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STF inicia julgamento de acusados pelo assassinato de Marielle Franco com pedido de condenação da PGR

24 fev 2026 - 13h21 Joice Gomes   atualizado às 18h24
STF inicia julgamento de acusados pelo assassinato de Marielle Franco com pedido de condenação da PGR Primeira Turma do STF julga acusados de mandar matar vereadora Marielle Franco. (Imagem: Valter Campanato/Agência Brasil)

O Supremo Tribunal Federal deu início ao julgamento de cinco acusados pelo assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, ocorrido em 2018 no Rio de Janeiro. Nesta terça-feira (24), o vice-procurador-geral Hindemburgo Chateaubriand apresentou as alegações finais da PGR, pedindo a condenação de todos os réus por homicídio qualificado, tentativa de homicídio e organização criminosa armada.

O assassinato de Marielle Franco chocou o país ao revelar conexões entre poder político, milícias e violência urbana. A vereadora do PSOL e seu motorista foram mortos a tiros em uma emboscada no Estácio, centro da capital fluminense, enquanto a assessora Fernanda Chaves sobreviveu ao ataque.

Motivação ligada a disputas fundiárias

Segundo a PGR, o crime teve motivação política e econômica, centrada em interesses de milícias na Zona Oeste do Rio. Marielle Franco atuava contra a grilagem de terras e irregularidades urbanas em comunidades como Rio das Pedras e Muzema, áreas de influência dos acusados.

Logo em seus primeiros dias de mandato, a vereadora se posicionou contra projetos de lei que beneficiariam grupos ligados aos irmãos Brazão, criando obstáculos a seus currais eleitorais. Essa oposição direta ameaçava o controle territorial consolidado por meio de ocupações ilícitas e alianças com milicianos.

A delação premiada do ex-PM Ronnie Lessa, executor confesso dos disparos, reforça que os mandantes agiram para eliminar a parlamentar que fiscalizava suas atividades. Relatórios da intervenção federal no Rio de 2018 corroboram a existência de uma organização criminosa dedicada a jogos de azar, usura e homicídios.

Perfil dos cinco acusados

Os réus, todos presos preventivamente, respondem por papéis específicos na execução do assassinato de Marielle Franco. Domingos Brazão, conselheiro do TCE-RJ, e seu irmão Chiquinho Brazão, ex-deputado federal, são apontados como líderes intelectuais e mandantes.

  • Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil do RJ, teria participado dos preparativos e garantido impunidade a crimes do grupo.
  • Major Ronald Alves de Paula monitorou a rotina da vereadora, repassando informações cruciais aos executores.
  • Robson Calixto, ex-assessor de Domingos Brazão conhecido como Peixe, forneceu a arma usada no crime e atuava como elo com milícias.

A PGR destaca a divisão clara de tarefas na organização, com provas robustas de associação para obter vantagens econômicas via crimes graves. Os acusados negam envolvimento, mas o procurador afirma que o quadro probatório é incontroverso.

Contexto histórico do caso

O assassinato de Marielle Franco ocorreu em 14 de março de 2018, após a vereadora deixar um evento na Casa das Pretas. Criminosos em um carro emparelharam com o veículo dela e dispararam 13 vezes, matando Marielle e Anderson Gomes no local.

A investigação, inicialmente conduzida pela Polícia Civil, enfrentou entraves e foi federalizada em 2019. Avanços decisivos vieram com prisões de Ronnie Lessa e Élcio Queiroz em 2019, e delações que apontaram para os Brazão em 2024.

O STF assumiu o caso por foro privilegiado, com relatoria de Alexandre de Moraes. O julgamento, agendado para 24 e 25 de fevereiro de 2026, ocorre após conclusão da instrução processual em dezembro de 2025.

Impactos e desdobramentos esperados

Uma condenação na Primeira Turma do STF, composta por cinco ministros, exige três votos favoráveis. Além das penas por homicídio – que podem superar 30 anos por réu –, há pedido de indenização às famílias e perda de cargos públicos.

O desfecho pode influenciar o combate às milícias no Rio de Janeiro, expondo nexos entre agentes públicos e crime organizado. A PGR enfatiza que o crime visava silenciar a oposição parlamentar, com qualificadoras como motivo torpe e promessa de recompensa.

Defesas questionam competência do STF e provas, podendo recorrer em caso de condenação. O julgamento reforça a busca por justiça em um caso que simboliza a luta contra a violência política no Brasil, quase oito anos após os fatos.

Provas incluem perícias balísticas, relatórios da intervenção federal e depoimentos cruzados. A sessão desta terça marca avanço significativo, com expectativa de votos nos próximos dias.

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