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Manifestação

Crise na USP: Estudantes e funcionários intensificam greve por moradia e auxílio

Estudantes e funcionários da USP intensificam greve por melhores condições de moradia e alimentação. Mais de 120 cursos estão parados em diversos campi da universidade.

24 abr 2026 - 08h31 Joice Gomes   atualizado às 08h33
Crise na USP: Estudantes e funcionários intensificam greve por moradia e auxílio Manifestantes ocupam ruas próximas ao campus Butantã da USP em defesa da permanência estudantil. (Imagem: gerado por IA)

A Universidade de São Paulo (USP), instituição de maior prestígio acadêmico do país, vive dias de intensa agitação e incertezas. Na última quinta-feira (23), centenas de estudantes tomaram as ruas do entorno do campus Butantã, na Zona Oeste da capital, em um protesto que expõe as feridas abertas na política de permanência estudantil da universidade. O movimento, que ganha corpo com a adesão de funcionários, reivindica o básico para a sobrevivência acadêmica: moradia digna, alimentação de qualidade e o fim dos cortes nas bolsas de auxílio.

A paralisação não é um evento isolado ou impulsivo. Desde o dia 15, a greve já atinge mais de 120 cursos espalhados por cinco dos dez campi da USP. O cenário descrito pelos manifestantes é alarmante e vai além do debate ideológico, tocando em questões de infraestrutura básica que afetam o cotidiano. Relatos de falta de água constante em moradias estudantis e a precarização dos restaurantes universitários, os populares "bandejões", são o combustível para a indignação que paralisou as salas de aula.

O que está em jogo na permanência estudantil

Para quem observa de fora, pode parecer apenas mais uma mobilização de calendário acadêmico, mas para os alunos que dependem do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE), a situação é de sobrevivência. Os cortes recentes no programa de bolsas e a escassez de vagas no CRUSP (Conjunto Residencial da USP) têm empurrado estudantes de baixa renda para uma situação de vulnerabilidade extrema, muitas vezes forçando o abandono dos estudos.

Júlia Urioste, coordenadora-geral do DCE Livre da USP e estudante de Artes Cênicas, resume o sentimento do movimento: "A universidade alega falta de recursos, o mesmo argumento usado para negar o reajuste dos funcionários. No entanto, vemos investimentos em itens questionáveis enquanto a permanência dos alunos é negligenciada". Segundo as lideranças estudantis, existe um superavit orçamentário que não está sendo revertido para as necessidades básicas da comunidade acadêmica.

União de forças: funcionários aderem à greve

O movimento ganhou uma camada extra de complexidade com a entrada dos funcionários na paralisação. A categoria protesta contra as perdas salariais acumuladas e a política de terceirização que, segundo o Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp), tem sucateado serviços essenciais. A situação nos restaurantes universitários é um exemplo nítido do problema: filas quilométricas, falta de pessoal e condições sanitárias que preocupam tanto quem trabalha quanto quem consome as refeições diariamente.

A demanda central agora é a abertura imediata de uma mesa de negociação direta com a reitoria. Os estudantes e servidores buscam um canal de diálogo que apresente soluções concretas e cronogramas de investimento, em vez de notas oficiais que não resolvem o problema da falta de moradia ou da insegurança alimentar nos campi do interior e da capital.

Próximos passos e o impacto no calendário letivo

Com a mobilização prevista para continuar nesta sexta-feira (24), o clima é de expectativa e tensão. Um novo ato está agendado para o período da manhã, desta vez com foco direto no prédio da reitoria, dentro do campus Butantã. A pressão cresce à medida que o semestre letivo avança e a universidade permanece em um impasse logístico e pedagógico que afeta milhares de famílias em todo o estado.

Enquanto a gestão central da universidade não apresenta uma contraproposta que atenda às exigências de investimento em permanência, a tendência é que o movimento se fortaleça. O que se discute hoje na USP não é apenas o valor de uma bolsa ou o cardápio de um restaurante, mas o modelo de universidade pública que se pretende manter no Brasil: uma instituição que inclua e sustente seus talentos, ou uma que se torne silenciosamente inacessível para as camadas mais pobres da população.

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