criou condições favoráveis para chuvas contínuas e volumosas sobre a região Sudeste, com impacto direto no litoral paulista. No estado de São Paulo, a maior parte do território deve registrar clima mais seco e estável, mas a faixa litorânea é exceção e pode ter acumulados acima de 50 milímetros em curto espaço de tempo.

De acordo com a Defesa Civil, os riscos associados à chuva são considerados muito altos nas regiões do Vale do Ribeira, Baixada Santista, Litoral Sul e Litoral Norte, todas sob monitoramento reforçado. Cidades como Peruíbe e Ubatuba, que já foram bastante atingidas por temporais recentes, continuam em situação delicada, com cenário de saturação do solo e maior vulnerabilidade a novos episódios de inundação e deslizamentos.

O alerta de grande perigo não se limita ao litoral: áreas como Itapeva, Sorocaba, Campinas, Serra da Mantiqueira, Vale do Paraíba, além da capital e da região metropolitana de São Paulo, também foram incluídas no aviso meteorológico. Nesses locais, o volume de chuva pode desencadear problemas semelhantes, especialmente em áreas urbanas densas e em encostas ocupadas de forma desordenada.

Impactos já registrados e situação de calamidade

Os efeitos das chuvas no litoral de São Paulo já se refletem em números preocupantes de desabrigados, danos materiais e ocorrências graves. Em Peruíbe, o acúmulo de chuva na última semana ultrapassou 56 milímetros em apenas 12 horas, provocando alagamentos que deixaram mais de 300 pessoas desabrigadas e outras 100 desalojadas, evidenciando a intensidade dos eventos climáticos recentes.

Na cidade de Mongaguá, o transbordamento de rios e a inundação de diversas ruas afetaram cerca de 800 imóveis, comprometendo moradias, comércios e serviços públicos essenciais. Em Ubatuba, o quadro foi ainda mais grave: duas pessoas morreram em um naufrágio em meio ao clima adverso, em um período em que o volume de chuva registrado se aproximou da média histórica de todo o mês de fevereiro em poucos dias.

As rodovias que ligam o litoral ao interior também sofreram impactos diretos das chuvas no litoral de São Paulo. Na última segunda-feira, trechos das rodovias Oswaldo Cruz e Tamoios foram interditados devido à queda de objetos na pista e ao excesso de chuva, com registros superiores a 100 milímetros, afetando o deslocamento de moradores, turistas e o escoamento de cargas.

Orientações de segurança para a população

Diante do alerta de grande perigo, o Inmet e a Defesa Civil reforçam uma série de recomendações para quem vive ou circula por áreas atingidas pelas chuvas no litoral de São Paulo. Entre as principais orientações estão evitar deslocamentos desnecessários em períodos de chuva intensa, manter atenção a sinais de instabilidade em encostas e buscar informações em canais oficiais.

As autoridades destacam que o risco de alagamentos, transbordamento de rios e deslizamentos de encostas está elevado, especialmente em morros, áreas ribeirinhas e regiões com histórico de ocorrências similares. Em caso de sinais como rachaduras no solo, portas e janelas emperrando, postes e árvores inclinados ou barulhos estranhos vindos do terreno, a recomendação é sair imediatamente do local e acionar a Defesa Civil.

Outra orientação específica é para situações de inundação dentro de residências, comuns durante episódios de chuvas no litoral de São Paulo. Nesses casos, recomenda-se desligar os aparelhos elétricos, se houver segurança para isso, e proteger os pertences da água envolvendo-os em sacos plásticos, reduzindo danos materiais enquanto se busca um local seguro.

  • Evitar transitar por áreas alagadas, devido ao risco de buracos, correnteza e contaminação da água.
  • Não tentar atravessar ruas ou pontes com água acima da metade da roda do veículo, pelo perigo de arrastamento.
  • Observar encostas, muros e taludes, deixando o local ao primeiro sinal de instabilidade.
  • Manter-se informado por boletins oficiais do Inmet, Defesa Civil e autoridades locais.
  • Preparar uma bolsa de emergência com documentos, remédios, água e itens essenciais em áreas de risco recorrente.

Risco também em Minas Gerais e Espírito Santo

O cenário de tempo severo não se limita às chuvas no litoral de São Paulo e se estende a outros estados da região Sudeste. Nas regiões centro-oeste de Minas Gerais e Espírito Santo, a previsão é de que o volume de chuva supere 200 milímetros nos próximos dias, elevando o risco de eventos extremos semelhantes.

A orientação para capixabas e mineiros é redobrar os cuidados principalmente entre os dias 25 e 27, período em que a intensificação da chuva deve ser mais forte. As autoridades locais trabalham com planos de contingência que incluem monitoramento de rios, verificação de barragens, acionamento de abrigos e campanhas de comunicação direta com comunidades vulneráveis.

Esse quadro, somado às chuvas no litoral de São Paulo, reforça a necessidade de coordenação regional entre órgãos de meteorologia, defesas civis e prefeituras para reduzir danos humanos e materiais. A combinação de frente fria, umidade elevada e relevo acidentado cria um ambiente favorável para a recorrência de episódios extremos, exigindo vigilância permanente.

O que pode acontecer nos próximos dias

Com a previsão de continuidade das chuvas no litoral de São Paulo até o fim da semana, o cenário é de manutenção do alerta máximo, principalmente em áreas já afetadas. A saturação do solo aumenta a probabilidade de novos deslizamentos, enquanto rios e córregos permanecem em nível de atenção para novos transbordamentos.

Municípios impactados tendem a manter ou ampliar planos de emergência, com reforço de equipes em campo, monitoramento de áreas críticas e, se necessário, emissão de novos alertas de evacuação preventiva. No curto prazo, a prioridade é proteger vidas, garantir abrigo adequado a desabrigados e restabelecer serviços essenciais, como energia, transporte e coleta de lixo nas áreas atingidas.

No médio prazo, especialistas defendem que episódios recorrentes de chuvas no litoral de São Paulo reforçam o debate sobre ocupação de encostas, drenagem urbana e adaptação a eventos climáticos extremos. A tendência é que temas como prevenção, mapeamento de risco e obras de contenção ganhem ainda mais espaço na agenda pública, especialmente em cidades que já enfrentam emergências ano após ano.

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