São Paulo | 12ºC
Sex, 19 de Junho
Copom

Selic a 14,25%: Banco Central define novos rumos do juro em meio a cessar-fogo no Oriente Médio

O Banco Central decide hoje o futuro da Selic. Com expectativa de corte para 14,25%, entenda como o cenário global e a inflação doméstica travam novas quedas.

17 jun 2026 - 08h51 Joice Gomes   atualizado às 08h52
Selic a 14,25%: Banco Central define novos rumos do juro em meio a cessar-fogo no Oriente Médio O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, lidera reunião do Copom que define rumos da taxa Selic. (Imagem: gerado por IA)

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne nesta quarta-feira (17) sob um clima de cautela e expectativa redobrada por parte do mercado financeiro. A tendência, consolidada pela maioria dos analistas, é de que a autoridade monetária anuncie o terceiro corte consecutivo de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, reduzindo os juros básicos da economia de 14,5% para 14,25% ao ano.

Um retorno ao patamar histórico de crise

Se confirmada a redução, a Selic atingirá um nível que não era visto desde o conturbado período entre julho de 2015 e outubro de 2016. Na época, o Brasil enfrentava a crise política e econômica que culminou no impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. O retorno a esse patamar simbólico levanta discussões sobre o fôlego da economia brasileira e a capacidade do Banco Central de manter o ritmo de cortes diante de um cenário global e doméstico que se tornou mais complexo nas últimas semanas.

A reunião de hoje é conduzida por Gabriel Galípolo, presidente do BC, que tem a missão de equilibrar a necessidade de estimular a atividade econômica com o compromisso de manter a inflação dentro da meta. No entanto, o otimismo com a queda dos juros é temperado por sinais de que o espaço para novas reduções está ficando cada vez mais curto.

O fator Irã e o preço do petróleo

Um dos pontos centrais que movimentou as mesas de operação nos últimos dias foi o acordo preliminar entre Estados Unidos e Irã para um novo cessar-fogo. No papel, a trégua deveria aliviar a pressão sobre os preços internacionais do petróleo, especialmente com a possível normalização do tráfego no Estreito de Ormuz, ponto nevrálgico para o escoamento da produção mundial. Contudo, para o cenário brasileiro, esse alívio pode ser mais psicológico do que prático.

Especialistas apontam que a Petrobras e o governo federal já vinham absorvendo parte da volatilidade internacional por meio de subsídios e desonerações. Com isso, mesmo que o barril de petróleo apresente queda no mercado externo, o reflexo direto nas bombas e, consequentemente, no IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), tende a ser limitado. Essa resistência da inflação doméstica é o que faz o Banco Central adotar o termo "calibração" em vez de um ciclo de cortes agressivo.

Incertezas sobre o fim do ciclo de cortes

A pesquisa realizada pelo Valor Pro aponta que 94 das 112 instituições consultadas apostam na queda para 14,25%. Entretanto, o consenso para as próximas reuniões é inexistente. O economista Leonardo França Costa, do ASA, avalia que este pode ser, inclusive, o último corte do ciclo. Ele destaca que o mercado de trabalho aquecido no Brasil e a atividade econômica resiliente pressionam os preços de serviços, dificultando o trabalho do BC em fazer a inflação convergir para a meta de 3,0%.

Na última ata do Copom, o Banco Central já havia sinalizado que a magnitude e a duração desse ajuste seriam determinadas ao longo do tempo. Atualmente, o mercado trabalha com projeções do Boletim Focus que colocam a inflação de 2024 em 5,30%, bem acima do teto de tolerância. Esse descolamento das expectativas em relação à meta é o principal freio para que Galípolo e sua equipe decidam por novas reduções no segundo semestre.

O que muda para o consumidor e para o investidor?

Embora a redução de 0,25 ponto pareça pequena, ela tem um efeito em cascata. Para o investidor, a renda fixa continua extremamente atrativa, mantendo retornos reais robustos mesmo com a Selic a 14,25%. Já para o setor de varejo e consumo, o alívio é tímido. O custo do crédito para empresas e famílias ainda permanece em patamares restritivos, o que deve manter o ritmo de crescimento do PIB sob monitoramento rigoroso.

O desdobramento da reunião desta quarta-feira será fundamental para entender o tom que o Banco Central adotará para o restante do ano. Se o comunicado vier com um tom mais "hawkish" (rigoroso com a inflação), o mercado deve começar a precificar a manutenção da taxa nos 14,25% por um longo período, frustrando quem esperava juros mais baixos para o encerramento de 2024.

Leia Também
Bolsa Família: Mais de 130 mil famílias da RMVale recebem o benefício este mês
RMVale Bolsa Família: Mais de 130 mil famílias da RMVale recebem o benefício este mês
Lotofácil 3713 acumula e prêmio dispara para R$ 11 milhões: 288 apostas 'batem na trave'
Lotofácil Lotofácil 3713 acumula e prêmio dispara para R$ 11 milhões: 288 apostas 'batem na trave'
Crise no Oriente Médio derruba previsão de demanda global por petróleo para 2026
Demanda Global Crise no Oriente Médio derruba previsão de demanda global por petróleo para 2026
China acelera ofensiva global do yuan com novas medidas para reduzir dependência do dólar
Globalização do Yuan China acelera ofensiva global do yuan com novas medidas para reduzir dependência do dólar
Matemática do prejuízo: como o algoritmo das 'bets' é desenhado para esvaziar o bolso do brasileiro
Teorema da Ruína Matemática do prejuízo: como o algoritmo das 'bets' é desenhado para esvaziar o bolso do brasileiro
Quina de São João: Confira os números mais sorteados e como disputar os R$ 250 milhões
Quina de São João Quina de São João: Confira os números mais sorteados e como disputar os R$ 250 milhões
Mega-Sena 3019 acumula e prêmio vai a R$ 36 milhões; veja quanto rendeu a quina
Mega-Sena Mega-Sena 3019 acumula e prêmio vai a R$ 36 milhões; veja quanto rendeu a quina
Copom e fim da escala 6x1: O que esperar da semana que mexe com seu bolso e seu descanso
Fim da escala 6x1 Copom e fim da escala 6x1: O que esperar da semana que mexe com seu bolso e seu descanso
Bolso e rotina: Copom decide nova taxa Selic e Câmara vota fim da escala 6x1
Copom Bolso e rotina: Copom decide nova taxa Selic e Câmara vota fim da escala 6x1
Lotofácil 3711: Três apostas dividem prêmio milionário; saiba de onde são os ganhadores
Lotofácil Lotofácil 3711: Três apostas dividem prêmio milionário; saiba de onde são os ganhadores
Mais Lidas
Enem 2026: Inscrições terminam nesta sexta; saiba como garantir sua vaga
Enem 2026 Enem 2026: Inscrições terminam nesta sexta; saiba como garantir sua vaga
Laudo da explosão no Jaguaré é concluído: perícia detalha causas da tragédia que destruiu casas em SP
Laudo explosão Laudo da explosão no Jaguaré é concluído: perícia detalha causas da tragédia que destruiu casas em SP
Renda do trabalho retira 10 milhões da pobreza nas metrópoles brasileiras
Economia Renda do trabalho retira 10 milhões da pobreza nas metrópoles brasileiras
Brasil x Marrocos: Tudo sobre a estreia da Seleção na Copa sob o comando de Ancelotti
Estreia da Seleção na Copa Brasil x Marrocos: Tudo sobre a estreia da Seleção na Copa sob o comando de Ancelotti