Seleção Brasileira realiza último treino antes da estreia na Copa do Mundo em Nova Jersey.
(Imagem: gerado por IA)
A espera terminou. A Seleção Brasileira inicia, neste sábado (13), às 19h (horário de Brasília), a sua caminhada na Copa do Mundo com um peso que vai além da busca pelo tão sonhado hexacampeonato. O confronto diante do Marrocos, no MetLife Stadium, em Nova Jersey, marca o início oficial da era Carlo Ancelotti em competições de elite, após um dos ciclos preparatórios mais conturbados da história do futebol nacional. Com o Grupo C também composto por Escócia e Haiti, o duelo contra os marroquinos é visto como a principal prova de fogo nesta fase inicial do torneio.
Um ciclo de incertezas e a chegada de Ancelotti
Para chegar a este momento, o Brasil percorreu um caminho tortuoso. Desde a saída de Tite, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) viveu um verdadeiro carrossel de treinadores e crises institucionais. O período foi marcado pela interinidade de Ramon Menezes e Fernando Diniz, além da breve e contestada passagem de Dorival Júnior. A demora na definição de um comando estável refletiu diretamente no desempenho em campo: o Brasil encerrou as Eliminatórias na quinta colocação, o pior desempenho histórico da Amarelinha na competição qualificatória.
A contratação de Carlo Ancelotti, anunciada em maio de 2025, trouxe o prestígio internacional que a CBF buscava, mas o italiano assumiu um elenco pressionado e sob nova direção política. Samir Xaud, atual presidente da entidade, assumiu o cargo em meio a disputas judiciais que resultaram no afastamento de Ednaldo Rodrigues, adicionando ainda mais tensão aos bastidores que precederam o embarque para os Estados Unidos. Agora, o treinador italiano tenta aplicar sua filosofia de jogo equilibrado para resgatar a confiança do torcedor.
O perigo mora ao lado: Marrocos em ascensão
O adversário da estreia não traz boas lembranças recentes. No último encontro entre as duas seleções, em março de 2023, os "Leões do Atlas" levaram a melhor e venceram por 2 a 1. Hoje, a seleção marroquina ocupa o sétimo lugar no ranking da Fifa, apenas uma posição atrás do Brasil, e chega embalada por uma geração de ouro que surpreendeu o mundo no Catar. O novo técnico, Mohamed Ouahbi, carrega o prestígio de ter conquistado o Mundial Sub-20 em 2025 e conta com o talento de Brahim Díaz, meia-atacante do Real Madrid que optou por defender Marrocos e já soma 14 gols em apenas 26 jogos.
Escalação e dúvidas táticas para o confronto
Ancelotti manteve o mistério durante os treinamentos no CT Columbia Park. A principal dor de cabeça do treinador está nas laterais. Na direita, Danilo e Ibañez disputam a vaga deixada pelo cortado Wesley. Na esquerda, a experiência de Alex Sandro compete com o fôlego de Douglas Santos. No setor ofensivo, o trio de ataque parece consolidado com Raphinha, Matheus Cunha e a estrela Vinícius Júnior, que reencontra seu mentor de clube agora vestindo a Amarelinha.
Historicamente, o Brasil ostenta uma invencibilidade em estreias que dura desde 1934. De lá para cá, foram 17 vitórias e três empates em primeiros jogos de Mundial. Manter essa marca é fundamental para acalmar os ânimos de uma torcida que ainda olha com desconfiança para o processo de reconstrução do time. O sucesso em Nova Jersey pode ser o primeiro passo crucial para apagar as manchas de um ciclo tumultuado e resgatar o orgulho e a soberania do futebol brasileiro no cenário global.