O mar avançou sobre a calçada e atingiu os jardins da orla de Santos durante a madrugada. Foto: Reprodução/Diário do Litoral
(Imagem: gerado por IA)
Moradores e turistas que frequentam a orla de Santos foram surpreendidos por um cenário de força da natureza na madrugada desta terça-feira (12). Uma forte ressaca atingiu o litoral paulista, fazendo com que o mar avançasse agressivamente sobre a faixa de areia, chegando a atingir a ciclovia e importantes vias de acesso à praia.
O avanço das águas e os impactos imediatos
O fenômeno, que já vinha sendo monitorado por órgãos meteorológicos, mostrou sua face mais intensa durante a maré alta. Imagens registradas mostram que o mar "engoliu" metros significativos de areia, um movimento que altera drasticamente a paisagem urbana da cidade. Além do avanço hídrico, a ventania que acompanhou o sistema meteorológico foi responsável por espalhar uma grande quantidade de folhas, resíduos e areia pelos jardins da orla, considerados os maiores do mundo.
Para quem transita pela Avenida da Praia, o alerta é de atenção redobrada. Pontos de alagamento foram formados em decorrência da água salgada que não conseguiu escoar rapidamente pelo sistema de drenagem, afetado pela pressão da própria maré. Motoristas relataram dificuldades em trechos entre os canais 1 e 3, onde a invasão da água costuma ser mais frequente em eventos dessa magnitude.
O que explica a força da maré?
Especialistas apontam que a combinação de ventos vindos do quadrante sul e a passagem de um sistema de baixa pressão no oceano potencializam o empilhamento das águas na costa. Esse cenário é agravado quando coincide com períodos de maré astronômica alta, criando a chamada "maré de tempestade".
A força das ondas não apenas reduz o espaço de lazer, mas também traz preocupações estruturais. O impacto constante da água salgada e o transporte de sedimentos podem danificar o mobiliário urbano e exigir um esforço extra das equipes de limpeza pública de Santos, que já trabalham para remover os detritos acumulados nos jardins e calçadas.
Orientações para a população e próximos passos
A Defesa Civil mantém o estado de observação e recomenda que banhistas e praticantes de esportes náuticos evitem o mar durante o período de ressaca. A correnteza torna-se imprevisível e o risco de acidentes nas áreas de rochas ou canais aumenta consideravelmente.
A tendência é que o mar continue agitado ao longo do dia, com possibilidade de novas ondas de impacto nas próximas janelas de maré alta. A prefeitura segue monitorando os danos e orienta que qualquer situação de risco, como quedas de árvores ou alagamentos severos, seja comunicada imediatamente via 199. O episódio serve como mais um lembrete dos desafios enfrentados pelas cidades litorâneas diante das variações climáticas, exigindo manutenção constante e planejamento para mitigar os efeitos do avanço marítimo.