Polícia Federal intensifica combate a organização especializada em lavagem de capitais via empresas, criptoativos e transferências..
(Imagem: Polícia Federal/Divulgação)
Na manhã desta quinta-feira (26), a Polícia Federal deflagrou uma nova etapa da Operação Narco Azimut, visando aprofundar as investigações sobre uma organização criminosa dedicada à lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
Os agentes atuam em São Paulo (capital, Santos, Ilhabela e Taboão da Serra) e Balneário Camboriú (SC), cumprindo 26 mandados de busca e apreensão e prisão temporária, com o apoio de 60 policiais federais.
Desdobramento de investigações anteriores
A operação surge como continuidade das ações Narco Bet e da fase inicial da Narco Azimut, deflagrada em janeiro deste ano. Naquele momento, a PF identificou uma associação criminosa estruturada que movimentava grandes somas em espécie, transferências bancárias e criptoativos, tanto no Brasil quanto no exterior.
As apurações revelaram que os investigados utilizavam empresas de fachada para ocultar a origem ilícita dos recursos, muitos ligados ao narcotráfico internacional. Na fase de janeiro, foram lavados mais de R$ 39 milhões, incluindo R$ 15,5 milhões em espécie, R$ 8,7 milhões em transferências e R$ 15,4 milhões em criptomoedas.
A Justiça Federal já havia expedido mandados em cidades como Santos, Ferraz de Vasconcelos, São Bernardo do Campo, São José dos Campos, Goiânia e Armação de Búzios (RJ), resultando em prisões temporárias e bloqueios de bens.
Medidas judiciais e escala da ação
Nesta nova ofensiva, a 5ª Vara Federal de Santos determinou o sequestro de bens e valores dos alvos até o montante de R$ 934 milhões, além de proibir movimentações empresariais e transferências de patrimônio ligado às atividades criminosas.
Os crimes investigados incluem associação criminosa, lavagem de capitais e evasão de divisas, com penas que podem superar 20 anos de reclusão para cada delito. A PF destaca que as empresas serviam como veículos para inserir recursos sujos na economia formal.
Os 60 agentes envolvidos reforçam a dimensão da operação, que busca coletar provas adicionais, como documentos, equipamentos eletrônicos e valores em espécie, para mapear toda a rede.
Contexto do esquema criminoso
A rede operava com sofisticação, explorando o mercado de criptoativos para anonimato e rapidez nas transações internacionais. Transferências para o exterior facilitavam a evasão de divisas, enquanto o transporte de dinheiro em espécie por vias terrestres evitava rastreamentos bancários.
Desde a Operação Narco Bet, em outubro de 2025, a PF desarticulou esquemas semelhantes ligados a casas de apostas online (bets) e rifas ilegais, usados para branquear capitais do tráfico de cocaína via rotas marítimas. Naquela ação, foram presas 11 pessoas, apreendidos veículos de luxo e bloqueados R$ 630 milhões.
O Ministério Público Federal denunciou participantes, incluindo empresários e influenciadores, reforçando a conexão com o crime organizado. A atual fase expande o escopo, alcançando novas frentes em Santa Catarina, polo conhecido por movimentações financeiras suspeitas.
Impactos e consequências esperadas
O sequestro de R$ 934 milhões representa um golpe significativo ao patrimônio da organização, permitindo a recuperação de recursos para o erário público. Proibições judiciais visam paralisar as operações, impedindo a continuidade dos crimes.
As prisões temporárias darão à PF prazo para interrogatórios e análise de materiais apreendidos, podendo levar a indiciamentos e novas fases investigativas. Autoridades alertam para o risco de expansão dessas redes sem ações repressivas contínuas.
- Movimentação total identificada em fases anteriores: mais de R$ 39 milhões.
- Recursos em criptoativos: R$ 15,4 milhões.
- Bens bloqueados na Narco Bet: R$ 630 milhões.
- Novos alvos em SC fortalecem combate regional.
Especialistas em crimes financeiros destacam que o uso de criptomoedas e empresas laranjas complica o rastreamento, mas avanços tecnológicos da PF, como análise de blockchain, têm sido decisivos.
Relevância para o combate ao crime organizado
Operações como a Narco Azimut ilustram o esforço integrado da PF contra o fluxo financeiro do narcotráfico, que financia outras atividades criminosas. O Brasil, como rota de exportação de cocaína, enfrenta desafios crescentes com a digitalização do crime.
A ação em Balneário Camboriú chama atenção para o litoral catarinense como ponto de lavagem, similar a casos recentes envolvendo fundos de pensão. A expectativa é que os resultados fortaleçam mecanismos de controle, como comunicações obrigatórias ao Coaf.
Os investigados enfrentam não só penas criminais, mas também processos cíveis para decomposição de bens. A sociedade ganha com a redução de recursos para o crime, promovendo maior segurança e transparência no sistema financeiro.
Enquanto as diligências prosseguem, a PF mantém sigilo sobre nomes e detalhes para preservar a investigação. Atualizações serão divulgadas conforme avançarem as apurações.