Alunos do Instituto Federal Goiano preparam lançamento de foguetes experimentais feitos de garrafas PET em pista de testes
(Imagem: gerado por IA)
O que separa um objeto descartável de um vetor de lançamento aeroespacial? Para quinze estudantes do Instituto Federal Goiano (IF Goiano), a resposta está na física aplicada, na química de precisão e em uma dose generosa de persistência técnica. Utilizando garrafas PET como matéria-prima principal, esse grupo de jovens cientistas desenvolveu protótipos de foguetes capazes de alcançar marcas impressionantes, vencendo uma seletiva regional de alta exigência realizada em uma base militar do Exército Brasileiro.
O feito inédito garantiu a classificação de três equipes da instituição pública para a Supercopa nacional, agendada para ocorrer em Maceió, Alagoas. Mais do que troféus e reconhecimento nacional, a etapa seguinte oferece um passaporte altamente cobiçado: a oportunidade de vivenciar uma jornada de imersão e experiência científica avançada na Europa, abrindo portas no mercado científico global para jovens que encontraram na escola pública o combustível necessário para voar longe.
A ciência de baixo custo que desafia a gravidade
A engenharia por trás de um foguete de garrafa PET é frequentemente subestimada por quem vê o projeto apenas de fora. Longe de ser um mero brinquedo escolar, esses dispositivos operam sob rigorosas leis da termodinâmica, da balística e da aerodinâmica. Os protótipos criados no IF Goiano utilizam uma reação química clássica — a mistura altamente controlada de vinagre e bicarbonato de sódio — para gerar a pressão interna necessária para o empuxo instantâneo.
Para otimizar os lançamentos, os estudantes precisaram calcular milimetricamente a proporção dos reagentes, o peso total da estrutura vazia e cheia, o ângulo exato de inclinação da base de lançamento e o design de suas empenas estabilizadoras. Pequenas variações de frações de milímetros no corte do plástico reutilizado ou no peso exato da ogiva determinam se o voo alcançará a estabilidade perfeita ou um desvio precoce em sua trajetória.
O teste de fogo na base militar do Exército
A validação técnica do projeto ocorreu em condições reais e sob forte pressão típica das grandes seletivas científicas. A competição regional foi sediada em uma base operacional do Exército Brasileiro, ambiente que simulava todo o rigor de segurança e disciplina de uma agência aeroespacial de verdade. Sob os olhos atentos de militares e avaliadores acadêmicos especializados, os estudantes colocaram suas criações à prova.
Os critérios de avaliação incluíram a distância horizontal exata percorrida pelos artefatos, a estabilidade de voo sustentado, a inovação no design do sistema de gatilho e a precisão absoluta dos relatórios e cálculos teóricos apresentados previamente à banca examinadora de engenheiros. O desempenho consistente e repetível das três equipes do IF Goiano superou concorrentes de alto nível e garantiu a liderança absoluta no quadro geral.
Próximos passos rumo a Maceió e ao espaço europeu
Com as vagas asseguradas para a Supercopa nacional em Alagoas, o desafio técnico entra em uma fase de sofisticação ainda maior. A competição em Maceió reúne a elite estudantil de robótica e astronáutica do país, o que exige das equipes uma evolução rápida de seus materiais de apoio e sistemas de propulsão.
O grande prêmio no horizonte — a viagem de intercâmbio científico para a Europa — funciona como o catalisador ideal de dedicação para estes alunos. Essa possibilidade de internacionalização reflete diretamente o impacto de projetos escolares que integram a sustentabilidade urbana, a pesquisa acadêmica de ponta e o fomento científico dentro da robusta rede de ensino técnico federal brasileira. O próximo passo do grupo, nas areias do Nordeste, sinaliza o início de uma órbita profissional de escala global.