Agentes da Polícia Federal durante a execução dos mandados da Operação Off-Grade Coffee.
(Imagem: gerado por IA)
A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira (7), a Operação Off-Grade Coffee, uma ofensiva estratégica para desmantelar uma organização criminosa de alta periculosidade especializada no tráfico internacional de drogas. O grupo, que possuía uma estrutura empresarial robusta, utilizava o Porto do Rio de Janeiro como principal entreposto para o envio de grandes remessas de entorpecentes ao exterior, camufladas em carregamentos lícitos de café.
As investigações apontam que o nome da operação não é por acaso. "Off-grade" é um termo técnico utilizado no mercado de café para classificar grãos que não atingem os padrões de qualidade para exportação direta. No contexto criminal, a quadrilha aproveitava a logística de exportação de commodities brasileiras para inserir a droga nos contêineres, simulando operações comerciais legítimas para burlar a fiscalização alfandegária.
Estrutura empresarial e lavagem de dinheiro
O que chamou a atenção dos investigadores foi a sofisticação do método utilizado. Diferente de grupos amadores, esta organização operava com uma divisão de tarefas comparável à de grandes corporações. Para garantir que a droga chegasse ao destino sem levantar suspeitas, o grupo utilizava empresas de fachada e os chamados "laranjas" — pessoas que cediam nomes e CPFs para figurar em transações financeiras e documentos de exportação.
Esse emaranhado burocrático servia a dois propósitos principais: ocultar a origem ilícita do dinheiro e dificultar o rastreamento das cargas. Os agentes federais identificaram transações financeiras complexas que caracterizam o crime de lavagem de dinheiro, com movimentações bancárias fragmentadas para evitar alertas dos órgãos de controle financeiro.
Impacto nacional: Ações em quatro estados
A operação não ficou restrita ao Rio de Janeiro. Devido à capilaridade da rede criminosa, a Polícia Federal cumpriu três mandados de prisão preventiva e sete mandados de busca e apreensão abrangendo os estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais e São Paulo. Esses locais eram pontos estratégicos para a logística de aquisição do café, armazenamento da droga e coordenação financeira.
Além das prisões, a Justiça Federal determinou medidas cautelares rigorosas para outros envolvidos, incluindo o monitoramento eletrônico, a proibição de contato entre os investigados e restrições de deslocamento. O objetivo é isolar as lideranças e impedir que o esquema seja reativado sob novos nomes ou CNPJs.
Liderança e logística internacional
As provas colhidas até o momento revelam a existência de um núcleo central de comando. Um dos principais alvos da operação exercia o papel de liderança absoluta, sendo responsável por coordenar negociações internacionais com compradores em outros continentes, além de gerir a logística pesada de transporte e o controle rigoroso do carregamento dos contêineres.
Os demais membros atuavam na ponta operacional: intermediação comercial, fornecimento de empresas prontas (prateleira) para a exportação e a fiscalização direta da inserção da droga nas sacas de café. Com a desarticulação desse núcleo, a PF espera reduzir drasticamente o fluxo de entorpecentes que deixa o país pelo litoral fluminense.
Os investigados agora respondem por uma série de crimes graves, incluindo tráfico internacional de drogas, organização criminosa, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. As penas somadas podem ultrapassar os 30 anos de reclusão. A Polícia Federal continua a análise do material apreendido para identificar novos membros e rastrear o patrimônio oculto da organização, que pode resultar em novos bloqueios de bens e valores nas próximas semanas.