Militares brasileiros e franceses durante exercício anfíbio na Ilha da Marambaia, no Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
(Imagem: gerado por IA)
A tranquilidade das águas da Costa Verde fluminense deu lugar, nesta semana, a um cenário de cooperação militar de alta complexidade. Cerca de 1,7 mil militares da Marinha do Brasil e das Forças Armadas da França participaram de uma série de exercícios navais e anfíbios na Ilha da Marambaia, no Rio de Janeiro. A mobilização faz parte da Operação Jeanne d’Arc 2026, uma missão francesa de circunavegação que utiliza o território brasileiro como um dos seus pontos estratégicos mais importantes.
A força dos números e dos equipamentos
O treinamento não impressionou apenas pelo contingente humano, mas também pela tecnologia envolvida. O grande protagonista foi o navio-aeródromo francês Dixmude, um porta-helicópteros de assalto anfíbio com quase 200 metros de comprimento. A embarcação é uma verdadeira cidade flutuante: possui 12 andares, hospital com capacidade cirúrgica, academia, restaurante e pode transportar até 16 helicópteros e 110 veículos blindados.
Além do Dixmude, a operação contou com o apoio de submarinos, veículos anfíbios sobre lagartas (CLAnf), embarcações de desembarque e aeronaves. O deslocamento começou no porto do Rio de Janeiro, seguindo em direção a Itacuruçá, em Mangaratiba, onde os preparativos para o ponto alto da missão, o adestramento anfíbio, foram finalizados.
Intercâmbio de táticas: o que cada nação aprende
Para o Brasil, o exercício vai muito além da cortesia diplomática. O comandante do 2º Batalhão de Infantaria de Fuzileiros Navais, Luiz Felipe de Almeida Rodrigues, destacou que a troca de conhecimentos é o maior ganho para a tropa brasileira. Segundo o oficial, o Brasil oferece expertise em veículos blindados anfíbios que os franceses ainda não operam amplamente, enquanto a França compartilha sua vasta experiência em logística de projeção de poder a partir de grandes navios como o Dixmude.
Na terça-feira (28), o foco foi a transição crítica do ambiente marítimo para o terrestre. Os militares simularam a tomada de território, enfrentando campos minados virtuais, realizando exercícios de tiro real e praticando protocolos de primeiros socorros em combate. Essa integração permite que, em situações reais de conflito ou missões de paz, as duas marinhas consigam operar de forma conjunta sem ruídos de comunicação ou divergências táticas.
Geopolítica e o papel da França no Atlântico Sul
A presença constante da França na costa brasileira não é coincidência. Com a vizinha Guiana Francesa, o país europeu possui interesses territoriais e econômicos diretos na região. Manter parcerias sólidas com o Brasil, o ator naval mais relevante do Atlântico Sul, é fundamental para a estabilidade do continente.
O comandante do grupo francês, Jocelyn Delrieu, reforçou que a missão Jeanne d’Arc é um legado de séculos. A Marinha francesa atua globalmente há 400 anos para proteger interesses e aliados, e o Brasil é visto como um parceiro estratégico indispensável. A missão, que durará cinco meses ao redor do mundo, reafirma a capacidade de pronta resposta das forças envolvidas diante de crises internacionais ou emergências humanitárias.
Com o encerramento desta etapa no Rio de Janeiro, a frota francesa segue seu cronograma global, deixando para trás um rastro de cooperação técnica e o fortalecimento dos laços de defesa que unem as duas nações no mar.