Governo central teve déficit de R$ 30 bilhões em fevereiro de 2026, mas mantém superávit no acumulado do ano, segundo dados do Tesouro Nacional.
(Imagem: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)
As contas do governo central, que incluem Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central, fecharam fevereiro de 2026 com déficit primário de R$ 30,046 bilhões, de acordo com dados divulgados pelo Tesouro Nacional. O resultado indica que as despesas superaram as receitas no período, sem considerar o pagamento de juros da dívida pública.
Apesar do resultado negativo, houve melhora em relação ao mesmo mês de 2025, quando o déficit foi de R$ 31,598 bilhões. O desempenho também ficou acima das expectativas do mercado, que projetava um rombo maior para o período.
Receitas crescem, mas ficam abaixo das despesas
A receita líquida do governo central somou cerca de R$ 157,7 bilhões em fevereiro, com crescimento real de 5,6% em relação ao mesmo mês do ano anterior. O avanço foi impulsionado principalmente pela arrecadação de tributos e pelo aumento das contribuições previdenciárias.
Mesmo com esse crescimento, a arrecadação não foi suficiente para compensar o aumento das despesas, especialmente as obrigatórias e vinculadas a programas sociais.
Despesas seguem pressionadas
As despesas totais chegaram a aproximadamente R$ 187,7 bilhões no mês, com alta real de 3,1% em relação a fevereiro de 2025. Entre os principais fatores de pressão estão programas sociais, gastos com pessoal e benefícios previdenciários.
- Despesas com educação cresceram, impulsionadas por programas de incentivo a estudantes.
- Gastos na área de saúde também registraram aumento, com repasses e benefícios.
- As despesas com servidores públicos avançaram devido a reajustes salariais.
- A Previdência Social continuou pressionando o orçamento com a expansão do número de beneficiários.
Superávit no acumulado do ano
Mesmo com o déficit em fevereiro, o governo mantém superávit primário no acumulado de janeiro e fevereiro de 2026. O saldo positivo é resultado do desempenho mais forte registrado em janeiro.
No bimestre, as receitas superaram as despesas, mantendo o resultado consolidado no campo positivo. Tradicionalmente, o início do ano apresenta melhor desempenho fiscal devido ao calendário de pagamentos.
Meta fiscal permanece no radar
A meta fiscal para 2026 prevê superávit primário, com margem de tolerância que permite variações no resultado final. O desempenho até o momento indica que o governo segue dentro dos limites previstos.
No entanto, o avanço contínuo das despesas obrigatórias permanece como principal desafio para o cumprimento da meta ao longo do ano.
Investimentos em alta
Os investimentos públicos apresentaram crescimento no início de 2026, refletindo a tentativa de manter o nível de obras e aquisições mesmo em cenário de restrições fiscais.
O resultado reforça o desafio de equilibrar o aumento de gastos obrigatórios com a necessidade de manter investimentos e atingir as metas fiscais estabelecidas.