Entregadores de aplicativos agora contam com linha de crédito especial para aquisição de veículos zero quilômetro.
(Imagem: gerado por IA)
A partir do dia 13 de julho, uma nova realidade começa para milhares de profissionais que atuam no transporte de mercadorias e passageiros em todo o país. O governo federal oficializou o lançamento do Move Brasil - Entregadores e Motoapp, uma linha de crédito desenhada especificamente para quem faz a economia girar em cima de duas rodas. O grande diferencial desta iniciativa é a promessa de juros significativamente menores que os do mercado e a possibilidade de financiar até 100% do valor do veículo, eliminando a barreira da entrada em dinheiro.
A medida chega em um momento crucial de expansão da economia de plataformas e busca atacar um dos maiores gargalos da categoria: o alto custo operacional para manter o instrumento de trabalho. Atualmente, muitos entregadores ficam presos a contratos de aluguel que consomem boa parte da renda mensal. Com o novo programa, o objetivo central é que o valor da parcela mensal do financiamento seja, em muitos casos, inferior ao que se paga hoje apenas para utilizar uma moto alugada.
Condições de crédito e taxas diferenciadas
O Move Brasil não é apenas um financiamento comum; ele traz condições estruturadas para a realidade do trabalhador autônomo. As taxas de juros são um dos pontos altos, variando de acordo com o gênero do beneficiário como forma de incentivo à inclusão. Para o público masculino, a taxa praticada pelos bancos parceiros será de 12,5% ao ano. Já para as mulheres, o índice cai para 11,5%.
Se compararmos com as taxas médias do mercado para esse tipo de operação, que costumam oscilar entre 25% e 30% ao ano, a economia no bolso do trabalhador é drástica. Além disso, o prazo de quitação chega a 48 meses, com uma carência de dois meses para o pagamento da primeira parcela. Essa folga permite que o entregador coloque o novo veículo para rodar e gere a própria renda necessária para quitar o boleto antes mesmo do primeiro vencimento.
Quem pode participar e quais veículos são aceitos?
O programa possui regras claras de elegibilidade para garantir que o crédito chegue a quem realmente vive da atividade. Podem pleitear o financiamento tanto profissionais autônomos de aplicativos quanto trabalhadores com carteira assinada (CLT) que atuem em entregas ou transporte de passageiros. Os critérios básicos incluem ter CNH categoria “A”, estar cadastrado em plataformas há pelo menos seis meses e ter realizado, no mínimo, 100 corridas comprovadas.
Quanto aos veículos, o foco é na produção nacional e na transição para modelos mais sustentáveis. O financiamento cobre desde bicicletas elétricas (até 1.000W) até motocicletas flex de até 160 cilindradas. Modelos elétricos de até 7.500W também estão incluídos, o que fomenta a renovação da frota por veículos mais econômicos e menos poluentes. O programa também permite financiar o seguro prestamista, garantindo que a dívida seja quitada em casos de fatalidade ou desemprego.
Como funciona o processo de adesão?
O caminho para o novo veículo começa no ambiente digital. O profissional deve acessar o portal oficial gov.br/movebrasil e realizar o cadastro inicial. Nesta etapa, é fundamental autorizar o compartilhamento de dados, pois é através dessa permissão que o governo validará o tempo de serviço e o volume de entregas diretamente com as empresas parceiras. Após a confirmação do cadastro, que leva até cinco dias úteis, o interessado deve procurar a Caixa Econômica Federal, o Banco do Brasil ou outras instituições parceiras para a análise de crédito final.
Para muitos, o Move Brasil representa a chance de sair da informalidade precária e construir um patrimônio próprio. O sucesso da medida agora depende da agilidade das instituições financeiras na ponta final e da capacidade dos profissionais em manterem sua organização financeira para aproveitar esta janela de oportunidade que promete transformar a logística urbana brasileira.