Fachada do novo MIS na Avenida Atlântica: arquitetura que dialoga com o mar de Copacabana. Foto: Agência Brasil
(Imagem: gerado por IA)
A paisagem da Avenida Atlântica, em Copacabana, acaba de ganhar o capítulo mais aguardado de sua história recente. Após quase 20 anos de uma trajetória marcada por expectativas, pausas e desafios de engenharia, o Museu da Imagem e do Som (MIS) do Rio de Janeiro abriu parcialmente suas portas ao público. A reabertura traz a exposição Arquitetura em Cena – o MIS Copa antes da Imagem e do Som, que funciona como um convite para o carioca e o turista finalmente cruzarem a fachada futurista que se tornou um marco visual na orla.
Um projeto que verticaliza o calçadão
Concebido pelo renomado escritório nova-iorquino Diller Scofidio + Renfro, o novo MIS não foi pensado apenas como um depósito de memórias, mas como uma extensão viva da cidade. O conceito central é o de um "boulevard vertical". A ideia é que o famoso calçadão de pedras portuguesas de Burle Marx não termine na areia, mas suba pelas escadarias e rampas do museu, transformando o edifício em um grande mirante público para a praia mais famosa do mundo.
Segundo Larissa Graça, gerente de patrimônio e cultura da Fundação Roberto Marinho e curadora da mostra, o desenho arquitetônico foi pensado para ser democrático. “O escritório vencedor percebeu a importância da rua para o carioca. Eles propõem a verticalização da calçada, criando um diálogo constante entre o ambiente interno e a paisagem externa”, explica. Esse diálogo, porém, não veio sem desafios: a estrutura precisou de soluções complexas para abrigar, por exemplo, um auditório subterrâneo de 280 lugares localizado a 10 metros de profundidade, vizinho ao nível do mar.
Bastidores de uma obra histórica
A exposição atual, que ocupa o térreo e o mezanino, é um mergulho técnico e afetivo na construção do museu. Visitantes podem conferir maquetes, croquis originais e protótipos que explicam desde a demolição da antiga Boate Help, em 2010, até a finalização da estrutura de concreto em 2014. O percurso também não esconde as cicatrizes do tempo: as interrupções causadas pela crise fiscal do estado em 2016 e os impactos da pandemia são parte da narrativa de resiliência do equipamento cultural.
Para a Secretária estadual de Cultura e Economia Criativa, Danielle Barros, o momento é simbólico. “Estamos cortando a fita de uma exposição que celebra um legado. É o primeiro passo para entregarmos um complexo que abrigará mais de 1 milhão de itens, incluindo tesouros de Carmen Miranda, Pixinguinha e o acervo do fotógrafo Augusto Malta”, afirmou durante o evento de inauguração.
O que esperar do futuro MIS
Embora a abertura atual seja focada na arquitetura, o plano museográfico total promete ser um dos mais modernos da América Latina. Com previsão de conclusão total para o primeiro trimestre do próximo ano, o MIS contará com:
- Experiências imersivas: Pavimentos dedicados ao espírito carioca, ao samba e à história do funk;
- Gastronomia: Um restaurante panorâmico e café com vista privilegiada para o Leme ao Posto 6;
- Cinema ao ar livre: Um terraço projetado para exibições sob o céu de Copacabana;
- Pesquisa: Espaços dedicados à preservação da memória fonográfica e fotográfica do Brasil.
A recepção do público tem sido emocionante. Marta Azambuja, professora de arte de 93 anos, foi uma das primeiras a entrar. “Viajei muito pelo mundo e nunca encontrei um museu tão integrado à natureza”, relatou a moradora do bairro, sintetizando o sentimento de renovação que o prédio traz para a região.
Serviço e Visitação
A exposição Arquitetura em Cena pode ser visitada mediante agendamento prévio pelo site oficial do museu. A entrada controlada garante que o público possa explorar os detalhes da construção com segurança enquanto as etapas finais de acabamento e instalação da museografia definitiva seguem em ritmo acelerado nos andares superiores. O financiamento do projeto combina recursos do Governo do Estado com parcerias privadas via Lei Rouanet, consolidando um modelo de gestão mista para a cultura fluminense.