Nasa lança Artemis 2: primeira missão lunar tripulada em mais de 50 anos, com quatro astronautas em viagem de 10 dias ao redor da Lua e novos planos de pouso americano em 2028
(Imagem: gerado por IA)
Uma década depois de retomar o programa lunar, a Nasa lançou nesta quarta‑feira (1º de abril de 2026) a missão Artemis 2, primeira viagem tripulada à Lua desde o fim da era Apollo, em 1972. A partir do Centro Espacial Kennedy, na Flórida, um foguete Sistema de Lançamento Espacial (SLS) levou a cápsula Orion até o espaço com quatro astronautas a bordo, inaugurando o retorno de humanos ao espaço profundo.
A missão é descrita pela agência espacial como um voo de teste de alto risco, com duração aproximada de 10 dias, durante os quais a tripulação fará uma rota de “retorno livre” ao redor da Lua e depois voltará para a Terra. O objetivo imediato não é pousar satélites ou explorar o solo, mas sim validar sistemas de navegação, comunicação, proteção contra radiação e suporte à vida em ambiente de longa duração fora da órbita terrestre baixa.
Quem vai à Lua agora
A bordo da Artemis 2 estão três astronautas da Nasa e um representante da Agência Espacial Canadense (CSA). O comandante é Reid Wiseman, veterano de missões na Estação Espacial Internacional (ISS), encarregado de supervisar todo o voo. O piloto é Victor Glover, que assumirá os controles manuais da Orion durante testes de manobra ao redor do estágio superior do SLS.
Integram ainda a missão a astronauta Christina Koch, recordista de permanência contínua no espaço em uma mesma missão, e o canadense Jeremy Hansen, que se torna o primeiro astronauta do Canadá a viajar para além da órbita terrestre. O grupo passou por quase três anos de treinamento intensivo para simular falhas, emergências médicas, manobras de acoplamento e operações de voo em ambiente de microgravidade.
Perfil da missão Artemis 2
A Artemis 2 não pretende entrar em órbita lunar completa nem pousar na superfície, mas sim realizar um flyby de 10 dias ao redor do satélite, aproveitando a gravidade da Lua para ajustar a trajetória de volta à Terra. No ponto mais distante, a Orion deve alcançar entre 370 mil e 450 mil quilômetros de distância da Terra, possivelmente superando o recorde de distância máxima de humanos registrado durante a missão Apollo 13.
A aproximação lunar prevista fica em torno de 6,5 mil quilômetros do lado visível e até cerca de 10,4 mil quilômetros além do lado oculto da Lua, o que colocará a tripulação em um ambiente de radiação cósmica mais intenso do que o vivido na ISS. A agência espacial já indicou que parte da carga científica da missão inclui a coleta de dados sobre os efeitos desse ambiente em sistemas eletrônicos e na fisiologia humana, com vistas às futuras estadias prolongadas na Base Lunar.
Sistema de Lançamento Espacial e Orion
O voo marca a primeira vez que o potente foguete SLS transporta humanos para o espaço, após anos de testes não tripulados dentro do programa Artemis. Concebido como um veículo de grande porte, o SLS tem cerca de 30 andares de altura e é desenvolvido em parceria com grandes contratistas, como Boeing e Northrop Grumman, responsáveis por diferentes estágios e propulsores.
Acoplada ao foguete, a cápsula Orion, construída pela Lockheed Martin, é projetada para suportar missões de longa duração com capacidade de vida autônoma, escudo térmico reforçado e sistemas de aborte em caso de falha crítica. Após cerca de três horas e meia de voo, a Orion se separa do estágio superior do SLS e realiza manobras de aproximação e afastamento controladas pela própria tripulação, testando a estabilidade e a precisão da nave.
Próximos passos: Artemis 3 e 4
A Artemis 2 funciona como um “ensaio geral” para a Artemis 3, prevista para servir como missão de teste de pouso humano, e para a Artemis 4, que tem como objetivo o primeiro contato tripulado com a superfície lunar nesta década. A Nasa revisou recentemente o cronograma Artemis e passou a apontar o ano de 2028 como data alvo para o primeiro pouso tripulado na Lua desde 1972, com foco especial na região do pólo sul lunar, rica em gelo e outros recursos potenciais.
As missões subsequentes devem se valer de sistemas de pouso desenvolvidos pela SpaceX e por outras empresas privadas, integrados ao SLS e à Orion. A agência espacial busca montar uma infraestrutura de longo prazo na órbita e na superfície da Lua, incluindo a estação espacial Gateway, que atuará como ponto de apoio para missões de exploração e, no futuro, como degrau para viagens a Marte.
Corrida espacial e China na Lua
A retomada americana do voo tripulado para a Lua coincide com o avanço da China em seu próprio programa lunar. Em 2026, o país já demonstrou progresso em foguetes pesados, módulos de pouso e sistemas de suporte à vida, com plano oficial de realizar o primeiro pouso tripulado na Lua em 2030. Para a comunidade científica internacional, isso traduz um novo capítulo da chamada “nova corrida espacial”, agora marcada por competição e, em alguns pontos, por cooperação tecnológica.
América e China passam não apenas a rivalizar por registros históricos, mas também por acesso a regiões estratégicas da Lua, em especial o entorno do pólo sul, onde há indícios de grandes reservas de gelo d’água e outros elementos que podem ser utilizados para produção de combustível, oxigênio e água. Nesse cenário, a Artemis 2 se insere como um passo inicial para garantir que missões futuras consigam explorar essa fronteira de forma mais segura, sustentável e científica.
O que o público pode acompanhar
Para os espectadores do mundo inteiro, a missão oferece uma janela rara de assistir a imagens ao vivo de astronautas navegando ao redor da Lua. A Nasa transmitiu o lançamento e manteve cobertura contínua da missão por seus canais oficiais, incluindo tradicionalmente YouTube, plataformas de streaming e redes sociais. A expectativa é que a Orion envie fotos e vídeos detalhados do lado oculto da Lua, da superfície lunar e da Terra vista de grande distância.
Em paralelo, a agenda Artemis divide opiniões: defensores apontam ganhos científicos, tecnológicos e geopolíticos, enquanto críticos questionam custos bilionários em um contexto de desigualdades econômicas e desafios ambientais na Terra. Ainda assim, a Artemis 2 consolida um momento simbólico: depois de mais de meio século, humanos voltam a viajar ao espaço profundo, com a Lua novamente no centro da imaginação coletiva.