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Arqueologia

Blocos gigantes do Farol de Alexandria voltam à superfície e impulsionam reconstrução digital inédita

16 mar 2026 - 08h13 Joice Gomes   atualizado às 08h18
Blocos gigantes do Farol de Alexandria voltam à superfície e impulsionam reconstrução digital inédita Escavação no porto oriental de Alexandria resgatou 22 blocos monumentais do antigo farol. (Imagem: gerado por IA)

Uma operação arqueológica no Egito retirou do fundo do mar 22 blocos monumentais ligados ao antigo Farol de Alexandria, uma das Sete Maravilhas do mundo antigo. As peças estavam submersas no porto oriental de Alexandria e incluem elementos estruturais da entrada monumental do edifício, com blocos que chegam a pesar entre 70 e 80 toneladas.

O resgate integra o projeto PHAROS, iniciativa científica voltada à documentação e à reconstrução digital do monumento. A missão é liderada pela arqueóloga e arquiteta Isabelle Hairy, do Centro Nacional Francês de Pesquisa Científica, em cooperação com o Ministério do Turismo e das Antiguidades do Egito e com apoio técnico de parceiros especializados em modelagem tridimensional.

O que foi encontrado no fundo do porto

Entre os materiais recuperados estão lintéis, batentes, lajes de fundação, pedras de soleira e partes de um pilar até então desconhecido, associado a uma porta em estilo egípcio. Os achados indicam uma combinação entre soluções construtivas gregas e elementos formais egípcios, o que reforça a complexidade arquitetônica do farol erguido no período helenístico.

As novas peças se somam a mais de uma centena de blocos já digitalizados no fundo do mar ao longo da última década. O objetivo agora é escanear cada fragmento com alta precisão e reposicioná-lo virtualmente, como em um quebra-cabeça, para testar hipóteses sobre a forma original da torre, seus sistemas de construção e as causas de seu colapso.

O Farol de Alexandria foi construído no século III a.C., na ilha de Faros, por ordem da dinastia ptolomaica. Fontes históricas e estudos arqueológicos indicam que a estrutura tinha cerca de 100 metros de altura e funcionava como referência de navegação para embarcações que se aproximavam da costa egípcia, além de simbolizar o poder urbano e comercial da cidade.

Por que o monumento desapareceu

A destruição do farol não ocorreu de uma só vez. A estrutura sofreu sucessivos danos causados por terremotos ao longo da Idade Média, até entrar em ruína definitiva, especialmente após um grande abalo no início do século XIV.

Parte das pedras foi reaproveitada mais tarde na construção da Fortaleza de Qaitbay, erguida em 1477 no mesmo promontório. Outra parte afundou nas águas do Mediterrâneo e permaneceu dispersa no leito marinho por séculos, o que explica a necessidade de escavações subaquáticas longas e tecnicamente complexas para recuperar os vestígios.

O reencontro com esses blocos também ajuda a corrigir distorções comuns sobre o sítio arqueológico. O material efetivamente retirado da água corresponde a componentes arquitetônicos maciços do farol, e não a embarcações intactas ou tesouros isolados, como versões fantasiosas que circulam com frequência quando há grandes descobertas submersas.

O que muda com a reconstrução digital

A etapa mais importante após o resgate é a digitalização detalhada das peças. O projeto pretende criar um modelo virtual do farol bloco por bloco, reunindo dados obtidos nas escavações, descrições antigas, moedas, imagens históricas e estudos de arquitetura para aproximar os pesquisadores da configuração real do monumento.

Esse tipo de reconstrução não significa que o edifício será reerguido fisicamente no curto prazo. As equipes envolvidas tratam a operação como um trabalho de preservação, documentação e análise científica, com foco em compreender a engenharia antiga e proteger um patrimônio que continua parcialmente submerso e vulnerável.

O avanço tem peso histórico e tecnológico. Ao combinar arqueologia subaquática, escaneamento tridimensional e modelagem computacional, o projeto amplia o conhecimento sobre um dos monumentos mais célebres da Antiguidade e oferece uma nova base para estudar a evolução das técnicas construtivas no Mediterrâneo antigo.

Por que a descoberta importa

O resgate dos blocos recoloca o Farol de Alexandria no centro do debate sobre preservação do patrimônio submerso. Em vez de apenas confirmar a existência de ruínas já conhecidas, a missão trouxe à tona elementos inéditos, como o pilar com porta de estilo egípcio, que podem alterar interpretações sobre o desenho e a monumentalidade da construção.

Para a arqueologia, o caso mostra como grandes sítios históricos ainda podem revelar informações novas mesmo depois de décadas de pesquisa. Para o público, a descoberta aproxima uma maravilha desaparecida da imaginação contemporânea, agora não por reconstruções literárias ou ilustrações especulativas, mas por evidências físicas submetidas a análise digital minuciosa.

  • A missão retirou 22 blocos monumentais do fundo do porto oriental de Alexandria, no Egito.
  • As peças pesam entre 70 e 80 toneladas e incluem elementos da entrada monumental do farol.
  • O trabalho faz parte do projeto PHAROS, dedicado à reconstrução digital da antiga torre.
  • O monumento foi construído no século III a.C. e sofreu destruição progressiva por terremotos medievais.
  • Parte do material do farol foi reutilizada na Fortaleza de Qaitbay, erguida no século XV.
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