O governo do Rio adia a abertura parcial do MIS em Copacabana, prevista para 26 de março.
(Imagem: Fernando Frazão/Agência Brasil)
O governo do estado do Rio de Janeiro adiou a inauguração parcial da nova sede do Museu da Imagem e do Som (MIS), na orla de Copacabana, prevista para esta quinta-feira (26). A decisão ocorre em um momento de instabilidade política, com o estado aguardando eleição indireta para governador após a renúncia de Cláudio Castro.
Em nota oficial, o Executivo fluminense informou que uma nova data será divulgada em breve, sem detalhar os motivos do adiamento. O cronograma original previa abertura ao público a partir de sábado (28), mas o evento foi suspenso para garantir todos os preparativos necessários.
Transição política influencia cronograma cultural
O adiamento coincide com a vacância no cargo de governador. Cláudio Castro renunciou na véspera de julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por abuso de poder político nas eleições de 2022. Com a saída dele e do vice, a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) conduzirá eleição indireta para escolher uma chapa tampão até o fim do mandato, em 2026.
O atual governador interino, o desembargador Ricardo Couto de Castro, presidente do Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ), assumiu o comando e prioriza a continuidade administrativa. Essa transição pode ter impactado eventos de grande visibilidade, como a abertura do MIS, para evitar controvérsias ou falhas logísticas.
Apesar do contratempo, outras atividades ligadas ao museu prosseguem. A corrida "MIS a MIS", marcada para domingo (29), com mais de 3 mil inscritos, sairá da sede histórica na Praça XV, passando pelo Aterro do Flamengo e Enseada de Botafogo até Copacabana. O percurso reforça a conexão entre o passado e o futuro da instituição.
História pioneira do MIS carioca
Inaugurado em 3 de setembro de 1965, pelo então governador Carlos Lacerda, como parte das comemorações do IV Centenário do Rio, o MIS foi o primeiro museu audiovisual do Brasil. Instalado inicialmente na Praça XV, em prédio histórico da Exposição do Centenário da Independência (1922), o espaço revolucionou a preservação de memória cultural ao priorizar som e imagem.
Desde sua criação, o museu acumulou um acervo monumental: mais de 500 mil itens, divididos em sete setores, como sonoro, audiovisual, iconográfico e textual. Destaques incluem coleções de Almirante, Jacob do Bandolim, Elizeth Cardoso, Nara Leão e Augusto Malta, além de 900 depoimentos orais no projeto "Depoimentos para a Posteridade", totalizando cerca de 4 mil horas de gravações.
A sede da Lapa abriga parte administrativa e reservas técnicas, garantindo a conservação. O presidente da Fundação MIS, Cesar Miranda Ribeiro, enfatiza que todo o acervo está preservado e acondicionado com segurança nessas unidades centrais, apesar das mudanças.
Nova sede: modernidade e vocação turística
A nova sede em Copacabana, no número 3.432 da Avenida Atlântica, representa um marco após 16 anos de obras iniciadas em 2010. Projetada pelo escritório americano Diller Scofidio + Renfro, a construção de oito andares evoca o calçadão ondulado da praia, com terraço para cinema ao ar livre, restaurante panorâmico e espaços multimídia.
O investimento estadual superou R$ 90 milhões, contra os R$ 70 milhões previstos inicialmente. Diferente das sedes históricas, o espaço foca em tecnologia, exposições temáticas e experimentação museológica, visando atrair o grande público e turistas. Ele incorporará o acervo do Museu Carmen Miranda, fechado no Aterro do Flamengo.
"A nova sede nasce com outra vocação: voltada à tecnologia, exposições temáticas, experimentação museológica e ampliação do diálogo com o público, fortalecendo o potencial turístico e educativo do Rio", explica Cesar Miranda Ribeiro. Andares dedicados a humor carioca, música popular, TV brasileira e evolução urbana prometem imersão digital, com pouca presença física do acervo para priorizar interatividade.
Impactos do adiamento e perspectivas futuras
O atraso frustra expectativas após anos de expectativa, mas não compromete a preservação cultural. O MIS continua ativo com exposições como "Janete Clair 100 Anos" e parcerias, como com o Museu do Samba. Iniciativas recentes incluem depoimentos com inteligência artificial e intercâmbios internacionais, como no Fórum Brasileiro de Museus da Imagem e do Som.
Para o Rio, a nova sede reforça a identidade cultural em um momento de recuperação pós-pandemia e turbulências políticas. A proximidade com a orla pode impulsionar o turismo, integrando o MIS a eventos como a Maratona do Rio em junho de 2026.
- Acervo preservado nas sedes da Praça XV e Lapa, com monitoramento ambiental e plano de riscos.
- Obras concluídas, aguardando apenas ajustes para abertura em data a definir.
- Eleição indireta na Alerj definirá governador até fim de 2026, com voto secreto.
- Correia "MIS a MIS" confirma mais de 3 mil participantes no dia 29.
- Projeto pioneiro desde 1965 inspira MIS em outros estados brasileiros.
A espera pelo Museu da Imagem e do Som reflete desafios comuns a grandes obras públicas, mas o legado da instituição permanece intacto, pronto para dialogar com novas gerações em um espaço icônico de Copacabana.