Repasses para hemodiálise no SUS sobem 15%, com novo valor por sessão e expansão de serviços de terapia renal substitutiva.
(Imagem: Rovena Rosa/Agência Brasil)
O Ministério da Saúde anunciou um reajuste de 15% nos repasses destinados a hospitais e clínicas que realizam terapia renal substitutiva no Sistema Único de Saúde. A medida inclui a hemodiálise, alcança a rede já credenciada e também acompanha a habilitação de novos serviços, com a justificativa de reduzir o tempo de espera enfrentado por pacientes que dependem desse tratamento contínuo.
Na prática, o governo federal informou que o reajuste corresponde a R$ 860 milhões. Segundo a pasta, os recursos serão direcionados a 781 hospitais e clínicas que já atendem pacientes do SUS, além de 48 novos serviços de terapia renal substitutiva em processo de habilitação em 16 estados.
O anúncio recoloca no centro do debate o financiamento da hemodiálise no SUS, área que há anos é acompanhada com atenção por gestores, profissionais e pacientes por causa da pressão de custos, da necessidade de manutenção tecnológica e da demanda crescente por atendimento especializado.
O que muda no pagamento da hemodiálise
De acordo com o Ministério da Saúde, a sessão de hemodiálise passará a ter remuneração de R$ 277,12. O valor representa alta de 26,84% em relação a 2022, quando a sessão era remunerada em R$ 218,47, e começará a valer ainda em março.
Embora o anúncio destaque um aumento de 15% nos repasses, o valor unitário da sessão sobe em proporção maior porque a pasta adotou um modelo misto de orçamentação. Segundo o secretário de Atenção Especializada à Saúde, Mozart Sales, a composição reúne recursos do Orçamento Geral da União, do Fundo de Ações Estratégicas e Compensação e créditos financeiros garantidos pelo programa Agora Tem Especialistas.
Esse desenho importa porque o financiamento da hemodiálise depende não apenas da tabela paga por procedimento, mas também da previsibilidade dos repasses para sustentar equipes, insumos, máquinas, logística e estrutura de atendimento recorrente. Quando há reforço de receita, a expectativa oficial é de maior capacidade de manutenção e expansão do serviço.
- Reajuste geral anunciado pelo Ministério da Saúde: 15% nos repasses para terapia renal substitutiva
- Montante informado pelo governo: R$ 860 milhões
- Novo valor da sessão de hemodiálise: R$ 277,12
- Valor de referência em 2022: R$ 218,47 por sessão
- Início da vigência: ainda em março
Por que a medida tem impacto direto nos pacientes
A hemodiálise é um tratamento indispensável para pessoas com perda grave da função renal, e a regularidade do atendimento é parte central da segurança clínica desses pacientes. Por isso, qualquer mudança no financiamento do serviço tem efeito potencial sobre acesso, continuidade assistencial e capacidade de absorção de novas demandas.
Na explicação oficial, o reajuste faz parte das ações do programa Agora Tem Especialistas. O ministério afirma que a iniciativa busca reduzir o tempo de espera por terapia renal substitutiva e, ao mesmo tempo, preservar a qualidade dos serviços já prestados na rede pública e conveniada.
O impacto prático mais imediato esperado pelo governo é a ampliação da oferta. Isso pode ocorrer por duas vias: reforço financeiro para unidades já em funcionamento e entrada gradual de novas estruturas credenciadas para realizar hemodiálise e outras modalidades de cuidado renal.
Em um sistema que depende de atendimento frequente, a expansão da oferta tende a ser acompanhada de efeitos em cadeia. Menor pressão sobre unidades já lotadas, possibilidade de melhor distribuição de pacientes e redução do intervalo de espera para início do tratamento estão entre os resultados buscados pela política anunciada.
Outras modalidades também entram no pacote
O anúncio não se limita à hemodiálise. O Ministério da Saúde informou que a diálise peritoneal também será contemplada pelo programa com reajuste de 100%, assim como a pré-diálise, etapa de acompanhamento médico feita antes de a diálise se tornar necessária.
Ao incluir modalidades diferentes, a pasta tenta reorganizar o cuidado renal de forma mais ampla. A diálise peritoneal, segundo o ministério, utiliza o próprio corpo para filtrar o sangue, enquanto a pré-diálise busca acompanhamento anterior ao agravamento do quadro, o que pode favorecer organização clínica e encaminhamento mais adequado.
Esse ponto é relevante porque a rede de atenção renal não depende de uma única porta de entrada. Quando o financiamento alcança modalidades complementares à hemodiálise, o sistema ganha mais instrumentos para distribuir casos, estimular alternativas terapêuticas e planejar o cuidado de modo menos concentrado.
- Diálise peritoneal terá reajuste de 100%
- Pré-diálise também receberá aumento de 100%
- Os novos valores integram o programa Agora Tem Especialistas
- Segundo o ministério, a intenção é incentivar a ampliação da oferta nas unidades já existentes e nas novas habilitações
O que pode acontecer a partir de agora
Nos próximos meses, a principal medida de resultado será a capacidade de transformar reajuste financeiro em atendimento efetivo. O governo afirma que os novos serviços já começam a atuar com os aumentos anunciados, mas o efeito concreto dependerá da implementação local, da habilitação das unidades e da resposta operacional dos prestadores.
Também será importante acompanhar se o reforço anunciado para a hemodiálise se traduz em menor tempo de espera e maior estabilidade para a rede. Como o tratamento exige frequência e estrutura especializadas, a execução dos repasses tende a ser tão importante quanto o percentual divulgado.
Para pacientes e familiares, o anúncio sinaliza uma tentativa de aliviar gargalos históricos do atendimento renal no SUS. Para gestores e prestadores, abre uma nova etapa de monitoramento sobre capacidade instalada, expansão do serviço e sustentabilidade do cuidado em nefrologia.