São Paulo | 17ºC
Sex, 03 de Julho
Agricultura

A lição de Tomé-Açu: como uma praga devastadora deu origem a um império milionário na Amazônia

Descubra como Tomé-Açu superou uma praga devastadora para criar o sistema agroflorestal que hoje é referência mundial em lucro e sustentabilidade na Amazônia.

27 abr 2026 - 08h29 Joice Gomes   atualizado às 08h31
A lição de Tomé-Açu: como uma praga devastadora deu origem a um império milionário na Amazônia Plantações diversificadas em Tomé-Açu mostram o sucesso do sistema agroflorestal que recuperou a economia local. (Imagem: gerado por IA)

No coração do Pará, a cerca de 200 quilômetros de Belém, existe um lugar que desafiou as leis da agricultura convencional e provou que a floresta em pé pode ser muito mais lucrativa do que o pasto ou a monocultura. Tomé-Açu, hoje um nome respeitado globalmente, carrega uma história de superação que começou com um desastre econômico total e terminou na criação de um modelo bilionário de exportação.

O colapso do 'ouro preto'

A história começa na primeira metade do século XX, com a chegada de imigrantes japoneses. Eles trouxeram consigo a pimenta-do-reino, que se adaptou tão bem ao solo paraense que transformou a região na maior produtora do mundo. Durante décadas, o "ouro preto" trouxe riqueza e prosperidade. No entanto, o sucesso estava fundamentado em um modelo frágil: a monocultura extensiva.

Na década de 1960, o desastre bateu à porta. O fungo Fusarium oxysporum, responsável pela doença conhecida como fusariose, espalhou-se rapidamente pelos pimentais. Sem diversidade biológica para frear a contaminação, plantações inteiras morreram em meses. Famílias que eram ricas viram-se, da noite para o dia, mergulhadas em dívidas e com terras que pareciam inúteis.

A revolução do SAFTA

Foi diante da falência iminente que os produtores locais, liderados pela colônia japonesa, decidiram observar como a própria floresta se regenerava. Eles perceberam que a natureza não planta apenas uma espécie. Assim nasceu o SAFTA (Sistema Agroflorestal de Tomé-Açu). Em vez de limpar a terra para plantar apenas uma cultura, eles começaram a misturar espécies de ciclos diferentes.

O sistema funciona como uma orquestra: plantas de ciclo curto, como o mamão, o arroz e o melão, garantem o fluxo de caixa imediato. Enquanto isso, o cacau e o açaí crescem à sombra de árvores maiores. No topo, espécies madeireiras e árvores altas protegem o solo e mantêm a umidade. O resultado? Um solo que se recupera sozinho, sem a necessidade de fertilizantes químicos pesados e com uma produtividade por hectare muito superior à tradicional.

De terra degradada a polo de exportação

Hoje, Tomé-Açu não é apenas uma cidade agrícola, mas uma potência industrial. A Cooperativa Mista de Tomé-Açu (CAMTA) é o coração desse império, processando toneladas de polpas de frutas exóticas e cacau fino que abastecem mercados exigentes no Japão, Europa e Estados Unidos. O modelo provou ser a solução definitiva para recuperar áreas degradadas pela pecuária ou por cultivos antigos.

O que diferencia Tomé-Açu de outras regiões é a resiliência econômica. Se o preço do cacau cai, o produtor lucra com o açaí. Se uma praga ataca uma espécie, as outras garantem a sobrevivência da propriedade. É uma lógica de investimento diversificada aplicada ao campo, que garante que a cidade permaneça próspera mesmo em crises globais.

O futuro é regenerativo

Atualmente, o modelo de Tomé-Açu é estudado por cientistas e investidores do mundo todo como a principal resposta para o desenvolvimento da Amazônia sem desmatamento. A cidade transformou o que seria um deserto de terra morta em uma floresta produtiva que gera empregos e preserva a biodiversidade. A grande lição que fica é que a inteligência aplicada à natureza é o ativo mais valioso do agronegócio moderno, transformando um problema fitossanitário no maior case de sucesso da bioeconomia brasileira.

Leia Também
Brasil fora do Mapa da Fome: o desafio de manter 6,5 milhões longe da miséria alimentar
Mapa da Fome Brasil fora do Mapa da Fome: o desafio de manter 6,5 milhões longe da miséria alimentar
Tarifaço dos EUA: Brasil reage e aponta prejuízo para americanos
Tarifaço Tarifaço dos EUA: Brasil reage e aponta prejuízo para americanos
Restituição do IR: Receita Federal paga hoje maior lote da história para 9,5 milhões de pessoas
Restituição do IR Restituição do IR: Receita Federal paga hoje maior lote da história para 9,5 milhões de pessoas
Bolsa Família encerra pagamentos de junho nesta terça-feira; confira valores e quem recebe hoje
Beneficio Bolsa Família encerra pagamentos de junho nesta terça-feira; confira valores e quem recebe hoje
Lotofácil 3722: 138 apostas batem na trave e perdem prêmio milionário por um número
Lotofácil Lotofácil 3722: 138 apostas batem na trave e perdem prêmio milionário por um número
Governo libera isenção de ISS para empresas na Copa do Mundo Feminina 2027
Isenção de ISS Governo libera isenção de ISS para empresas na Copa do Mundo Feminina 2027
Bolsa Família: Caixa libera pagamento para beneficiários com NIS final 9 nesta segunda-feira
Benefício Bolsa Família: Caixa libera pagamento para beneficiários com NIS final 9 nesta segunda-feira
Inteligência Artificial: Medo de demissão recua enquanto tecnologia ganha espaço no trabalho
Pesquisa Datafolha Inteligência Artificial: Medo de demissão recua enquanto tecnologia ganha espaço no trabalho
Bolsa Família: Caixa libera pagamento para NIS final 8 nesta sexta; veja valores e quem recebe adicionais
Bolsa Família Bolsa Família: Caixa libera pagamento para NIS final 8 nesta sexta; veja valores e quem recebe adicionais
B3 entra no radar da China: parceria inédita conecta mercado brasileiro aos maiores investidores asiáticos
Bolsa Brasileira B3 entra no radar da China: parceria inédita conecta mercado brasileiro aos maiores investidores asiáticos
Mais Lidas
Guarujá 92 anos: Pacote de entregas transforma saúde e educação na cidade
Aniversário de Guarujá Guarujá 92 anos: Pacote de entregas transforma saúde e educação na cidade
Guarujá completa 92 anos com foco em avanços práticos. Prefeitura anuncia inaugurações em saúde, educação e tecnologia para melhorar a vida do cidadão.
Lotofácil 3722: 138 apostas batem na trave e perdem prêmio milionário por um número
Lotofácil Lotofácil 3722: 138 apostas batem na trave e perdem prêmio milionário por um número
O concurso 3722 da Lotofácil premiou 138 apostas que acertaram 14 dezenas. Saiba quanto cada um ganhou e veja os detalhes do sorteio realizado nesta segunda-feira.
Farid Madi detalha recuperação fiscal de Guarujá: "O milagre é o cuidado com o gasto"
Prefeito de Guarujá Farid Madi detalha recuperação fiscal de Guarujá: "O milagre é o cuidado com o gasto"
Farid Madi detalha a reestruturação financeira de Guarujá nos 92 anos da cidade, destacando o fim do déficit e a retomada de investimentos em áreas essenciais.
Mobilidade em Santos: Obras na Alemoa chegam a 86% e prometem destravar fluxo de 14 mil veículos
Mobilidade Mobilidade em Santos: Obras na Alemoa chegam a 86% e prometem destravar fluxo de 14 mil veículos
Com 86% de conclusão, as obras na Alemoa em Santos entram na reta final. Projeto foca na durabilidade e fluidez de 14 mil veículos que circulam na área industrial diariamente.