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Fenômeno biológico

Mar de 'sangue' no Litoral Norte: entenda o fenômeno e os riscos reais para banhistas

Uma mancha avermelhada no mar de Ilhabela e São Sebastião assustou banhistas. A Cetesb identificou o microrganismo Mesodinium rubrum e alerta para riscos de irritação.

08 abr 2026 - 08h54 Joice Gomes   atualizado às 08h55
Mar de 'sangue' no Litoral Norte: entenda o fenômeno e os riscos reais para banhistas Amostras coletadas no Canal de São Sebastião confirmam presença de microrganismo não tóxico. (Foto: Reprodução/Rafael Mesquita) (Imagem: gerado por IA)

A coloração avermelhada intensa que tomou conta das águas no Canal de São Sebastião e em praias famosas de Ilhabela, como Curral e Veloso, acendeu um alerta imediato entre turistas e moradores. Embora o visual impressione e remeta a cenários de poluição grave, a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) confirmou que a mancha é fruto de um fenômeno biológico provocado pelo microrganismo Mesodinium rubrum.

Na prática, isso significa que não estamos diante de um vazamento químico ou de óleo, mas de uma explosão populacional de um tipo de ciliado. Este organismo, em altas concentrações, altera drasticamente a transparência e o tom da água, criando o aspecto de "mar de sangue" que viralizou nas redes sociais. E é aqui que reside o ponto central de atenção para quem está na região.

Apesar da ausência de toxinas letais, a recomendação das autoridades é de cautela absoluta. O contato direto com as áreas afetadas pode resultar em irritações cutâneas e coceira intensa, especialmente em crianças e pessoas com peles mais sensíveis. Por isso, a orientação oficial é clara: evite o banho de mar e a prática de esportes náuticos exatamente onde a mancha for visível.

O que está por trás do fenômeno e os riscos reais

O Mesodinium rubrum é um velho conhecido dos biólogos marinhos, mas sua presença em densidade tão alta sempre exige monitoramento rigoroso. Diferente da temida "maré vermelha", fenômeno causado por certas microalgas que liberam toxinas perigosas para a vida marinha e humana, este episódio atual foi classificado como não tóxico após análises laboratoriais preliminares.

No entanto, a ciência explica que a decomposição desses organismos em grande escala pode consumir o oxigênio da água, o que ocasionalmente afeta outros seres marinhos. Por enquanto, o foco da Cetesb e do Centro de Biologia Marinha da USP é garantir que a floração não evolua para um desequilíbrio maior. Mas o impacto vai além da estética: o setor de turismo local observa com atenção, já que a balneabilidade das praias é o principal ativo da região.

Como identificar e o que pode acontecer a partir disso

Nem toda mancha no oceano possui a mesma origem, o que exige um olhar atento da população. Recentemente, imagens panorâmicas de manchas escuras no mar causaram pânico, mas revelaram-se apenas grandes cardumes cercando banhistas. Em contrapartida, casos como o registrado no ano passado na Paraíba mostraram que manchas escuras com odor forte podem esconder contaminação por esgoto e coliformes fecais.

No caso atual do Litoral Norte paulista, o monitoramento segue intensificado. Novas coletas de água estão programadas para os dias 7 e 8 de abril, contando com o apoio da Defesa Agropecuária e de um grupo intersecretarial que une as pastas de Saúde, Meio Ambiente e Agricultura. Esse cerco técnico visa garantir que nenhuma nova variante de alga nociva pegue a população de surpresa.

O episódio reforça a importância da vigilância constante sobre os nossos oceanos, especialmente em tempos de mudanças climáticas que alteram a temperatura da água e favorecem essas florações súbitas. Para os frequentadores, o recado é de paciência: a natureza tem seu tempo de depuração, e o respeito aos avisos da Cetesb é o caminho mais seguro para garantir que o lazer não se transforme em um problema de saúde. Em caso de dúvidas ou novas manchas, o canal oficial de denúncias ambientais permanece disponível pelo telefone 0800 500 1350.

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