Estudantes brasileiros de 15 anos apresentaram recuperação pós-pandemia superior à média global de países desenvolvidos.
(Imagem: gerado por IA)
O Brasil está conseguindo encurtar a distância histórica que o separa das nações mais desenvolvidas no campo da educação. Os dados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) 2025, divulgados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), revelam que, embora o patamar absoluto do país ainda exija profundas reformas, a trajetória de duas décadas é de aproximação real dos níveis globais de proficiência.
Aplicada sob a coordenação do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), autarquia vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a avaliação de 2025 mapeou o desempenho de 30.140 estudantes brasileiros de 15 anos. O diagnóstico aponta estabilidade em relação ao ciclo anterior (2022), mas consolida uma dinâmica de recuperação pós-pandemia de covid-19 muito mais robusta do que a média registrada pelos países ricos.
O tamanho do abismo e a métrica do atraso escolar
O Brasil permanece posicionado no bloco de países que figuram abaixo da média da OCDE em todas as três áreas avaliadas. O país registrou 408 pontos em leitura, 377 em matemática e 409 em ciências. Em contrapartida, a média dos 23 países-membros analisados ficou em 466, 469 e 486 pontos, respectivamente.
Para compreender o impacto prático dessa distância, a métrica adotada pela OCDE estabelece que cada 20 pontos de diferença equivalem a um ano de escolarização regular. Sob essa ótica, o estudante brasileiro carrega um déficit severo de aproximadamente 4,6 anos em matemática frente aos seus pares das nações desenvolvidas. O gargalo das ciências exatas continua sendo o obstáculo mais complexo para a inserção do país na economia do conhecimento.
O avanço estrutural de duas décadas
Se o retrato do presente preocupa, o filme histórico entrega razões para otimismo. Ao comparar o atual desempenho com os dados colhivos em 2006, o estreitamento da lacuna é evidente. A diferença de pontuação em leitura recuou de 102 para 58 pontos, um ganho expressivo de 44 pontos na escala comparativa. Em matemática, a distância caiu de 131 para 92 pontos, enquanto em ciências a redução do hiato foi de 113 para 77 pontos.
Esse avanço gradual indica que as políticas públicas nacionais implementadas ao longo das últimas décadas criaram uma base de resiliência. Enquanto os sistemas educacionais de países mais consolidados sofreram perdas profundas e de difícil recuperação no pós-pandemia, o Brasil conseguiu restabelecer e até superar seu desempenho pré-pandêmico de 2018 na área de ciências, cujo indicador saltou de 403 para 409 pontos de um ciclo para o outro.
A barreira contra os celulares e o impacto na atenção
Uma das revelações mais contundentes do Pisa 2025 refere-se ao controle de dispositivos eletrônicos em ambiente escolar. No Brasil, 81% dos alunos avaliados declararam frequentar escolas que aplicam restrições rígidas ao uso de aparelhos celulares. Em 2022, esse percentual era de acanhados 37%. O índice brasileiro agora supera com folga a média da OCDE, que patina em 49%.
Essa mudança drástica de postura pedagógica encontra amparo legal na recente aprovação da Lei nº 15.100/2025, que disciplinou as diretrizes de porte e uso de telas na educação básica de todo o país. O MEC aponta que a diminuição das distrações digitais correlaciona-se diretamente com o aumento do foco e o engajamento emocional dos alunos com a rotina letiva.
O desafio computacional e a consciência global
A edição de 2025 introduziu a métrica experimental de "Aprendizagem no Mundo Digital", focando na Resolução de Problemas por meio de Ferramentas Computacionais (RPFC). Nesse quesito, o Brasil obteve 406 pontos, ficando distante dos 500 pontos da média da OCDE e do topo ocupado pela Coreia do Sul (538 pontos). O resultado acende o alerta para a necessidade de qualificar a infraestrutura tecnológica das redes de ensino, superando o mero uso recreativo.
Por outro lado, o comportamento e a postura socioambiental dos jovens brasileiros surpreenderam positivamente. Cerca de 84% deles demonstram confiança de que suas atitudes cotidianas geram impacto positivo no meio ambiente, evidenciando uma geração altamente sintonizada com os desafios ecológicos do século 21. O desafio agora reside em transformar esse elevado engajamento cívico em competência técnica e produtividade científica para o amanhã.