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Consumo de livros cresce no Brasil e atinge 18% da população acima de 18 anos em 2025

27 mar 2026 - 07h55 Joice Gomes   atualizado às 07h57
Consumo de livros cresce no Brasil e atinge 18% da população acima de 18 anos em 2025 Estudo Panorama do Consumo de Livros aponta 18% da população adulta comprando livros em 2025. (Imagem: Rovena Rosa/Agencia Brasil)

O número de consumidores de livros cresceu no Brasil em 2025, atingindo 18% da população com 18 anos ou mais, de acordo com a nova edição do levantamento Panorama do Consumo de Livros, divulgado pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) em parceria com a Nielsen BookData. O avanço equivale a 2 pontos percentuais ou cerca de 3 milhões de novos compradores em relação a 2024, quando o índice ficava em 16%.

Segundo a presidente da CBL, Sevani Matos, o crescimento revela que o livro continua a exercer peso na cultura brasileira e aponta um espaço concreto para a expansão do mercado editorial. Ela ressalta que o resultado é fruto de uma combinação de iniciativas: editores investindo em novos títulos, livrarias modernizando a oferta, políticas públicas de democratização do acesso e o impulso de redes sociais e influenciadores especializados em leitura.

Quem são os novos leitores

O estudo, que ouviu cerca de 16 mil pessoas em outubro de 2025, mostra que 18% da população adulta brasileira adquiriu ao menos um livro, impresso ou digital, nos últimos 12 meses. Entre os que não compraram, 28% declararam que a ausência de livraria ou loja física próxima desmotiva o consumo, enquanto 35% avaliam que o preço dos livros é um obstáculo principal.

Na parcela dos não compradores, aproximadamente 35 milhões de brasileiros disseram que obtêm livros por outros caminhos: 16,3% relataram baixar livros digitais gratuitos e 16,1% mencionaram acesso a PDFs. A coordenadora de Pesquisas Econômicas e Setoriais da Nielsen BookData, Mariana Bueno, interpreta esses números como demandas reprimidas, ou seja, leitores que acessam obra, mas não compram. Para o setor, trata‑se de um público potencial que pode ser integrado formalmente ao mercado com políticas de preço, acesso e combate à pirataria.

Perfil de gênero, raça e classe

As mulheres concentram a maior parte do consumo: representam 61% dos compradores de livros no país. Ao cruzar gênero, raça e classe social, a pesquisa revela que as mulheres negras da classe C são o maior grupo consumidor individual, respondendo por 15% do total de leitores. Essa mesma fatia, em conjunto, representa 30% do universo de consumidores de livros no Brasil, um sinal de forte protagonismo dessa demografia no varejo literário.

Entre os jovens, o crescimento é mais acentuado: na faixa de 18 a 34 anos o percentual de compradores subiu 3,4 pontos em relação a 2024. Para Sevani Matos, esse salto está diretamente ligado à presença de criadores de conteúdo, comunidades virtuais e recomendações em redes sociais, que atuam como portas de entrada para novos leitores. Publicações voltadas ao público jovem, como ficção e o segmento Young Adult, aparecem como motores centrais desse aumento.

Formatos e canais de compra

O suporte impresso continua dominante: 80% dos consumidores adquiriram livros físicos em sua última compra, enquanto 20% optaram pelo formato digital. A pesquisa também mostra que 70% dos leitores acompanham lançamentos, principalmente por meio de sites de compras (34%), indicação de amigos e familiares (30%), livrarias (24%) e criadores de conteúdo (22%).

Outro dado relevante é o peso das redes sociais no hábito de compra: 56% dos consumidores de livros costumam fazer compras em geral por meio dessas plataformas. Desse contingente, mulheres entre 25 e 54 anos respondem por 76% das compradoras e por 26% do total de consumidores de livros que negociam por esse canal. A livraria, por sua vez, mantém papel estratégico: 53% dos leitores afirmam que o espaço é lugar para relaxar e explorar sem pressa, enquanto 46% o associam a cultura e conhecimento.

Livros de colorir e o varejo digital

Um dos fenômenos que mais impulsionou o mercado em 2025 foi o segmento de livros de colorir. Segundo a pesquisa, 7,1% da população adulta – cerca de 11 milhões de pessoas – comprou ao menos um exemplar no ano passado, o que equivale a 40% do total de consumidores de livros. Apesar desse peso, o varejo indica que os títulos de ficção, especialmente voltados ao público mais jovem, tiveram papel decisivo na alta geral do consumo.

Na última compra de livro impresso, 53% dos consumidores optaram por canais online, enquanto 47% realizaram a aquisição presencialmente. A percepção de preço ainda é um divisor de águas: quando questionados sobre o que escolheriam se o valor fosse igual, 49% disseram que prefeririam livrarias físicas e 44% lojas virtuais, o que reforça que o preço e a conveniência continuam sendo os principais argumentos de venda no setor.

Impacto social e desafios para o futuro

Os resultados apontam um cenário de crescimento, mas também evidenciam a persistência de uma parcela grande da população sem acesso regular ao livro. Com 18% de compradores entre os maiores de 18 anos, ainda há cerca de 82% de brasileiros que não adquiriram nenhum exemplar no período analisado, sobretudo por motivos de renda, distância de pontos de venda e oferta digital gratuita ou pirata.

  • Pesquisa mostra que 18% da população adulta comprou livro em 2025, contra 16% em 2024.
  • Mulheres negras da classe C são o maior grupo consumidor individual, com 15% do total.
  • Mulheres respondem por 61% dos consumidores de livros no país.
  • Jovens de 18 a 34 anos registraram aumento de 3,4 pontos percentuais no consumo.
  • Livros de colorir atingiram 11 milhões de compradores e representam 40% dos consumidores.
  • 80% compraram livro impresso em sua última aquisição e 20% digital.

Para o setor editorial e para o poder público, a tendência indica a necessidade de reforçar políticas de distribuição, subsídio de preço e fortalecimento de bibliotecas e espaços culturais. Sem isso, o risco é que o crescimento do consumo fique concentrado em grupos mais favorecidos, enquanto parcelas expressivas da população continuam à margem do mercado formal de livros.

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