Guarda Civil Municipal de São Vicente intensifica patrulhamento para apreender linhas cortantes durante o período de férias escolares.
(Imagem: Divulgação)
Com a chegada do período de férias escolares, o céu de São Vicente costuma se encher de cores, mas também de um perigo invisível e letal. Para coibir acidentes graves e salvar vidas, a Prefeitura de São Vicente, por meio da Secretaria de Defesa Social (Sedes), deu início a uma nova fase da Operação Fim da Linha. A iniciativa intensifica o combate ao uso de cerol e da temida linha chilena em todas as regiões do município.
A ação conjunta mobiliza equipes da Guarda Civil Municipal (GCM) e fiscais de posturas em um esforço concentrado de patrulhamento. O foco principal está nas áreas de maior concentração de jovens, como a faixa de areia da orla, praças públicas e também os bairros da Área Continental, onde a brincadeira com pipas é tradicionalmente mais intensa.
O perigo invisível que ameaça as vias públicas
O uso de substâncias cortantes nas linhas de pipa vai além de uma infração administrativa; é uma ameaça real à integridade física de pedestres, ciclistas e, principalmente, motociclistas. A linha chilena, fabricada industrialmente com óxido de alumínio e quartzo, chega a ser quatro vezes mais cortante do que o cerol tradicional feito de vidro moído e cola.
Para quem trafega em duas rodas, o contato com esses materiais quase sempre resulta em lesões graves ou fatais na região do pescoço. Por essa razão, a GCM também tem aproveitado as abordagens para orientar condutores sobre a importância da instalação da antena corta-pipa, acessório simples que atua como barreira física indispensável.
Multas pesadas e responsabilização de pais
A legislação em vigor na Baixada Santista e em todo o Estado de São Paulo é rigorosa contra a prática. A comercialização, o armazenamento e o uso dessas linhas são proibidos por lei. Quem for flagrado utilizando ou portando o material terá o equipamento apreendido e estará sujeito a penalidades financeiras significativas.
No caso de menores de idade flagrados com cerol ou linha chilena, a punição administrativa é transferida diretamente aos pais ou responsáveis legais. Além do prejuízo financeiro com as multas aplicadas pela fiscalização municipal, os responsáveis podem responder criminalmente por expor a vida de terceiros a perigo direto e iminente.
Tecnologia e inteligência no monitoramento urbano
A edição atual da Operação Fim da Linha conta com um importante aliado tecnológico: o Centro de Operações Integradas (COI) de São Vicente. Operadores de câmera monitoram pontos estratégicos da cidade em tempo real, identificando aglomerações e suspeitas de uso de linhas cortantes antes mesmo que as equipes de rua cheguem ao local.
Esse monitoramento dinâmico otimiza o deslocamento das viaturas da GCM, garantindo um tempo de resposta muito menor. A população também desempenha papel crucial nesse ecossistema de segurança por meio de denúncias anônimas, que ajudam a mapear os pontos críticos de venda clandestina desses materiais.
O caminho para a conscientização coletiva
Especialistas em segurança pública apontam que a repressão policial, embora necessária, precisa caminhar lado a lado com a educação comunitária. O desafio das gestões municipais na Baixada Santista é transformar a cultura da pipa em uma atividade segura, resgatando o caráter lúdico da brincadeira sem colocar a vida alheia em risco.
A tendência para os próximos anos é o endurecimento ainda maior das regras metropolitanas integradas. Cidades vizinhas começam a desenhar ações conjuntas para asfixiar o comércio clandestino de insumos cortantes na divisa de municípios, indicando que a tolerância para essa prática está, de fato, chegando ao fim.