Audiência pública em São Vicente debateu melhorias e padronização para as feiras livres da cidade.
(Imagem: gerado por IA)
A Prefeitura de São Vicente anunciou oficialmente a implementação de um novo modelo de organização para as feiras livres que ocorrem em diversos bairros da cidade. O anúncio é fruto de um diálogo direto estabelecido durante uma audiência pública realizada na sede da Associação Comercial de São Vicente (ACSV), no bairro Parque Bitaru. O encontro, que aconteceu na última segunda-feira (15), reuniu não apenas representantes da gestão municipal, mas também os próprios feirantes e moradores locais, visando um consenso sobre o funcionamento desses espaços tradicionais de comércio.
A principal preocupação da administração é garantir que as feiras continuem exercendo seu papel vital na economia local e no abastecimento das famílias, mas de uma forma que minimize os transtornos logísticos comuns a esse tipo de atividade, como o acúmulo de resíduos sólidos e o bloqueio excessivo de vias públicas. A decisão marca uma nova etapa na zeladoria urbana da primeira cidade do Brasil, equilibrando a conveniência de comprar produtos frescos perto de casa com a necessidade de manter a ordem pública.
Diálogo e manutenção das atividades
Diferente de rumores que circulavam sobre possíveis cancelamentos ou mudanças drásticas de endereços, a audiência confirmou a manutenção das feiras em seus locais tradicionais, porém sob uma nova lógica de padronização. A prefeitura destacou que a organização visual e a disposição das barracas passarão por uma revisão técnica para facilitar o fluxo de pedestres e garantir rotas de fuga ou passagens de emergência em casos de necessidade.
Para os feirantes, a notícia traz segurança jurídica e operacional. Muitos profissionais dependem exclusivamente desse comércio para o sustento familiar e temiam que novas regras pudessem inviabilizar o trabalho. Com a definição clara das diretrizes, o objetivo é que o feirante se torne um parceiro ainda mais ativo na manutenção do espaço que ocupa temporariamente.
Limpeza e sustentabilidade urbana
Um dos temas mais debatidos durante o encontro no Parque Bitaru foi o descarte de resíduos. As novas regras preveem uma fiscalização mais rigorosa e um cronograma mais ágil para a coleta de lixo logo após o encerramento das atividades. O objetivo é evitar que restos de alimentos, como cascas de mamão e outros vegetais fiquem expostos por muito tempo, o que atrai pragas e gera mau cheiro nos bairros residenciais.
A gestão municipal reforçou que a limpeza é uma responsabilidade compartilhada. Enquanto o poder público garante a logística de retirada, cabe ao comerciante manter seu entorno imediato organizado durante o horário de funcionamento. Essa medida visa atender a uma demanda antiga de moradores que residem nas ruas onde as feiras são montadas e que sofrem com a poluição visual e ambiental após a desmontagem das barracas.
Impacto na economia e no cotidiano
As feiras livres de São Vicente são muito mais do que simples pontos de venda de produtos de plantio direto e hortifrúti; elas são pontos de encontro social e cultural. Ao organizar o setor, a prefeitura também mira o fortalecimento desse "shopping a céu aberto", competindo de forma saudável com lojas e supermercados convencionais pela qualidade e pelo frescor dos produtos oferecidos.
A expectativa é que, com as novas regras em vigor, haja uma redução nas reclamações registradas junto à ouvidoria municipal relacionadas ao barulho na montagem e desmontagem das estruturas, além de uma melhoria sensível na fluidez do trânsito nas ruas adjacentes. A Secretaria de Comércio deve publicar nos próximos dias o cronograma de implementação das novas normas, que incluirá também a atualização do cadastro de todos os feirantes ativos no município. Esse recadastramento é visto como essencial para combater o comércio irregular e garantir que apenas profissionais autorizados ocupem o espaço público, assegurando a qualidade e procedência do que é vendido à população vicentina.