Exposição reúne acervo histórico de Victor Biglione na Casa Tao Brasil, no Rio de Janeiro. Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação.
(Imagem: gerado por IA)
A cena cultural do Rio de Janeiro se prepara para uma imersão profunda na trajetória de um dos maiores virtuosos das cordas no país. A partir desta sexta-feira (15), a Casa Tao Brasil, situada na histórica região da Lapa, abre as portas para a exposição gratuita "Victor Biglione - Seis Cordas para as Estrelas". A mostra não é apenas uma retrospectiva, mas um tributo vivo aos 50 anos de uma carreira que se funde com a própria história da Música Popular Brasileira (MPB).
Da resistência argentina ao estrelato brasileiro
A caminhada de Victor Biglione é marcada por superação. Nascido na Argentina, ele desembarcou no Brasil em 1964, buscando refúgio como foragido político. Mal sabia o jovem músico que seu destino estaria selado nas seis cordas de sua guitarra. Em solo brasileiro, Biglione não apenas encontrou um novo lar, mas tornou-se um pilar técnico e criativo da nossa produção fonográfica. Segundo dados do Instituto Cultural Cravo Albin, ele é o guitarrista com o maior volume de contribuições em gravações e apresentações ao vivo na cronologia musical do país.
A exposição, que ficará disponível para visitação até o dia 17 de julho, traz um olhar minucioso sobre essa produtividade quase inacreditável. O curador Cesar Oiticica Filho organizou um acervo que humaniza o ídolo, revelando os bastidores de meio século de arte. "É um momento de festejar uma luta maravilhosa. Esta exposição representa a etapa mais importante e emocionante da minha trajetória", celebra Biglione.
O acervo: guitarras que moldaram gerações
Os visitantes encontrarão cerca de 150 itens selecionados a dedo. Entre os objetos mais aguardados estão as guitarras e violões que Biglione empunhou em colaborações que definiram décadas. Estão expostos os instrumentos que deram o tom aos álbuns de blues da inesquecível Cássia Eller, além de peças utilizadas em estúdio com o ícone Roberto Carlos e parcerias internacionais como Andy Summers, do The Police.
Um dos pontos altos da mostra é a exibição de um duelo musical histórico entre Biglione e a saudosa Gal Costa. O vídeo captura um diálogo visceral entre a voz da cantora e as notas precisas da guitarra, simbolizando a fusão perfeita entre técnica e emoção que o músico sempre buscou. Na abertura oficial, nesta sexta às 19h, o público poderá testemunhar o talento de Victor em uma performance musical exclusiva, marcando o início da temporada.
Números de uma lenda viva
A magnitude da carreira de Biglione é traduzida por estatísticas que impressionam. São 1.170 fonogramas registrados, parcerias com mais de 300 nomes de peso da MPB e 30 trilhas sonoras compostas para o cinema nacional. Ao longo dos anos, ele acumulou 25 prêmios de relevância, incluindo dois Grammys e dois troféus Kikito. Sua influência ultrapassou as fronteiras nacionais em mais de 55 turnês internacionais, levando o som brasileiro para casas de jazz e festivais de rock em 25 países.
Passando por grupos fundamentais como A Cor do Som e o lendário Som Imaginário, Biglione consolidou uma sonoridade que transita entre o clássico e o vanguardista. A exposição oferece uma oportunidade única de entender como um único músico pôde estar presente em tantos momentos cruciais da cultura brasileira. A visitação ocorre de segunda a sábado, das 12h às 19h, transformando a Lapa no epicentro da memória musical do Rio neste inverno.