Cerca de 5 mil pessoas tiveram de deixar suas casas ou ficaram com as condições de moradia comprometidas em consequência das fortes chuvas no Vale do Ribeira, no sul do estado de São Paulo. Para reforçar o atendimento às famílias atingidas, Iguape, Registro, Eldorado, Sete Barras e Iporanga receberão, juntas, mais de R$ 3,2 milhões do cofinanciamento estadual destinado à assistência social em situações de emergência.
Os recursos poderão ser utilizados na manutenção de abrigos temporários, aquisição de materiais e insumos, acolhimento de famílias, concessão de benefícios eventuais, instalação de pontos de apoio, contratação ou reforço temporário de equipes e despesas de transporte e logística. O anúncio de repasses não significa que todas as moradias já foram recuperadas nem que as famílias podem retornar imediatamente a áreas atingidas pelas cheias.
Eldorado concentra maior número de pessoas atingidas
Eldorado registrou mais de 2,5 mil pessoas desabrigadas ou desalojadas, o maior contingente entre os cinco municípios atendidos. A cidade terá mais de R$ 1,5 milhão para a assistência, distribuídos em R$ 706 mil para serviços socioassistenciais e R$ 822,5 mil para benefícios eventuais. A concentração de famílias afetadas demanda estrutura para acolhimento, acompanhamento social e apoio à reorganização da vida cotidiana.
Sete Barras contabilizou mais de 1,6 mil pessoas desabrigadas ou desalojadas e receberá pouco mais de R$ 1 milhão: R$ 544 mil para serviços e R$ 471,5 mil para benefícios eventuais. As duas cidades concentram a maior parte das pessoas atingidas no balanço regional divulgado.
Situação em Iporanga, Registro e Iguape
Iporanga registrou 439 pessoas desabrigadas ou desalojadas, de 209 famílias, e contará com R$ 421,5 mil, divididos entre atendimento socioassistencial e benefícios. Em Registro, o levantamento aponta 217 pessoas de 70 famílias, com previsão de R$ 186,3 mil: R$ 112,8 mil para serviços e R$ 73,5 mil para benefícios eventuais.
Iguape contabilizou aproximadamente 200 pessoas desabrigadas ou desalojadas, integrantes de 50 famílias. O município receberá R$ 148,5 mil, dos quais R$ 96 mil serão destinados aos serviços socioassistenciais e R$ 52,5 mil a benefícios eventuais. Os números representam o levantamento apresentado para o anúncio dos recursos e podem ser atualizados pelos órgãos responsáveis conforme novas avaliações de campo.
Como serão definidos os repasses
O cofinanciamento estadual considera critérios como o porte de cada município e o número de pessoas e famílias que precisaram sair de casa. As situações de emergência foram formalizadas por decretos municipais publicados entre 13 e 15 de setembro. A Divisão Regional de Assistência e Desenvolvimento Social (DRADS) do Vale do Ribeira, sediada em Registro, está agilizando os procedimentos para disponibilizar os valores às prefeituras.
Os recursos anunciados são destinados à resposta social à emergência. A recuperação definitiva de residências, estradas, pontes e demais estruturas danificadas pode depender de outras avaliações, projetos e fontes de financiamento. Famílias atingidas devem procurar os serviços municipais de assistência social para conhecer critérios de acolhimento e benefícios disponíveis.
Risco permanece após a chuva
Mesmo quando o nível dos rios começa a baixar, a água pode deixar imóveis com instalações elétricas comprometidas, estruturas instáveis e lama contaminada. A Defesa Civil deve orientar o retorno a áreas inundadas e avaliar situações de risco. Moradores não devem atravessar trechos com correnteza nem entrar em imóveis com sinais de desabamento ou fios energizados.
O episódio evidencia a necessidade de combinar resposta imediata, acompanhamento das famílias e medidas de prevenção em uma região historicamente exposta a cheias. O atendimento emergencial busca assegurar abrigo e condições mínimas enquanto os municípios avaliam a extensão dos danos e as etapas de recuperação.