São Paulo | 14ºC
Ter, 11 de Agosto
Copom

Selic a 14,25%: Banco Central define novos rumos do juro em meio a cessar-fogo no Oriente Médio

O Banco Central decide hoje o futuro da Selic. Com expectativa de corte para 14,25%, entenda como o cenário global e a inflação doméstica travam novas quedas.

17 jun 2026 - 08h51 Joice Gomes   atualizado às 08h52
Selic a 14,25%: Banco Central define novos rumos do juro em meio a cessar-fogo no Oriente Médio O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, lidera reunião do Copom que define rumos da taxa Selic. (Imagem: gerado por IA)

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne nesta quarta-feira (17) sob um clima de cautela e expectativa redobrada por parte do mercado financeiro. A tendência, consolidada pela maioria dos analistas, é de que a autoridade monetária anuncie o terceiro corte consecutivo de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, reduzindo os juros básicos da economia de 14,5% para 14,25% ao ano.

Um retorno ao patamar histórico de crise

Se confirmada a redução, a Selic atingirá um nível que não era visto desde o conturbado período entre julho de 2015 e outubro de 2016. Na época, o Brasil enfrentava a crise política e econômica que culminou no impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. O retorno a esse patamar simbólico levanta discussões sobre o fôlego da economia brasileira e a capacidade do Banco Central de manter o ritmo de cortes diante de um cenário global e doméstico que se tornou mais complexo nas últimas semanas.

A reunião de hoje é conduzida por Gabriel Galípolo, presidente do BC, que tem a missão de equilibrar a necessidade de estimular a atividade econômica com o compromisso de manter a inflação dentro da meta. No entanto, o otimismo com a queda dos juros é temperado por sinais de que o espaço para novas reduções está ficando cada vez mais curto.

O fator Irã e o preço do petróleo

Um dos pontos centrais que movimentou as mesas de operação nos últimos dias foi o acordo preliminar entre Estados Unidos e Irã para um novo cessar-fogo. No papel, a trégua deveria aliviar a pressão sobre os preços internacionais do petróleo, especialmente com a possível normalização do tráfego no Estreito de Ormuz, ponto nevrálgico para o escoamento da produção mundial. Contudo, para o cenário brasileiro, esse alívio pode ser mais psicológico do que prático.

Especialistas apontam que a Petrobras e o governo federal já vinham absorvendo parte da volatilidade internacional por meio de subsídios e desonerações. Com isso, mesmo que o barril de petróleo apresente queda no mercado externo, o reflexo direto nas bombas e, consequentemente, no IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), tende a ser limitado. Essa resistência da inflação doméstica é o que faz o Banco Central adotar o termo "calibração" em vez de um ciclo de cortes agressivo.

Incertezas sobre o fim do ciclo de cortes

A pesquisa realizada pelo Valor Pro aponta que 94 das 112 instituições consultadas apostam na queda para 14,25%. Entretanto, o consenso para as próximas reuniões é inexistente. O economista Leonardo França Costa, do ASA, avalia que este pode ser, inclusive, o último corte do ciclo. Ele destaca que o mercado de trabalho aquecido no Brasil e a atividade econômica resiliente pressionam os preços de serviços, dificultando o trabalho do BC em fazer a inflação convergir para a meta de 3,0%.

Na última ata do Copom, o Banco Central já havia sinalizado que a magnitude e a duração desse ajuste seriam determinadas ao longo do tempo. Atualmente, o mercado trabalha com projeções do Boletim Focus que colocam a inflação de 2024 em 5,30%, bem acima do teto de tolerância. Esse descolamento das expectativas em relação à meta é o principal freio para que Galípolo e sua equipe decidam por novas reduções no segundo semestre.

O que muda para o consumidor e para o investidor?

Embora a redução de 0,25 ponto pareça pequena, ela tem um efeito em cascata. Para o investidor, a renda fixa continua extremamente atrativa, mantendo retornos reais robustos mesmo com a Selic a 14,25%. Já para o setor de varejo e consumo, o alívio é tímido. O custo do crédito para empresas e famílias ainda permanece em patamares restritivos, o que deve manter o ritmo de crescimento do PIB sob monitoramento rigoroso.

O desdobramento da reunião desta quarta-feira será fundamental para entender o tom que o Banco Central adotará para o restante do ano. Se o comunicado vier com um tom mais "hawkish" (rigoroso com a inflação), o mercado deve começar a precificar a manutenção da taxa nos 14,25% por um longo período, frustrando quem esperava juros mais baixos para o encerramento de 2024.

Leia Também
Gargalo no Porto de Santos: como blindar suas cargas contra o recorde de atrasos
Logística Gargalo no Porto de Santos: como blindar suas cargas contra o recorde de atrasos
Mongaguá abre pedidos de 50% de desconto no IPTU para idosos e aposentados
Desconto no IPTU Mongaguá abre pedidos de 50% de desconto no IPTU para idosos e aposentados
Sebrae-SP abre inscrições gratuitas para o programa ALI Rural no Vale do Ribeira
Programa ALI Rural no Vale do Ribeira Sebrae-SP abre inscrições gratuitas para o programa ALI Rural no Vale do Ribeira
Mongaguá convoca empresários e contadores para alinhar FacilitaSP e ISS
FacilitaSP e ISS Mongaguá convoca empresários e contadores para alinhar FacilitaSP e ISS
São Vicente abre 60 vagas em cursos gratuitos de Logística e Almoxarife
Cursos gratuitos São Vicente abre 60 vagas em cursos gratuitos de Logística e Almoxarife
Bolsa Família: Caixa paga parcela de julho para NIS final 7; veja regras
Bolsa Família Bolsa Família: Caixa paga parcela de julho para NIS final 7; veja regras
Leilão da Receita Federal em SP traz iPhones, notebooks e VR com lances baixos
Leilão Leilão da Receita Federal em SP traz iPhones, notebooks e VR com lances baixos
Bolsa Família de julho libera saques para NIS final 6; veja valores e regras
Bolsa Família Bolsa Família de julho libera saques para NIS final 6; veja valores e regras
Bolsa Família de julho libera saques para NIS final 4; veja as regras
Bolsa Família Bolsa Família de julho libera saques para NIS final 4; veja as regras
Governo antecipa 1,8 GW de energia contra o pior El Niño em décadas
Setor Elétrico Governo antecipa 1,8 GW de energia contra o pior El Niño em décadas
Mais Lidas
Guarujá mobiliza rede de apoio à mulher neste sábado em mutirão do Agosto Lilás
Agosto Lilás Guarujá mobiliza rede de apoio à mulher neste sábado em mutirão do Agosto Lilás
Guarujá realiza mutirão de acolhimento e assessoria jurídica para mulheres neste sábado, fortalecendo a rede de apoio contra a violência doméstica.
Cidades da Baixada Santista unem forças para criar pacto regional para população de rua
Força tarefa atende vulneráveis Cidades da Baixada Santista unem forças para criar pacto regional para população de rua
Municípios da Baixada Santista estruturam ação conjunta e cadastro único para qualificar o atendimento à população de rua e frear a migração entre as cidades.
Guarujá brilha no Jiu-Jitsu nacional com recorde de medalhas e revela força do esporte de base
Jiu-Jitsu nacional Guarujá brilha no Jiu-Jitsu nacional com recorde de medalhas e revela força do esporte de base
Comitiva de 30 atletas de Guarujá brilha no Campeonato Nacional da CBJJE, conquistando 32 medalhas e destacando a força das artes marciais da Baixada Santista.
Sabesp acelera obras de saneamento para blindar abastecimento na Baixada Santista
Sabesp Sabesp acelera obras de saneamento para blindar abastecimento na Baixada Santista
Sabesp acelera obras em Cubatão, Guarujá, Praia Grande e São Vicente para garantir segurança hídrica e modernizar a rede de saneamento básico na região.