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Demanda Global

Crise no Oriente Médio derruba previsão de demanda global por petróleo para 2026

IEA reduz drasticamente a previsão de demanda de petróleo para 2026 após bloqueio no Estreito de Ormuz. Estoques da OCDE caem ao menor nível desde 1990.

17 jun 2026 - 08h55 Joice Gomes   atualizado às 08h56
Crise no Oriente Médio derruba previsão de demanda global por petróleo para 2026 Instabilidade no Estreito de Ormuz trava 20% do petróleo mundial e altera projeções econômicas para 2026. (Imagem: gerado por IA)

O mercado global de energia atravessa um de seus momentos mais turbulentos das últimas décadas. A Agência Internacional de Energia (AIE) revisou para baixo, de forma drástica, a sua previsão de demanda mundial de petróleo para 2026. Segundo o relatório mensal mais recente da entidade, o consumo global deve encolher em 1,1 milhão de barris diários (MBD) no próximo ano, uma redução três vezes maior do que a projetada há apenas um mês.

O cenário, que até pouco tempo previa um retorno à normalidade em meados de 2024, foi implodido pelo agravamento das tensões no Oriente Médio. O impacto é considerado "considerável" pelos especialistas, afetando desde o preço nas bombas de combustível até as cadeias de suprimentos globais. Dados preliminares indicam que as entregas de óleo no segundo trimestre de 2026 já caíram quase 5% em termos anuais, marcando o primeiro retrocesso trimestral desde o choque da pandemia em 2020.

O gargalo de Ormuz e a paralisia do mercado

O grande motor dessa crise é o bloqueio do Estreito de Ormuz, uma via vital por onde transita aproximadamente 20% de todo o petróleo consumido no planeta. Desde o final de fevereiro, os conflitos envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã transformaram a região em uma zona de exclusão de fato, estrangulando o fluxo comercial e forçando petroleiros a rotas muito mais longas e caras.

Mesmo com o recente anúncio de um acordo diplomático entre Washington e Teerã, a cicatriz no mercado permanece profunda. A produção mundial despencou para 94,5 mbpd em maio, o que representa uma queda de 12,5% em comparação ao período pré-guerra. Esse vácuo na oferta, somado à incerteza política, criou um ambiente de volatilidade extrema que afasta investimentos e encarece o frete marítimo internacional.

Estoques em níveis críticos

Um dos pontos mais alarmantes do relatório da AIE diz respeito às reservas estratégicas. Nos países que compõem a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), os estoques atingiram o menor patamar desde 1990. Entre abril e maio deste ano, as reservas mundiais encolheram em cerca de 220 milhões de barris.

Para tentar conter a explosão dos preços e garantir o abastecimento mínimo, os 32 países-membros da AIE tomaram uma medida sem precedentes: a liberação coordenada de 426 milhões de barris de suas reservas estratégicas, mais de um terço do total disponível. No entanto, a agência adverte que novas quedas nos próximos meses podem levar o mundo a níveis de estoque historicamente perigosos antes que qualquer excedente apareça no horizonte.

Mudança de paradigma e o alívio para 2027

O diretor da AIE, Fatih Birol, tem sido enfático ao afirmar que o mundo não sairá dessa crise sem uma reabertura total e incondicional do Estreito de Ormuz. Para ele, o choque atual é tão profundo que está forçando nações a redesenharem suas políticas energéticas do zero. "Mesmo que os preços voltem aos níveis anteriores, esta crise provocou ondas de choque que mudam as opções estratégicas e os parceiros comerciais dos países para sempre", avaliou Birol.

A esperança do setor agora reside em 2027. A agência projeta que, para aquele ano, ocorra um aumento modesto na demanda (cerca de 2 mb/d), mas uma forte recuperação na oferta, estimada em 8 mb/d adicionais. Esse excedente seria a oportunidade necessária para reconstruir os estoques globais e estabilizar a economia. Até lá, o consumidor final deve continuar sentindo o peso da incerteza geopolítica, com o mercado operando no fio da navalha entre o desabastecimento e a recessão técnica.

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