Inverno no Brasil será marcado por temperaturas acima da média e menos episódios de frio intenso no Sudeste.
(Imagem: gerado por IA)
O inverno no Hemisfério Sul teve início oficialmente às 5h24 deste domingo. No entanto, quem espera por aquele frio rigoroso e constante pode ter que ajustar as expectativas. Este ano, a estação chega sob a forte influência do El Niño, fenômeno que promete alterar drasticamente o padrão climático em diversas regiões do Brasil, trazendo temperaturas mais elevadas do que a média histórica e um regime de chuvas atípico.
De acordo com a Agência dos Estados Unidos para Oceanos e Atmosfera (Noaa), a confirmação do fenômeno indica um aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial. Na prática, para os brasileiros, isso se traduz em um inverno menos rigoroso. O meteorologista Melquizedek Rafael Duarte da Silva, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), explica que o El Niño atua como uma barreira física na atmosfera.
O bloqueio das frentes frias
O principal impacto será sentido no Sudeste e no Centro-Oeste. "O El Niño acaba criando um bloqueio, principalmente próximo a São Paulo, e não permite que as frentes frias avancem tanto", destaca Silva. Isso significa que as massas de ar polar, que costumam derrubar as temperaturas nesta época do ano, terão dificuldade de subir pelo mapa, ficando restritas ou perdendo força rapidamente.
Enquanto o Sudeste experimenta tardes mais quentes e secas, a região Sul deve se preparar para o cenário oposto. O fenômeno favorece a ocorrência de chuvas volumosas e eventos extremos. Cidades catarinenses e gaúchas podem enfrentar temporais severos em curtos períodos, agravando riscos de enchentes em áreas já vulneráveis.
Mudanças climáticas e previsões difíceis
O cenário atual também revela um desafio crescente para a meteorologia: a dificuldade de previsões a longo prazo. Com o aquecimento global e as rápidas mudanças climáticas, os ciclos que antes eram previsíveis estão se tornando erráticos. Silva aponta que períodos de calor ou seca que duravam dois meses, agora podem se estender por quase meio ano, confundindo a percepção das estações.
Vale lembrar que o inverno é, essencialmente, um evento astronômico. Enquanto o Hemisfério Sul recebe menos radiação solar, o Norte celebra o auge do verão. No Brasil, essa diferença é sentida de forma distinta devido à nossa dimensão continental. No Chuí (RS), os dias terão pouco menos de 10 horas de luz, com o sol se pondo cedo, por volta das 17h30. Já em Macapá (AP), sobre a linha do Equador, o relógio quase não muda, mantendo o equilíbrio entre luz e sombra o ano inteiro.
A estação se estende até o dia 22 de setembro, quando o equinócio marcará a chegada da primavera. Até lá, o monitoramento das condições oceânicas será constante para entender se o bloqueio atmosférico dará tréguas ou se teremos um dos invernos mais quentes dos últimos anos.