São Paulo | 19ºC
Seg, 31 de Agosto
Mercado Financeiro Principais ações negociadas na B3
B3 • Brasil
Cotações fornecidas por TradingView Valores sujeitos a atraso de mercado
Economia

Fim da 'taxa das blusinhas': o que muda para o seu bolso e por que a indústria está em alerta

Governo federal zera o imposto de 20% para compras internacionais de até US$ 50. Medida gera alívio para consumidores, mas revolta indústria e varejo nacional.

13 mai 2026 - 08h35 Joice Gomes   atualizado às 08h38
Fim da 'taxa das blusinhas': o que muda para o seu bolso e por que a indústria está em alerta Consumidores brasileiros terão isenção de imposto federal em compras de até 50 dólares em sites estrangeiros. (Imagem: gerado por IA)

A partir desta quarta-feira (13), o cenário das compras internacionais para o consumidor brasileiro sofre uma reviravolta significativa. Com a assinatura de uma nova Medida Provisória pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a polêmica "taxa das blusinhas", o imposto federal de importação de 20% sobre compras de até US$ 50, foi oficialmente zerada. A medida, que visa aliviar o bolso do cidadão, especialmente das classes C, D e E, reacendeu um debate acalorado entre defensores do livre mercado e representantes do setor produtivo nacional.

O que muda na prática para o consumidor?

Com a nova regra, as encomendas internacionais que custam até 50 dólares (aproximadamente R$ 250, dependendo da cotação) deixam de pagar os 20% de tributo federal. No entanto, é importante ressaltar que a isenção não é total: o Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), que é um tributo estadual, permanece sendo cobrado com uma alíquota fixa de 17% em todo o país. Na prática, o produto fica consideravelmente mais barato, mas não livre de encargos.

Para compras que excedam o valor de US$ 50, nada muda. O governo manteve a tributação de 60%, além do ICMS estadual, seguindo as diretrizes do programa Remessa Conforme, que já vinha regularizando o fluxo de mercadorias vindas de plataformas como Shein, Shopee e AliExpress.

A revolta da indústria nacional: o risco de desindustrialização

Se por um lado o consumidor comemora, o setor industrial e o varejo brasileiro receberam a notícia com indignação. Entidades de peso, como a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e o Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV), emitiram notas duras contra a decisão. O argumento central é a falta de isonomia tributária: enquanto o fabricante brasileiro paga impostos sobre a folha, sobre a produção e sobre o consumo, o produto estrangeiro entra no país com uma carga mínima.

A CNI alertou que a medida cria uma vantagem desleal para fabricantes estrangeiros, o que pode levar ao fechamento de fábricas e à destruição de postos de trabalho no Brasil. Segundo o IDV, a manutenção da taxa havia gerado resultados positivos, com a criação de 107 mil novos empregos no último ano. Agora, teme-se que esse avanço seja perdido. A Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) classificou a revogação como "extremamente equivocada", destacando que o Brasil já enfrenta custos regulatórios e juros altos, o que torna a competição com as gigantes asiáticas quase impossível sem a barreira tributária.

A visão do governo e das plataformas

O Ministério da Fazenda, representado pelo secretário executivo Rogério Ceron, justificou a isenção como um resultado do sucesso no combate ao contrabando. Segundo o governo, após três anos de endurecimento na fiscalização e a implementação do Remessa Conforme, o setor foi regularizado o suficiente para permitir essa flexibilização sem comprometer a ordem tributária.

As plataformas digitais, representadas pela Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), celebraram a decisão. Para o grupo, que inclui Amazon e Alibaba, a taxa era regressiva e penalizava justamente a população de menor renda, que utiliza essas plataformas para adquirir itens básicos de vestuário e acessórios que muitas vezes não encontram substitutos diretos no mercado interno com o mesmo preço.

Impacto econômico e arrecadação

Um ponto que chama a atenção de economistas é a renúncia fiscal. Entre janeiro e abril de 2024, a arrecadação com esse imposto havia somado R$ 1,78 bilhão, um crescimento de 25% em relação ao ano anterior. Ao zerar a alíquota, o governo abre mão de uma fonte importante de receita em um momento de busca pelo equilíbrio das contas públicas, o que sugere que o movimento teve um forte componente político e de apelo popular.

O desdobramento desse embate deve continuar no Congresso e nos tribunais. Setores do varejo já sinalizam que podem acionar a justiça ou pressionar parlamentares por medidas compensatórias, como a desoneração da folha de pagamento de forma mais ampla, para tentar equilibrar o jogo contra a invasão de produtos internacionais.

Leia Também
Programa de renegociação de dívidas termina nesta segunda-feira; veja quem ainda pode aderir
RENEGOCIAÇÃO DE DÍVIDAS Programa de renegociação de dívidas termina nesta segunda-feira; veja quem ainda pode aderir
Concessão do canal do Porto de Santos racha setor sobre futuro de gestão pública ou privada
Economia Concessão do canal do Porto de Santos racha setor sobre futuro de gestão pública ou privada
Santos oferece curso gratuito de marketing digital para mulheres; saiba como participar
Economia Santos oferece curso gratuito de marketing digital para mulheres; saiba como participar
Camex prorroga imposto de 12% sobre exportação de petróleo, mas cobrança está suspensa por liminar
PETRÓLEO E TRIBUTAÇÃO Camex prorroga imposto de 12% sobre exportação de petróleo, mas cobrança está suspensa por liminar
CMN eleva remuneração de fundos do Eco Invest Brasil e teto pode chegar a 4% ao ano
FINANÇAS VERDES CMN eleva remuneração de fundos do Eco Invest Brasil e teto pode chegar a 4% ao ano
CMN amplia crédito para fertilizantes e reduz custo de financiamento para minerais críticos
PLANO BRASIL SOBERANO CMN amplia crédito para fertilizantes e reduz custo de financiamento para minerais críticos
Move Brasil eleva teto para R$ 200 mil e amplia prazo de financiamento para taxistas e motoristas de app
CRÉDITO PARA MOTORISTAS Move Brasil eleva teto para R$ 200 mil e amplia prazo de financiamento para taxistas e motoristas de app
Bolsa Família de agosto paga beneficiários com NIS final 8 nesta quinta-feira
BOLSA FAMÍLIA Bolsa Família de agosto paga beneficiários com NIS final 8 nesta quinta-feira
Lucro da Caixa cresce 5,9% e chega a R$ 3,9 bilhões no segundo trimestre
BALANÇO FINANCEIRO Lucro da Caixa cresce 5,9% e chega a R$ 3,9 bilhões no segundo trimestre
Dona de Habib’s e Ragazzo entra em recuperação judicial com dívida de R$ 265,2 milhões
RECUPERAÇÃO JUDICIAL Dona de Habib’s e Ragazzo entra em recuperação judicial com dívida de R$ 265,2 milhões
Mais Lidas
GURI abre 800 vagas gratuitas de música na Baixada Santista; veja como se inscrever
Cotidiano GURI abre 800 vagas gratuitas de música na Baixada Santista; veja como se inscrever
GURI abre inscrições para 800 vagas de música gratuitas na Baixada Santista. Saiba prazos, cursos disponíveis e como matricular crianças e jovens.
CMN eleva remuneração de fundos do Eco Invest Brasil e teto pode chegar a 4% ao ano
FINANÇAS VERDES CMN eleva remuneração de fundos do Eco Invest Brasil e teto pode chegar a 4% ao ano
CMN eleva de 2% para 3% ao ano o teto de remuneração das instituições que operam fundos do quinto leilão do Eco Invest Brasil; custo total pode chegar a 4% ao ano.
Debate e atos políticos marcam domingo dos candidatos à Presidência
ELEIÇÕES 2026 Debate e atos políticos marcam domingo dos candidatos à Presidência
Domingo (23) teve primeiro debate presidencial de 2026, com Augusto Cury, Renan Santos e Ronaldo Caiado, além de atos de campanha em diferentes cidades.
Mudança na linha 153 em Santos amplia pontos e altera rota a partir de sábado
Cidades Mudança na linha 153 em Santos amplia pontos e altera rota a partir de sábado
A linha 153 em Santos terá novo itinerário e cinco novos pontos de parada a partir deste sábado. Mudança melhora a ligação entre o Rádio Clube e o José Menino.