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Anvisa eleva dose diária de creatina para 5 g e reforça atenção à rotulagem dos suplementos vendidos no país

15 mar 2026 - 10h02 Joice Gomes   atualizado às 10h05
Anvisa eleva dose diária de creatina para 5 g e reforça atenção à rotulagem dos suplementos vendidos no país Anvisa atualizou a dose diária de creatina para 5 g em suplementos para adultos e encontrou erros de rotulagem em 40 de 41 produtos analisados. (Imagem: de Freepik)

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária atualizou a referência regulatória da creatina em suplementos alimentares para adultos e passou a admitir 5.000 mg por recomendação diária de consumo, o equivalente a 5 g, para pessoas com 19 anos ou mais. A mudança foi formalizada pela Instrução Normativa 373, de junho de 2025, que alterou a lista de limites mínimos de nutrientes e substâncias autorizadas em suplementos alimentares no Brasil.

Na prática, a decisão muda o parâmetro oficial usado na formulação e na rotulagem desses produtos e aproxima a regra brasileira da dosagem já adotada em orientações técnicas e científicas de uso mais difundido no mercado. O tema ganhou atenção pública porque a creatina é um dos suplementos mais populares entre praticantes de atividade física, especialmente em modalidades ligadas a força, potência e exercícios de alta intensidade.

O que a nova norma realmente altera

O texto da norma inclui a creatina entre os constituintes com limite de 5.000 mg para o grupo populacional de 19 anos ou mais. Antes da atualização, o valor de referência regulatório utilizado era de 3.000 mg por dia, número que aparecia inclusive como base de avaliação sanitária em análises divulgadas pela própria Anvisa em abril de 2025.

Isso não significa, por si só, que todos os consumidores devam mudar imediatamente sua rotina de uso sem orientação profissional. O que a Anvisa alterou foi o enquadramento regulatório do suplemento, permitindo que produtos destinados a adultos sejam formulados e rotulados dentro desse novo limite diário oficial.

A relevância dessa mudança está no fato de que a dose informada no rótulo influencia o padrão de fabricação, a comunicação ao consumidor e os critérios usados pelo poder público para verificar conformidade sanitária. Para quem já consumia creatina, o principal efeito é a tendência de encontrar embalagens ajustadas à nova regra, com porções diárias diferentes das vistas em produtos mais antigos.

Fiscalização mostrou outro problema no mercado

Paralelamente à atualização da dose, a Anvisa divulgou os resultados de uma análise laboratorial com 41 suplementos alimentares de creatina comercializados no país, envolvendo 29 empresas fabricantes. O levantamento avaliou teor de creatina, adequação de rotulagem e presença de matérias estranhas.

O dado que mais chama atenção é que 40 dos 41 produtos analisados apresentaram algum tipo de erro de rotulagem. Já no teor de creatina, o cenário foi diferente: apenas uma marca teve resultado abaixo do previsto no regulamento vigente à época da análise, enquanto todas as demais ficaram dentro da margem aceita e nenhuma amostra apresentou problema relacionado a matérias estranhas.

As falhas de rotulagem identificadas pela agência incluem alegações não autorizadas, uso de palavras ou imagens capazes de induzir o consumidor a erro, tabela nutricional fora do padrão, ausência da frequência de consumo e omissões sobre porções da embalagem e teores de açúcares. Segundo a avaliação da Anvisa, os resultados encontrados nas amostras não indicaram risco de dano à saúde que exigisse medidas adicionais imediatas de fiscalização, mas podem motivar notificações aos fabricantes para correção das informações.

Por que isso importa para quem compra

Para o consumidor, a atualização da dose oficial para 5 g resolve apenas uma parte da discussão sobre a creatina. A outra continua sendo a qualidade da informação disponível no rótulo, já que a própria Anvisa encontrou um nível elevado de inconsistências justamente no ponto que orienta a compra e o modo de uso.

Isso torna mais importante observar se o suplemento está regularmente notificado, se a tabela nutricional está clara, se a recomendação diária aparece de forma objetiva e se não há promessas exageradas de desempenho ou resultados que extrapolem as alegações permitidas. A agência também informa que os suplementos alimentares no Brasil devem seguir as regras da RDC 843/2024 e da IN 281/2024, além da exigência de regularização dos produtos comercializados.

Em termos de rotina de consumo, a creatina continua ligada ao fornecimento de energia rápida para os músculos em atividades intensas, como exercícios de força e sprints, e pode ser obtida em menor quantidade por alimentos como carnes e peixes. A suplementação, portanto, permanece como a forma mais prática de atingir a dose prevista no rótulo quando esse for o objetivo do consumidor adulto e houver indicação adequada.

O que observar antes de usar

A atualização regulatória não elimina cuidados básicos. Pessoas com dúvidas sobre dose, tempo de uso, associação com treino e condições clínicas preexistentes devem considerar orientação individualizada de profissional de saúde, sobretudo porque a regra sanitária define o limite para o produto, e não substitui avaliação pessoal sobre necessidade e segurança de consumo.

  • Verifique se o produto apresenta recomendação diária de consumo compatível com a norma para adultos, hoje fixada em 5.000 mg para maiores de 19 anos.
  • Leia a rotulagem completa e desconfie de promessas fora do padrão, já que a Anvisa encontrou incorreções em 40 dos 41 produtos avaliados.
  • Observe se a tabela nutricional, a lista de ingredientes e o número de porções da embalagem estão informados de forma clara.
  • Considere que a mudança regulatória já está em vigor, mas produtos fabricados em momentos diferentes podem circular com apresentações distintas até a adaptação completa do mercado.

O recado mais importante para quem usa creatina é duplo: a dose oficial para adultos foi ampliada para 5 g por dia no âmbito regulatório brasileiro, mas a atenção ao rótulo continua essencial porque o principal problema encontrado pela fiscalização recente esteve justamente na qualidade das informações prestadas ao consumidor.

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