O Porto de Santos recebeu uma delegação japonesa para discutir projetos de redução das emissões de carbono nas operações portuárias, com destaque para o uso de combustíveis alternativos, eletrificação e produção de hidrogênio verde. A reunião ocorreu na sexta-feira (23 de outubro) e foi divulgada pela Autoridade Portuária de Santos (APS) na segunda-feira (26).
Representantes do Instituto de Desenvolvimento de Áreas Costeiras Ultramarinas do Japão, ligado ao Ministério da Terra, Transporte e Turismo do país asiático, foram recebidos pela Diretoria de Operações e pela Superintendência de Meio Ambiente, Saúde e Segurança do Trabalho da APS. O objetivo foi conhecer iniciativas já em desenvolvimento e identificar possibilidades de cooperação tecnológica.
Quais projetos o Japão conheceu no Porto de Santos?
A apresentação incluiu o recente abastecimento de navios com etanol, estudos e iniciativas para eletrificação de rebocadores atracados no cais e o projeto de concessão da Usina Hidrelétrica de Itatinga com perspectivas de produção de hidrogênio verde.
As três frentes integram um movimento mais amplo de transição energética do setor marítimo. Elas procuram reduzir a dependência de combustíveis fósseis e desenvolver alternativas para atividades que demandam grande quantidade de energia.
Por que o hidrogênio verde interessa ao setor portuário?
O hidrogênio verde é produzido por processos que utilizam eletricidade de fontes renováveis, normalmente para separar hidrogênio e oxigênio da água. Pode servir como insumo energético ou industrial e também ser utilizado na produção de combustíveis de menor intensidade de carbono.
No transporte marítimo, o interesse por hidrogênio e seus derivados está ligado à busca por alternativas aos combustíveis convencionais. A viabilidade de cada aplicação depende de infraestrutura, custos, disponibilidade de energia limpa e requisitos de segurança.
O projeto relacionado à Usina de Itatinga foi apresentado como uma possibilidade em desenvolvimento. A visita japonesa não significa que uma unidade de produção de hidrogênio já esteja operando no local.
Qual é o papel da Usina de Itatinga?
A Usina Hidrelétrica de Itatinga é uma infraestrutura histórica associada ao fornecimento de energia para atividades portuárias. A APS estuda sua concessão em um contexto de modernização e aproveitamento de fontes renováveis, com perspectivas ligadas ao hidrogênio verde.
A eventual produção dependerá de decisões técnicas, regulatórias e econômicas. Não foram divulgados, no comunicado sobre a visita, investimentos fechados ou cronograma definitivo para implantação de uma planta.
Como o etanol pode ajudar a reduzir emissões?
O etanol é uma alternativa energética de origem renovável que pode ser considerada em determinadas aplicações marítimas. A redução efetiva de emissões depende de fatores como origem do combustível, processo de produção, adaptação das embarcações e análise de todo o ciclo de vida.
A APS destacou uma experiência recente de abastecimento de navios com etanol entre os projetos apresentados à delegação. O avanço desse tipo de solução exige compatibilidade técnica e disponibilidade de abastecimento em escala.
O que significa eletrificar rebocadores no cais?
A eletrificação de rebocadores atracados permite reduzir o uso de motores a combustão para fornecer energia durante períodos de permanência no porto. A medida pode diminuir emissões locais e ruído, desde que haja infraestrutura elétrica adequada.
O projeto citado pela APS se concentra no atendimento de rebocadores acostados, não em afirmar que toda a frota de rebocadores já opera com propulsão elétrica.
Por que o Japão busca parcerias internacionais?
O Japão depende fortemente de seus portos para movimentar mercadorias e busca alternativas para descarbonizar atividades industriais e logísticas. O país também tem interesse em cadeias internacionais de suprimento de hidrogênio e amônia, combustíveis e insumos que podem apoiar sua estratégia de transição energética.
De acordo com a APS, o instituto japonês tem desenvolvido estudos e contatos em diferentes países para ampliar a cooperação técnica e identificar oportunidades de fornecimento de energia de menor intensidade de carbono.
O encontro resultou em acordo ou investimento?
Não foi anunciado contrato de investimento ou acordo financeiro fechado. A Autoridade Portuária informou que o intercâmbio tecnológico será aprofundado em encontros futuros. Assim, o resultado confirmado da visita é a apresentação de projetos e a abertura de diálogo técnico entre as instituições.
A formalização de uma parceria, caso ocorra, dependerá de novas negociações e dos procedimentos aplicáveis aos projetos portuários.
O que muda para o Porto de Santos?
O encontro amplia a interlocução internacional sobre tecnologias de baixo carbono e pode ajudar a conectar projetos locais a experiências desenvolvidas em outros países. Para o maior complexo portuário brasileiro, a transição energética envolve desafios de competitividade, infraestrutura e cumprimento de metas ambientais.
O próximo passo anunciado é a continuidade das conversas entre a APS e os representantes japoneses. O avanço concreto dos projetos deverá ser medido por decisões, investimentos e resultados operacionais divulgados posteriormente.