Presidente do Santos, Marcelo Teixeira ainda espera o pagamento pela venda de JP Chermont.
(Imagem: Bruno Vaz/Santos FC)
O Santos ainda não recebeu os US$ 2,5 milhões, equivalentes a aproximadamente R$ 12,9 milhões, previstos como pagamento à vista pela transferência do lateral-direito JP Chermont ao Sharjah FC, dos Emirados Árabes Unidos. Apesar do atraso, a diretoria santista não pretende, neste momento, acionar a Fifa para cobrar a quantia. A situação foi divulgada nesta quarta-feira (14).
Segundo informações sobre as tratativas entre os clubes, o Sharjah solicitou um prazo adicional para realizar o depósito e pediu que o Santos não levasse a cobrança à entidade internacional. A direção alvinegra aceitou manter o diálogo, avaliando que a dificuldade financeira apresentada pelo clube árabe seria pontual. Não há, até agora, uma nova data-limite confirmada para o pagamento.
Quanto o Santos tem a receber por JP Chermont?
A pendência envolve US$ 2,5 milhões pela negociação do lateral-direito, valor estimado em R$ 12,9 milhões na conversão divulgada. O acordo previa pagamento à vista, mas o dinheiro não havia entrado nos cofres do Peixe até a atualização das informações nesta quarta-feira.
O atraso chama atenção porque a quantia representa uma entrada relevante de recursos em um momento de pressão sobre as contas do clube. A expectativa de receber o dinheiro também havia sido associada publicamente ao cumprimento de compromissos financeiros do Santos.
Por que o Santos não vai à Fifa cobrar o Sharjah?
A opção da diretoria é, por enquanto, buscar uma solução negociada. O clube dos Emirados Árabes Unidos pediu mais tempo para pagar e solicitou que o Santos evitasse a abertura de uma disputa na Fifa. A administração santista aceitou aguardar, com o objetivo de preservar a relação entre as partes e receber o valor sem litígio.
Isso não significa que a dívida tenha sido perdoada ou que o Santos tenha renunciado definitivamente à possibilidade de cobrança. A decisão conhecida é de não iniciar uma ação neste momento. Caso o impasse continue, os caminhos disponíveis poderão ser reavaliados pela direção do clube, mas não há confirmação de uma medida futura já definida.
Marcelo Teixeira havia projetado entrada do dinheiro
Depois da vitória do Santos por 2 a 1 sobre o São Paulo, em 2 de outubro, o presidente Marcelo Teixeira comentou a expectativa de recebimento dos recursos da transferência de Chermont. Na ocasião, o dirigente relacionou a entrada prevista de dinheiro à capacidade do clube de honrar obrigações, incluindo direitos de imagem dos jogadores.
Teixeira também indicou que havia ocorrido atraso na tramitação de documentos entre as partes e manifestou expectativa de que o depósito fosse concluído nos dias seguintes. Entretanto, as informações mais recentes apontam que o pagamento do Sharjah ainda não foi efetuado.
Não há confirmação de que o presidente tivesse conhecimento do atraso definitivo quando fez a declaração. A diferença entre a previsão apresentada e a situação atual reforça a importância de distinguir receita esperada de dinheiro efetivamente recebido.
Como ficam os direitos de imagem dos jogadores?
O Santos também enfrenta compromissos com o elenco. De acordo com as informações divulgadas sobre a situação financeira, um mês de direitos de imagem permanece pendente, e outro vencimento está previsto para a próxima semana.
Após o pagamento de uma parcela anteriormente atrasada, integrantes da direção indicaram que a quitação foi realizada com outras receitas do clube, sem detalhar quais entradas financiaram a despesa. Isso ocorre porque o valor da venda de JP Chermont ainda não havia sido depositado pelo Sharjah.
Não é possível afirmar, apenas com os dados disponíveis, que o atraso do clube árabe tenha causado isoladamente o débito com os atletas. O que se sabe é que o dinheiro da transferência era esperado e sua ausência reduz os recursos imediatamente disponíveis para o planejamento financeiro.
Atraso acontece enquanto Santos enfrenta transfer bans
A pendência com o Sharjah surge em meio a outras dificuldades financeiras e jurídicas do Peixe. O clube quitou recentemente três cobranças relacionadas a mecanismos de solidariedade em transferências internacionais, mas continua sujeito a quatro punições da Fifa que impedem o registro de novos jogadores.
Esses bloqueios remanescentes estão associados a obrigações com integrantes da antiga comissão técnica de Pedro Caixinha. São processos distintos do atraso no pagamento pela venda de JP Chermont: neste caso, o Santos é o credor que aguarda receber uma quantia, e não o clube cobrado.
O contraste evidencia a pressão sobre o caixa santista. Enquanto precisa resolver débitos que limitam o planejamento esportivo, o clube também espera receber valores previstos em negociações de atletas.
O que acontece agora?
Os departamentos financeiro e de futebol do Santos seguem tratando do pagamento com o Sharjah. Até o momento, não foi divulgado prazo definitivo para a transferência dos US$ 2,5 milhões, nem há confirmação de que o clube brasileiro tenha iniciado procedimento de cobrança na Fifa.
O desfecho dependerá do cumprimento do compromisso financeiro pelo clube dos Emirados Árabes Unidos ou de uma eventual mudança de estratégia do Santos. A diretoria aposta na negociação para recuperar o valor sem abrir uma disputa formal.
Para o torcedor, o ponto central é que a venda de JP Chermont já foi acertada, mas a receita prevista ainda não chegou ao clube. Em um cenário de restrições para registrar reforços e compromissos financeiros em aberto, a regularização desse pagamento ganha importância para as contas do Peixe.