Furacão Melissa ao tocar terra na Jamaica.
(Imagem: NOAA)
O furacão Melissa teve sua intensidade máxima confirmada em análise pós-tempestade e passou a figurar como o mais intenso já registrado no Atlântico quando o critério é vento máximo sustentado, segundo o relatório final publicado pelo Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos (NHC). O documento consolida medições de reconhecimento aéreo, estimativas por satélite e reavaliações técnicas feitas após o fim do evento, prática comum para fechar estatísticas oficiais de ciclones tropicais.
De acordo com o NHC, o Melissa atingiu 190 mph (cerca de 305 km/h) de vento máximo sustentado, marca que o coloca no topo do ranking em termos de vento na bacia atlântica, em empate com o furacão Allen (1980). A mesma revisão também aponta que a pressão mínima central do Melissa caiu para 892 milibares, igualando a do furacão de 1935 e ficando entre as menores já observadas no Atlântico, o que reforça o nível extraordinário de organização do sistema.
Além do vento sustentado, a tempestade entrou para a lista dos eventos mais extremos já documentados por instrumentos: uma sonda lançada por aeronave registrou rajada instantânea de 252 mph (406 km/h), valor descrito como o mais alto já medido por esse tipo de equipamento em ciclones tropicais no mundo. Esse tipo de dado não substitui o “vento sustentado” (que é o padrão para classificação), mas ajuda a dimensionar a violência das condições em torno do olho e das paredes do olho do furacão.
A confirmação do Melissa como recordista em ventos sustentados não significa que ele tenha sido o “mais intenso” em todos os critérios usados na meteorologia. Tradicionalmente, muitos rankings de “mais forte do Atlântico” consideram a menor pressão central, e nesse parâmetro o furacão Wilma (2005) ainda é frequentemente citado como referência histórica de pressão mínima extremamente baixa. Na prática, vento e pressão caminham juntos, mas não são medidas idênticas e podem produzir ordenações diferentes dependendo do método adotado.
O que o relatório final confirma
Relatórios finais de ciclones são importantes porque revisam números divulgados durante a emergência, quando ainda há incerteza e dados chegam em tempo real. No caso do Melissa, o NHC descreve que a confirmação da intensidade veio do conjunto de evidências: reconhecimento aéreo (com aeronaves especializadas), imagens de satélite e medições diretas e indiretas de instrumentos meteorológicos utilizados em missões sobre a tempestade.
O documento consolida que o Melissa atingiu seu pico de intensidade em 28 de outubro de 2025, quando o centro do sistema estava ao sul-sudoeste da Jamaica. Pouco depois, tocou terra como furacão de Categoria 5, levando ventos extremos e uma combinação de maré de tempestade e chuva intensa que se traduziu em grande destruição em áreas expostas e vulneráveis.
- Vento máximo sustentado no pico: 190 mph (cerca de 305 km/h), em empate no topo histórico do Atlântico em vento com Allen (1980).
- Pressão mínima central: 892 milibares, empatando com o furacão de 1935 entre as menores já registradas no Atlântico.
- Rajada instantânea medida por sonda: 252 mph (406 km/h), descrita como recorde mundial para esse tipo de medição em ciclone tropical.
Por que isso importa na prática
Quando um furacão é confirmado com números recordes, o impacto vai além da curiosidade histórica. O caso do Melissa ajuda a calibrar modelos meteorológicos, refinar protocolos de alerta e atualizar a compreensão sobre os limites observados de intensificação em ambientes oceânicos favoráveis, especialmente em regiões onde a população e a infraestrutura costeira concentram riscos.
Na comunicação de risco, o detalhe técnico faz diferença: “vento sustentado” é o parâmetro que define categoria do furacão e orienta grande parte das decisões de preparação (reforço estrutural, evacuação, interrupção preventiva de serviços). Ao mesmo tempo, a combinação de maré de tempestade e chuva extrema costuma ser a principal causa de mortes e perdas materiais, e o histórico do Melissa mostra como a ameaça pode se manter alta mesmo quando o foco público fica preso apenas à categoria.
Há também um efeito de longo prazo: seguradoras, planejamento urbano e sistemas de defesa civil utilizam séries históricas para precificação de risco, obras de proteção e revisão de códigos de construção. Quando um evento como o Melissa entra no topo da estatística, ele tende a ser incorporado como “novo extremo” de referência em estudos e políticas públicas.
Impactos relatados no Caribe
A força do Melissa foi acompanhada por efeitos típicos de grandes furacões: elevação anormal do nível do mar (maré de tempestade), ventos destrutivos e volumes de chuva capazes de provocar enxurradas e deslizamentos. O relatório citado na publicação descreve maré de tempestade entre 2,1 e 3,3 metros na costa sudoeste jamaicana e acumulados de chuva que superaram 800 milímetros em pontos de relevo, com registros acima de 890 milímetros no Haiti, cenário compatível com enchentes rápidas e ruptura de encostas.
No balanço final mencionado, o evento deixou ao menos 95 mortes, com dezenas de vítimas na Jamaica e no Haiti, além de prejuízos econômicos bilionários em territórios fortemente afetados. Em termos de danos, a estimativa citada para a Jamaica chega a US$ 8,8 bilhões, valor expressivo quando comparado ao tamanho da economia local e à concentração de infraestrutura em zonas costeiras.
- Principais ameaças associadas: vento extremo, maré de tempestade e chuva intensa com risco de enchentes e deslizamentos.
- Efeitos imediatos mais comuns: destruição de telhados e redes elétricas, inundação costeira e interrupção de transporte e comunicações.
- Consequências pós-evento: deslocamento de famílias, contaminação de água, perdas agrícolas e aumento de doenças relacionadas a alagamentos.
O que pode acontecer a partir de agora
Com a publicação do relatório final, a temporada passa a ter seus números “fechados” do ponto de vista estatístico, o que influencia bases de dados, análises acadêmicas e comparações históricas. O Melissa também tende a se tornar um caso de estudo para intensificação rápida e para avaliação de desempenho de previsões de trajetória e intensidade, porque eventos recordistas costumam motivar revisões metodológicas e novas rotinas de validação.
Outra consequência provável é o fortalecimento do debate sobre preparação costeira e comunicação de risco. Mesmo quando há previsões e alertas, tempestades dessa magnitude colocam em evidência limites de infraestrutura, vulnerabilidades sociais e a necessidade de rotas de evacuação, abrigos e sistemas de alerta que funcionem sob falhas de energia e de telecomunicações.
Por fim, o histórico do Melissa deve seguir sendo confrontado com o critério de “mais intenso” por pressão, em que o furacão Wilma (2005) permanece como referência de pressão mínima extremamente baixa no Atlântico. Essa distinção ajuda o leitor a entender que um mesmo rótulo (“o mais intenso”) pode variar conforme o indicador adotado, e por isso relatórios oficiais e critérios técnicos são decisivos para evitar confusão.