Longa de André Novais vence o Festival de Brasília de Cinema.
(Imagem: Valter Campanato/Agência Brasil)
O longa Se eu fosse vivo... vivia, dirigido por André Novais Oliveira, foi o grande vencedor da 59ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, encerrada na noite de sábado (19). O filme levou o Troféu Candango de melhor longa e também venceu nas categorias de melhor roteiro e melhor figurino.
A obra acompanha o casal Gilberto e Jacira, cuja trajetória começa nos anos 1970, no interior de Minas Gerais, e avança até o momento em que, depois de 50 anos de casamento, Jacira é internada. A partir daí, Gilberto passa a viver experiências fora do comum, em uma narrativa que mistura memória, afeto e elementos de estranhamento.
Festival teve recorde de inscrições
A edição de 2026 recebeu cerca de 2 mil inscrições, número recorde para o evento. Mais de 70 produções foram selecionadas para mostras competitivas, paralelas e especiais, consolidando o festival como uma das principais vitrines do cinema nacional.
Criado em 1965, o Festival de Brasília é o mais longevo evento competitivo de cinema brasileiro. Ao longo das décadas, tornou-se espaço importante para lançamentos, debates estéticos e reconhecimento de obras produzidas fora do eixo mais comercial da indústria.
Menções honrosas reforçam caráter coletivo da obra
A escritora Conceição Evaristo e o ator Norberto Novais Oliveira receberam menções honrosas pela participação em cenas do filme. O reconhecimento ajuda a destacar a construção coletiva do longa, que dialoga com experiências familiares, memória negra e cotidiano mineiro.
André Novais é conhecido por trabalhar personagens e situações muito próximas da vida comum, frequentemente filmando em Contagem e outras cidades de Minas Gerais. Sua obra costuma explorar relações familiares e afetivas com naturalidade, sem abandonar tensões sociais presentes no cotidiano.
Exibição gratuita no Cine Brasília
Como parte da programação pós-festival, o Cine Brasília exibirá gratuitamente os vencedores das mostras competitivas. Se eu fosse vivo... vivia será reprisado nesta segunda-feira (21), às 20h.
A sessão amplia o acesso do público às obras premiadas e mantém uma tradição do festival de devolver à cidade parte da programação depois da cerimônia de encerramento.
Prêmio fortalece circulação do longa
Ganhar o principal troféu de Brasília costuma aumentar a visibilidade de um filme em festivais, salas independentes, plataformas e circuitos de distribuição. Para produções brasileiras de menor orçamento, esse reconhecimento pode ser decisivo para ampliar público e atrair novos parceiros.
O resultado também reforça o momento de André Novais dentro do cinema brasileiro contemporâneo, marcado por trabalhos que combinam forte identidade regional com temas universais.