Um turista de 25 anos morreu após ser arrastado por uma corrente de retorno na praia do bairro Solemar, em Praia Grande, no sábado, 31 de outubro. Morador da capital paulista, ele estava no mar com a mãe, de 50 anos, e a irmã, de 24, quando os três foram surpreendidos pela correnteza. As duas mulheres conseguiram sair da água, mas o rapaz desapareceu e passou a ser procurado pelas equipes de salvamento.
A mãe foi retirada do mar por banhistas e encaminhada à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Samambaia, com quadro de afogamento classificado como leve. A irmã foi resgatada por guarda-vidas e não apresentava sinais de afogamento. O jovem foi localizado posteriormente e retirado da água por banhistas, mas a morte foi constatada no local após avaliação da equipe médica.
Buscas tiveram apoio do helicóptero Águia
A operação de busca reuniu equipes de salvamento na faixa de areia e apoio aéreo do helicóptero Águia, da Polícia Militar. O desaparecimento do jovem mobilizou os profissionais depois que a mãe e a irmã conseguiram deixar o mar. A localização do corpo encerrou as buscas, mas não foi divulgada informação sobre identificação pública da vítima além da idade e da origem na capital paulista.
O atendimento à família ocorreu em etapas distintas. A mãe precisou de encaminhamento médico por causa do quadro de afogamento, enquanto a irmã foi retirada da água sem sinais clínicos de afogamento. O rapaz não resistiu. Não há informação de que outras pessoas tenham sido atingidas pela mesma ocorrência.
Feriado de Finados teve 16 ocorrências de afogamento
O caso ocorreu no início do feriado prolongado de Finados e integrou um período de maior movimentação nas praias paulistas. Entre sexta-feira (30) e sábado (31), o Grupamento de Bombeiros Marítimo (GBMar) contabilizou 16 ocorrências de afogamento em todo o litoral do estado. Nas ações, 25 pessoas foram salvas e houve uma morte, registrada em Praia Grande.
No balanço acumulado entre 1º de janeiro e 31 de outubro de 2026, o GBMar contabilizou 2.278 salvamentos, com 3.507 pessoas salvas e 90 mortes por afogamento no litoral paulista. Os números dimensionam o trabalho de prevenção e resgate realizado nas praias, mas também mostram que a presença de equipes não elimina o risco quando banhistas entram em áreas com correnteza ou fora dos trechos monitorados.
As estatísticas de salvamento e de óbitos têm naturezas diferentes: uma ocorrência pode envolver mais de uma pessoa, e o total de pessoas salvas não equivale ao número de chamados. Por isso, os dados devem ser lidos conforme a unidade informada pelo GBMar, sem somar ocorrências e vítimas como se fossem a mesma medida.
Como identificar e evitar correntes de retorno
Correntes de retorno são fluxos de água que se deslocam da praia em direção ao mar aberto. Elas podem se formar mesmo quando a superfície parece relativamente calma e são capazes de afastar rapidamente um banhista da faixa de areia. A correnteza não precisa puxar a pessoa para baixo para representar perigo: o afastamento da praia, o cansaço e a dificuldade de retornar contra o fluxo podem levar ao afogamento.
O GBMar orienta que os banhistas escolham áreas protegidas e monitoradas por guarda-vidas, respeitem bandeiras e avisos e sigam as instruções das equipes. Também recomenda evitar trechos sinalizados com risco, observar as condições do mar e não entrar na água após consumir bebidas alcoólicas.
Quem perceber alguém em dificuldade deve chamar imediatamente os guarda-vidas ou o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193. A recomendação é não entrar no mar sem preparo para tentar o resgate, pois uma segunda pessoa pode se tornar vítima. Sempre que possível, deve-se lançar um objeto flutuante e indicar com precisão o local da ocorrência às equipes.
A morte no Solemar reforça a importância de escolher trechos monitorados e de respeitar as condições do mar, especialmente em feriados, quando aumenta a presença de visitantes que nem sempre conhecem as características da praia. A corrente de retorno pode se formar em pontos específicos e mudar de intensidade, razão pela qual a orientação dos guarda-vidas deve prevalecer sobre a aparência momentânea da água.