Cerimônia de diplomação póstuma de estudantes e professores da UFRJ mortos e desaparecidos durante a ditadura militar.
(Imagem: Rovena Rosa/Agência Brasil)
A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) realizou, nesta quarta-feira (9), uma cerimônia de diplomação póstuma em homenagem a 25 integrantes de sua comunidade acadêmica perseguidos e mortos durante a ditadura militar brasileira. O ato integra um processo de reparação histórica conduzido pela instituição.
Os diplomas foram entregues simbolicamente a familiares e representantes dos homenageados, em reconhecimento às trajetórias interrompidas pela repressão política e ao vínculo que mantinham com a universidade.
Homenagem reúne estudantes e professores
A lista inclui estudantes e docentes ligados à UFRJ que foram vítimas de perseguição, prisão, tortura, desaparecimento ou morte durante o regime instaurado em 1964.
Segundo a universidade, a concessão dos diplomas póstumos busca reparar, ainda que simbolicamente, a interrupção de percursos acadêmicos causada pela violência de Estado.
Processo de reparação começou antes da cerimônia coletiva
A homenagem de setembro dá continuidade a uma iniciativa iniciada anteriormente pela UFRJ. Em julho, a universidade já havia concedido diploma póstumo a Stuart Angel Jones, estudante de Economia sequestrado e morto por agentes da repressão em 1971.
O reconhecimento individual de Stuart Angel foi incorporado ao mesmo esforço institucional de reconstrução da memória de estudantes e professores perseguidos durante a ditadura.
Universidade destaca papel da memória
A UFRJ afirma que a iniciativa não se limita à entrega simbólica de diplomas. O objetivo é também preservar a memória das vítimas, reconhecer a responsabilidade histórica das instituições públicas e fortalecer a defesa da democracia e dos direitos humanos.
Durante a cerimônia, familiares e representantes da comunidade universitária destacaram a importância de manter vivas as histórias de pessoas que tiveram a formação acadêmica, a carreira e a vida interrompidas pela repressão.
Diplomas têm valor simbólico e institucional
Os documentos concedidos postumamente representam o reconhecimento, pela universidade, de vínculos acadêmicos que foram rompidos de forma violenta. Em muitos casos, os homenageados não puderam concluir seus cursos ou seguir suas trajetórias profissionais devido à perseguição política.
A medida também faz parte de um movimento mais amplo de universidades brasileiras que vêm revendo episódios ocorridos durante a ditadura e promovendo ações de memória, verdade e reparação.
Ditadura perseguiu integrantes da comunidade acadêmica
Entre 1964 e 1985, universidades foram alvo de vigilância, intervenções e perseguições políticas. Estudantes, professores e servidores foram presos, afastados, cassados, exilados ou mortos por sua atuação política ou por suspeita de oposição ao regime.
Comissões da Verdade e pesquisas acadêmicas posteriores ajudaram a reconstruir parte dessas histórias e a documentar os efeitos da repressão sobre o ambiente universitário.
Reconhecimento busca fortalecer compromisso democrático
Ao conceder os diplomas póstumos, a UFRJ afirma que pretende transformar a memória das vítimas em referência para as novas gerações e reforçar o compromisso institucional com a democracia, a liberdade acadêmica e os direitos humanos.
A cerimônia de 9 de setembro passa a integrar esse conjunto de ações de reparação, ao reconhecer formalmente 25 pessoas que tiveram suas trajetórias acadêmicas e pessoais marcadas pela violência política do período.